Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante



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2.2.2 – Técnicas de discotecagem 
 
O trabalho dos DJs inicia-se com a definição prévia do repertório a ser tocado. Durante a 
performance, a definição da sequência de músicas a serem executadas requer uma atitude de pré 
escuta.  DJs  escutam  a  música  a  ser  tocada  previamente  com  seus  fones  de  ouvido  durante  a 
execução de outra faixa reproduzida nos alto falantes. Escutar a próxima faixa enquanto o público 
ouve outra música nas pistas é uma postura necessária na mixagem. Assim constitui-se o cueing,  
processo  no  qual  o  DJ  realiza  a  pré  escuta  e  marca  o  ponto  exato  da  gravação  de  onde  será 
iniciada  a  reprodução  para  o  público,  “  [...]  colocando  a  agulha  no  lugar  correto”  (Brewster; 
Broughton,  2002:  42).  Executar  dois  discos  simultaneamente  é  uma  técnica  conhecida  como 


 
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beatmatching  que  implica  em  ouvir  e  comparar  as  velocidades  de  cada  track    e  ajustá-los  para 
que  entrem  em  sincronia.  O  controle  de  velocidade  dos  pratos  de  um  toca  disco  tipicamente 
usado nos clubes (pitch) é fundamental nessa técnica criada pelos Djs do disco, como abordado 
no tópico anterior. O beatmatching  requer uma prática para que se possa escutar duas faixas ao 
mesmo  nos  fones  de  ouvido,  em  busca  de  uma  sincronia  através  dos  pitches  reguladores  nas 
turntables e das manipulações manuais nos pratos visando mudanças mais bruscas na velocidade. 
As  dificuldades  na  aplicação  dessa  técnica  são  notadas  na  bibliografia  sobre  discotecagem 
(Brewster; Broughton, 2002: 48), (Rampling, 2012: 44) e (Reighley, 2000: 110) onde os autores 
enfatizam  a  necessidade  da  prática  diária  para  amplo  domínio  dessa  habilidade,  propondo 
exercícios  para  o  desenvolvimento  da  percepção  comparativa  da  velocidade  de  duas  gravações 
ouvidas simultaneamente (Brewster, Broughton, 2002: 50), (Rampling, 2012: 45).  
Os faders, controles deslizantes ou giratórios nos mixers, também são decisivos na prática 
da  música  contínua.  Controlando  os  volumes  individuais  de  cada  fonte  sonora  (channel faders
ou combinando-as com o crossfader – controle deslizante que pode alternar volumes dos canais 
simultaneamente e de forma gradual – o DJ estabelece uma ação seletiva do que será reproduzido 
para  a  platéia  a  partir  da  escuta  prévia  nos  fones  de  ouvido.  Os    faders  executam  um  papel 
decisivo  nas  transições  dos  tracks  durante  a  narrativa  musical,  determinando  misturas  fluidas  e 
graduais entre as fontes sonoras, procedimento chamado de blend e utilizado principalmente na 
performance do house e do techno (Brewster, Broughton, 2002: 58). A rápida troca de uma faixa 
por outra, num corte abrupto sem a perda do pulso é realizado nos faders e caracteriza a técnica 
do cut, básica em estilos como o hip-hop e drum’n’bass (2002: 66). Apesar da especificidade das 
técnicas  aplicadas  em  função  da  estética  de  cada  subgênero  da  eletrônica  dançante,  Reighley 
assinala uma mescla de procedimentos na busca de se sequenciar uma reprodução de discos numa 
pista de dança: 
 
“  [...] beatmatching não é ‘o alfa e ômega’ da mixagem. Existem dúzias 
de outras maneiras de se conectar discos. Você pode simplesmente lançar 
uma  track  dentro  do  beat,  como  os  disco  DJs  nos  seus  primórdios.  Ou 
esperar  até  a  gravação  acabar  e  começar  com  outra  em  uma  velocidade 
diferente.  Ou  misturar  introduções  e  codas  instrumentais  juntas.  Mesmo 
DJs  de  house  e  do  techno,  que  utilizam  o  beat-match    em  mixagens 


 
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estendidas  podem  interromper  seus  sets através  de  cortes  abruptos  como 
fazem muitos DJs de drum’n’bass” (2000: 121). 
O conhecimento da tonalidade da faixa também caracteriza uma abordagem de mixagem 
com  ênfase  na  progressão  harmônica  que  se  estabelece  no  discurso  sequencial  de  um  DJ.  A 
escolha  de  músicas  neste  enfoque  considera  a  tonalidade  como  elemento  essencial  na  busca  de 
uma  sucessão  harmonicamente  lógica  nas  transições  entre  faixas,  dentro  de  progressões  típicas 
em  música  popular.  Na  mixagem  harmônica,  o  DJ  passa  a  operar  mais  criativamente,  podendo 
optar  por  progressões  típicas  ou  mais  contrastantes  na  sequência  dos  tracks  que  executa.  A 
informação em relação ao tom da faixa é registrada de maneira prévia pelo disc jockey, através do 
uso  de  um  instrumento  musical  para  o  reconhecimento  da  tonalidade.  Neste  aspecto,  a 
bibliografia consultada sugere prática e algum conhecimento musical para a identificação do tom 
através  de  um  teclado,  além  de  apontar  alternativas,  como  a  consulta  a  listas  em  sites 
especializados para a obtenção destas informações, ou o uso de softwares específicos, no caso da 
discotecagem digital (Brewster, Broughton, 2002: 168). Os programas para identificação de tons 
tem funcionado como elementos facilitadores no trabalho do DJ, e embora “[...] possa ser arguido 
que não ofereçam 100% de precisão, tem provado ser uma peça valiosa, capaz e bem sucedida 
[...]”  (Rampling,  2012:  111)  dentro  das  ferramentas  dispostas  a  esta  tarefa.  A  mixagem 
harmônica tem sido um fator relevante na atuação de grandes DJs e funde-se perfeitamente com 
as técnicas de blend e cut, a primeira favorecendo transições progressões mais suaves e a segunda 
em modulações com contrastes harmônicos mais bruscos. Apesar da fluidez da narração musical 
proveniente da abordagem harmônica da mixagem, a experiência de Djs apontam para uma certa 
liberdade no uso das regras, com aplicações bem focadas no tipo de discurso musical proposto, 
como ressalta Steventon: 
 
“ A mixagem harmônica não é um degrau decisivo nas etapas da mixagem, 
é algo que se pensará uma vez a cada cinco faixas mixadas, mas se você 
pensa  em  criar  mixes  longos,  naturais  e  correntes,  este  tipo  de  mixagem 
exercerá um papel importante” (2010: 262). 
Toda  a  evolução  nas  técnicas  de  trabalho  de  um  DJ  deriva  das  funções  assumidas  ao 
longo  de  sua  história,  dos  programas  de  rádio  à  criação  ao  vivo  dos  selectors  jamaicanos 


 
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passando pelas incorporações de novos equipamentos dos DJs do house e do techno. Na trajetória 
de mais cem anos denota-se “[...] sua permanência à frente da música, retorcendo-a e modelando-
a  em  novas  formas,  pervertendo  a  tecnologia  e  dela  extraindo  sons  deslumbrantes”  (Brewster, 
Broughton, 1999: 440).  
 
 
 
 


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