Speech and context: steel-making policy in the first Vargas government (1930-1937)



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MPRA paper 57656


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Speech and context: steel-making policy
in the first Vargas government
(1930-1937)
Barros, Gustavo
30 July 2014
Online at
https://mpra.ub.uni-muenchen.de/57656/
MPRA Paper No. 57656, posted 30 Jul 2014 16:31 UTC


Discurso e contexto: política siderúrgica no
primeiro governo Vargas (1930-1937)

Gustavo Barros

30/jul/2014
Resumo
Em fevereiro de 1931, Getúlio Vargas proferiu em Belo Horizonte
um conhecido discurso e fez então uma de suas mais importantes in-
tervenções públicas no debate siderúrgico. Esse discurso fez fortuna
na historiografia, sobretudo pela sua manifestação incisiva em favor
da siderurgia nacional e, por extensão, à indústria em geral, poucos
meses após a Revolução de 1930. Discutimos e interpretamos aqui esse
discurso, ao mesmo tempo em que fazemos um contraponto entre ele e
a política siderúrgica que efetivamente se seguiu ao longo do primeiro
governo Vargas, mas anterior ao Estado Novo. Procuramos compre-
ender as razões que levaram Vargas a manifestar-se sobre o problema
siderúrgico, da forma como o fez naquele momento em Belo Horizonte,
com base no histórico do debate até então, na posição que o Estado
de Minas Gerais vinha ocupando nele e nas outras propostas feitas por
Vargas na mesma ocasião. No que diz respeito à política siderúrgica
efetivamente implementada pelo governo após o discurso, concluímos
que, se ela não foi inexistente, temos que considerá-la no mínimo de-
sapontadora, se comparada com as expectativas que a veemência da
manifestação de 1931 faria suscitar.
Palavras-chave
: Brasil; Getúlio Vargas; industrialização; siderurgia;
exportação de minério de ferro; política industrial.
Classificação JEL
: N56; N66; O25; O14

Este trabalho foi originalmente preparado, praticamente sob encomenda, a partir do
convite recebido para apresentar um seminário junto ao Grupo Hermes & Clio e baseou-se
em material colecionado ao longo da pesquisa feita para a minha tese de doutorado, mas
que acabou não integrando o trabalho, e em alguns fragmentos de texto, mais ou menos
acabados, que haviam sido escritos no processo. Ele foi então divulgado como texto para
discussão do Seminário realizado na FEA-USP em 28/3/2012. Agradeço, assim, o estímulo
recebido do grupo Hermes & Clio à preparação do texto, particularmente de Flávio Saes,
bem como os comentários recebidos dos participantes do Seminário na ocasião. Agradeço
também os comentários recebidos de Renato Colistete.

Home page: http://gustavo.barros.nom.br/


Title
: Speech and context: steel-making policy in the first Vargas
government (1930-1937)
Abstract
In February 1931, Getúlio Vargas delivered a well known speech
in Belo Horizonte and made then one of his most important public
interventions in the Brazilian steel-making debate. This speech made
fortune in the historiography, above all for its incisive statement in
favor of a national steel-making industry and, by extension, of indus-
try in general, few months after the Revolution of 1930. We discuss
and interpret here this speech, alongside with a comparison between
what was defended in the speech and the steel-making policy which ef-
fectively followed it along the first Vargas government, but before the
Estado Novo. We try to understand the reasons which led Vargas to
state what he did about the steel-making problem, at that moment in
Belo Horizonte, based on the history of the debate until then, on the
position which the state of Minas Gerais occupied in it and on other
propositions made by Vargas on the same occasion. Regarding the
steel-making policy actually implemented by the government after the
speech, we conclude that, if it was not nonexistent, we must at least
consider it as disappointing, if compared to the expectations which the
vehemence of his 1931 speech could give rise to.
Keywords
: Brazil; Getúlio Vargas; industrialization; steel-making;
iron ore export; industrial policy.
JEL Classification
: N56; N66; O25; O14
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-
ShareAlike 3.0 Unported License.
Para ver uma cópia desta licença, visite http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/
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California, 94041, USA. Permissões além do escopo desta licença podem estar disponíveis
em http://gustavo.barros.nom.br/.


Introdução
Em 23 de fevereiro de 1931, por ocasião de um banquete oferecido pelo
governo do Estado de Minas Gerais, Getúlio Vargas proferiu um discurso
em Belo Horizonte que foi, mais tarde, publicado sob o título “Os saldos
ouro e o problema siderúrgico”.
1
Esse discurso fez fortuna na historiografia,
sobretudo pela sua manifestação incisiva em favor da siderurgia nacional e,
por extensão, à indústria em geral, poucos meses após a Revolução de 1930.
De fato, podemos dizer que esse discurso de Belo Horizonte, juntamente
com a “entrevista” de São Lourenço,
2
dada por ele em 1938, compõem as
duas mais importantes intervenções públicas pessoais de Vargas no debate
siderúrgico. O objetivo desse trabalho será a discussão e a interpretação
desse discurso de Getúlio Vargas proferido por ele em Belo Horizonte, em
fevereiro de 1931.
Diferentemente da entrevista de São Lourenço, que era fartamente refe-
rida à época nos debates, o discurso de Belo Horizonte não repercutiu de
forma imediata. A primeira referência ao discurso de que tenho conheci-
mento foi feita indiretamente, mais bem à origem da formulação de Vargas e
que, justamente por isso, era entretanto profundamente irônica. O Relatório
da Comissão dos Onze, de 1934, que recomendava a assinatura do contrato
com a Itabira Iron, em seu capítulo sobre “A solução do problema siderúrgico
nacional” incluiu uma epígrafe justamente daquele que havia sido talvez o
mais importante defensor público do projeto Itabira na segunda metade da
década de 1920: Ferdinando Labouriau. Dizia a epígrafe, originalmente for-
mulada em 1928: “. . . o fator material maximo, da grandeza de nossa patria,
está na solução de nosso problema siderúrgico”.
3
Ora, o relator da Comissão
dos Onze certamente não deixara de reconhecer que Vargas, em seu discurso
de 1931, parafraseara este trecho, naquela que eventualmente se tornou a sua
frase mais citada: “Mas o problema máximo, pode dizer-se, básico da nossa
economia, é o siderúrgico.” (Anexo, linha 165).
Excluída essa troca de farpas coeva, inauguraram propriamente a tradi-
ção de referir-se ao discurso de 1931 as autoridades envolvidas na criação da
Companhia Siderúrgica Nacional, na década de 1940, em contexto bastante
distinto do original. O próprio Vargas o fez por ocasião de uma visita às obras
de Volta Redonda, em 1943.
4
Nesse mesmo ano, Edmundo de Macedo Soares
e Silva, diretor técnico da CSN e um dos principais responsáveis pela criação
da companhia, também lembrou do discurso em uma conferência proferida
em São Paulo, a convite da FIESP e da Associação Comercial de São Paulo.
5
Ainda em 1943, um volume organizado para registrar uma visita feita por
uma série de industriais ligados à FIESP às obras da usina também resgatou
o discurso de Belo Horizonte como testemunho do longo compromisso do
governo com o problema cuja solução então se encaminhava.
6
A partir daí, e nesse registro, o discurso de Belo Horizonte foi incorporado
à historiografia, marcando nela presença relativamente frequente. Mesmo a
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