Sousa, C. R. Literatura e imagologia Pandaemonium, São Paulo, n. 17, Julho/2011, p. 159-186



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de  critique  et  d’histoire  (1865),  Taine  elabora  a  oposição  entre  a 

"

Romania



"

  dos 


franceses e a 

"

Germania



"

 dos alemães, na esteira de Madame de Staël, que em seu livro 



D’Allemagne (1810) também teceu uma imagem da Alemanha romanticamente voltada 

para a filosofia e as artes, em oposição a uma imagem neo-clássica da França. 

 O  trabalho  de  Hennequin,  conforme  constata  Manfred  F

ISCHER


  em  Nationale 

Images als Gegenstand Vergleichender Literaturgeschichte (1981), propõe a construção 

de  uma  história  da  recepção  da  literatura  em  vez  da  história  de  sua  produção.  Para 

Hennequin, ao contrário de Taine, o homem não é um produto previsível, mas um feixe 

de  variáveis  difíceis  de  precisar.  Também  a  literatura  não  é  vista  como  registro  de 

comportamentos, mas como a expressão de uma língua. A obra literária desenvolver-se-

ia num processo comunicativo entre um autor/emissor e um leitor/receptor. A existência 

da  obra  literária  ou  sua  sobrevivência  dependeria  de  sua  ação  sobre  a  imaginação  dos 

leitores,  ou  melhor,  da  reação  dos  leitores  à  sua  leitura.  H

ENNEQUIN

,  ao  apreciar, 

comparar e historiar as reações dos leitores a uma determinada obra, faz uma leitura da 

psique coletiva nessa recepção. Por  exemplo, em  Écrivains  francisés  (1889), investiga 

os escritores estrangeiros traduzidos, lidos e bem sucedidos na França (Dickens, Heine, 

Tourguénef, Poe, Dostoievski, Tolstoi), tipificando-os.  




167 

Sousa, C. R. – Literatura e imagologia 

 

 

 



Pandaemonium, São Paulo, n. 17, Julho/2011, p. 159-186 – 

www.fflch.usp.br/dlm/alemao/pandaemoniumgermanicum

 

 

Também segundo Fischer no livro atrás citado, Joseph T



EXTE

 tem toda uma obra 

voltada  para  o  estudo  das  relações  literárias  entre  a  França,  a  Inglaterra,  a  Itália,  a 

Alemanha,  a  Espanha,  examinando  imagens  nacionais,  dando  atenção  especial  aos 

conceitos  de influência e de apropriação.  Études  de littérature européene  (1898) é um 

desses livros.  

L

ANSON


,

 

W



OODBERRY

,

 



C

HANDLER 


e  G

RAF


,  que  também  são  abordados  no  já 

citado  Do  cá  e  do  lá.  Introdução  à  Imagologia  (Cf.  S

OUSA 

2004),  esforçam-se  por 



superar  o  determinismo;  no  entanto,  não  conseguem  deixar  de  dar  orientação  social-

psicológica a seus estudos comparativistas e imagológicos.  

B

ALDENSPARGER



  e  H

AZARD


,

 

de  acordo  com  a  mencionada  investigação  de 



F

ISCHER


 (1981), tentam avançar nesse processo de superação e dão à Comparatística, e 

consequentemente à  Imagologia, o  status  de um  "novo humanismo", de uma instância 

corretora dos mal-entendidos nacionais no contexto das relações internacionais. Têm em 

mente, porém, ainda a compreensão dos povos a partir da perspectiva etnopsicológica. 

Os  seus  estudos  imagológicos  continuam,  em  última  instância,  a  serviço  da 

etnopsicologia  e  acabam  alimentando  teorias  racistas  que,  entre  outros,  definem  e 

classificam os povos em inferiores e em superiores. 

Um  segundo  momento  macro  é  marcado  por  Jean-Marie  C

ARRÉ

  (referido  por 



Manfred 

Fischer 


em 




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