Sob os olhos da inocência



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SOB OS OLHOS DA INOCÊNCIA.
SINOPSE:

O professor Elias sempre teve a vida que todo homem comum sonha. Família, bem sucedido profissionalmente e respeito. De repente, sua aluna mais talentosa da classe passa acusá-lo de pedofilia, colocando seu caráter em dúvida. A partir desse momento, o homem de família ver sua vida transformar em um inferno. Direção da escola o demite do emprego, a mulher separa-se dele. A cidade onde mora passa a persegui-lo e acusá-lo de pedofilia.

Sem conseguir provar a própria inocência, Elias vai morar na periferia, passa a catar papelão para sobreviver. Mas diante de toda essa turbulência ele se torna religioso e acredita ser essa é sua única esperança para provar a inocência.

SOB OS OLHOS DA INOCÊNCIA.


Personagens principais

__________________________________ELIAS

__________________________________REBECA.
Personagens secundários.
__________________________________MONALISA

__________________________________RUTE

__________________________________AQUILES

__________________________________NÚBIA

__________________________________MATILDE

__________________________________IVAN

__________________________________ROSA

__________________________________GOMES

__________________________________NORA

__________________________________MAGÓLIA


Outros personagens Secundários

__________________________________BRUTAMONTE

__________________________________POLICIAL I

__________________________________POLICIAL II

__________________________________DELEGADO

__________________________________DONO DA PENSÃO

__________________________________PASTOR

__________________________________PROFESSOR

__________________________________REPÓRTER

__________________________________CÂMERA MAN

________________________________MOTORISTA/MASCARADO/PACIENTE.

__________________________________ALUNO NEGRO

__________________________________ALUNO PARDO

SOB OS OLHOS DA INOCÊNCIA.




  1. LETREIRO PRINCIPAL

INT. CARRO------DIA.

Visão das ruas do centro da cidade pelo ponto de vista de um menina loira de 05 anos. Ela está sentada no banco de trás do carro novo. O carro faz a curva a direita e ganha uma rua estreita e vazia. Uma belíssima mulher loira de 35 anos dirige o carro. Ela houve uma musica orquestrada no rádio do veículo, que tocara durante toda a sequência. O fim do letreiro principal se dá quando ela chega à frente em um casarão enorme, de portão automático, onde ela para o carro. A música é cortada junto com o fim da sequência.




  1. CASARÃO.

EXT. INT--------DIA.

O portão automático abre e a mulher entra com o carro na garagem. Ela para o carro e salta com algumas sacolas plásticas em uma das mãos. A menina salta junto com ela e corre ao encontro do cachorro da família. O cachorro é dócil e aceita as caricias da menina. A mulher chama-se Rebeca. Ela entra na casa totalmente mobiliada e coloca as sacolas em um dos sofás. O telefone toca e ela atende ao telefone sem pressa.

Rebeca fica em primeiro plano, enquanto a porta entreaberta fica ao fundo.
REBECA – Alô!
CORTE PARA:


  1. DIRETORIA DO COLÉGIO

INT.--------DIA.

Uma mulher branca de faixa etária de 50 anos fala ao telefone enquanto olha alunos jogando vôlei numa quadra improvisada no gramado do colégio. Em sua sala há uma estante com uma enormidade de livros, uma fotografia de família sobre a mesa e uma placa com a inscrição: DIRETORA. Logo abaixo dessa inscrição se encontrava o nome dela: NÚBIA.


NÚBIA. (No telefone)–... Sim, Rebeca. Infelizmente é uma situação de urgência e preciso que você venha ao colégio, porque preciso falar com você. É um caso muito sério.
REBECA (Em off)- Tá, já estou indo.
NÚBIA – Te aguardo ansiosamente.
Núbia desliga o telefone. Parece bastante apreensiva. Vira-se para uma garota ao seu lado direito, sentada numa cadeira com o rosto banhado de lágrimas. Não vimos à garota antes. Ela tem por volta de 14 anos. É uma garota linda. Seus olhos estão fixos num papel que ela mantém seguro junto ao colo.
NÚBIA- Já comuniquei a esposa dele. Aguarde um momento, porque ela já está vindo.
CORTE PARA:


  1. CORREDOR DE ESCOLA/SALA DE AULA.

INT. DIA.

Ouve-se o barulho do sinal da escola que toca. Alguns alunos estão transitando pelo corredor da escola. Alguns passam pelo professor Elias que se dirige a sala de aula com alguns livros na mão. Ele tem boa aparência, parece não se importar para aquele tumulto de alunos. Dirige-se a sala do oitavo do ensino fundamental. Pode ouvir o barulho dos alunos em algazarras e brincadeiras na sala. Ao abrir a porta, Elias contempla a bagunça. Alguns, sem noção, estão sobre as carteiras jogando aviõezinhos por toda a parte. Elias fica parado observando a bagunça. Ao perceberem a presença do professor, começam a parar com a bagunça e cada um vai procurando seu lugar, desconfiado. Elias fecha a porta e caminha em direção a sua carteira, enquanto observa um poema sobre o racismo escrito na lousa.


ELIAS –... Têm medo, mas não têm vergonha. Espero que todos já copiaram a lição da lousa.
Num plano detalhado vemos o poema:
EU, NEGRO
Conclave do semeador de discórdia.
Não há glória... E a LIBERDADE um esgoto vivo.
Ao dia...
Hipócritas e demagogos
À noite...
Céticos e antagônicos.

O odor da mentira exala...


E a democracia chora à subversão da moral.
Mal, da República, pública,
Sem chão para o zelo do patrimônio público.
Há estúpidos abrindo os braços para fazer o País.

Ouça o som que saí da mesa dos direitos Humanos em Brasília.


É o louvor do preconceito racial às claras, as margens plácidas.
Eu, NEGRO, heróico, brando, recatando, as palavras...
Arma fraca, precisa tornar-se fatos de fato,
Para diluir o olfato, o tato, da porca miséria,
Chamada DEMOCRACIA DO BRASIL.

Precisam-se quebrar as algemas,


Para libertar a mente, sã, insana,
Desse pulso, que pulsa a pulsação do repúdio,
Ás mãos que jogam pedra no público,
E aplaudem a constituição federal de forma arcaica, magistral?

Sem moral...

Não é bom conceder sabedoria aos idiotas...
Remotas águas de valor intelectual, cuja sabedoria é castrada...
A estrada da LIBERDADE é história com via de mão dupla,
República ou anarquia,
Escolhei, hoje, a quem sirvais...
Voltamos para o Elias. Ele está sentado observando a lista de chamada, enquanto os alunos silenciosamente fazem a lição na lousa.
Elias (Se levanta) – Creio que todos estão aqui...
Um aluno negro, na última carteira da sala ergue a mão:
ELIAS - Sim!
ALUNO NEGRO – A Monalisa não está. Foi para a diretoria e não voltou até agora. Me parece que estava chorando.
ELIAS – Coisas da Monalisa, vamos voltar a aula... Muito bem, creio que todos vocês sabem a temática desse poema, o que o autor queria expressar através desses versos.
O aluno pardo que ficava ao lado do aluno negro satirizou:
ALUNO PARDO – O Negueba deve saber, afinal ele é um marrom...
Alguns alunos riem da situação, enquanto Elias se mantivera parado, sério.
ELIAS – Senhor engraçadinho, vou levar isso na mesma temática que você levou. Porque se eu for levar a sério, poderia considerar isso como um preconceito anunciado.
ALUNO PARDO – Mas a gente não pode mais nem brincar! Tudo agora é racismo.
ELIAS – Eu não disse a palavra racismo, isso foi proferido de sua boca. Eu disse que não levaria a sério, porque se assim fizesse, poderia considerar como um preconceito anunciado...
A inspetora de aluno, uma senhora negra, abre a porta chamando pelo Elias.
MATILDE - Professor! A diretora quer vê-lo.
ELIAS – Já estou indo, Matilde.
Ela sai e fecha a porta. Elias dirige-se aos alunos.
ELIAS – Quero a interpretação desse texto e isso valerá nota.
TODOS (Juntos) –Hááááááááááááááá!
ELIAS – Quem sabe assim vocês mantêm a mente de vocês ocupadas com alguma coisa conveniente... Já volto.
Elias sai. O corte é feito com fechar da porta.


  1. CORREDOR DA ESCOLA.

INT. DIA.

O vasto corredor vazio possuía algumas artes de alunos espalhadas pelas paredes. Somente a Matilde estava ali, olhando uma pintura na parede, feito pela Monalisa, em que havia um barco em uma tempestade e um casal de idosos dormindo em meio à tempestade. Elias para ao seu lado e pede:


ELIAS – Matilde, você vigia a sala de aula para mim, até eu voltar?
MATILDE- Já havia observado essa imagem antes, professor?
ELIAS – Centena de vezes.
MATILDE – É uma artista muito talentosa, só não sei como alguém teria coragem de atentar alguma mal contra ela.
ELIAS – Do que você está falando, Matilde? Não estou entendendo!
MATILDE – Vá a diretoria. Saberá exatamente o que está acontecendo.
Matilde saí em direção a sala de aula. Elias fica parado olhando para a pintura na parede. A sequência termina com um close na pintura.


  1. DIRETORIA

INT – DIA.

A porta da sala abre e Elias entra por ela. Ele fica perplexo, ao ver Rebeca ali chorando, de frente para a janela de vidro. A sua direita estava Monalisa sentada, no mesmo estado visto na sequência 3. A diretora estava parada frente à estante cheia de livros com um papel na mão.


ELIAS (Perplexo) – Olá! A Matilde me disse algo no corredor, mas ainda não estou entendendo nada. O que está acontecendo?
NÚBIA (Depois de um silêncio, começa ler o poema escrito no papel que estava em suas mãos) – Beija-me com os lábios de sua boca. Porque mais lindo que o por do sol em dia de primavera, mais doce que o mel da abelha, é os seus lábios...
ELIAS (Interrompe) – O que isso me diz respeito? A Monalisa colocou isso sobre minha mesa antes do intervalo, disse a ela que ela é uma garota muito bonita e inteligente, mas que sou um homem casado e com idade praticamente para ser o pai dela.
Monalisa se levanta furiosa, aos gritos:
MONALISA – Mentira! Mentira! Seu babaca mentiroso! Você me integrou isso dizendo que eu sou sua fantasia e que sou seu sonho de consumo.
NÚBIA – Eu sei que você está muito transtornada com o caso, Monalisa. Mais tente se controlar.
MONALISA - Se eu tivesse um pai e se ele soubesse disso, ele iria acabar com a sua vida de pedófilo.
NÚBIA – Monalisa, você me garantiu que isso ficaria entre nós, sob a condição que eu chamaria a senhora Rebeca, para que ela ficasse ciente do caso.
ELIAS – Mas isso é um absurdo extraordinário. Sempre fui fiel a minha esposa e sempre respeitei meus alunos, agora sou acusado de pedofilia?
REBECA (Vira-se com os olhos nadando em lágrimas) - Elias, eu gostaria de acreditar em você, mas sempre andei com o pé atrás em relação a você. Alguma coisa sempre me dizia que você nunca foi um homem totalmente fiel e agora tenho plena certeza disso.
ELIAS – Mas até você, querida!
REBECA (Se aproxima e dá um tapa no rosto) – Não me chame mais de querida, porque de agora em diante o nosso casamento acabou.
ELIAS – Isso só deve ser uma brincadeira de mau gosto. Onde está o seu amor para acreditar em mim?
REBECA – Eu tenho uma filha de cinco anos, não posso conviver com um homem que é acusado de pedofilia e que garantias eu terei que ele não abusará de minha própria filha?
Ela retira a aliança e joga no chão. O movimento do tirar a aliança até cair no chão se dá em câmara lenta.

Ela saí da sala logo em seguida.


MONALISA – Está contente agora, professor Elias?
ELIAS-Seu monstro! Você está acabando com a minha vida, está destruindo meu casamento e minha família.
NÚBIA – Lamento, professor Elias, mas você fez isso. Você está demitido dessa escola e não se aproxime mais dessa aluna, porque se fizer isso, eu mesma vou denunciá-lo no Conselho Tutelar.
MONALISA – Agradeça, pedófilo, por não cair na cadeia. Porque se caísse lá, ia virar boneca.
Elias fixa os olhos em Monalisa. Os olhos se encontram num ato de desafio. Ele saí logo em seguida. Núbia parece suspirar aliviada.


  1. RUA MOVIMENTADA

EXT. DIA.

Uma música tocada a violão invade a sequência enquanto vemos Elias caminhar entre pessoas desconhecida na rua movimentada. Ele usa óculos escuros. Avista um ônibus aproximar-se, dá sinal para o ônibus. O ônibus pára. A porta se abre. Elias entra, a porta do ônibus fecha e dá a partida. O ônibus parte e vemos o enorme cartaz na parte traseira do ônibus anunciando o livro GRANDE CLONFLITO. Ficamos com essa imagem até o ônibus distanciar-se.




  1. INTERIOR DE ÔNIBUS

INT. DIA.

Elias passa pela catraca do ônibus e vai sentar no único lugar vazio dentro do ônibus. Era um assento ao lado de uma mulher, idosa, com aspecto de evangélica. É a Nora. Elias parece ignorá-la, escondido atrás de seu óculo escuro. A música da sequência anterior corta-se, quando Nora fecha o livro que lia e vemos na capa a mesma imagem que fora visto no cartaz da traseira do ônibus.


NORA – Filho, posso lhe dá esse livro de presente?
ELIAS – Eu não sei se vou tempo de ler.
NORA – O tempo quem faz somos nós mesmos.
ELIAS (Depois de um silêncio) - Do que esse livro fala?
NORA – Do conflito dos séculos. Da luta entre o bem e o mal e lógico, sobre a supremacia do bem sobre o mal.
ELIAS – Ah, sim. Acho que vou mesmo precisar de algo assim.
Ela lhe entrega o livro e se levanta para dá sinal ao ônibus que diminui a velocidade e pára. Elias gentilmente sede a passagem para Nora que ganha o corredor.

NORA – Saiba que Jesus te ama. Lendo esse livro você vai descobrir o enorme amor dele por você.


ELIAS – Muito obrigado. Acho que precisava ouvir palavras de esperança como essas.
Ela desce do ônibus pela porta traseira. O ônibus dá a partida e segue em frente.


  1. RUA/ CASARÃO

EXT. DIA

O ônibus para e a porta traseira abre. Elias salta com o livro na mão. O ônibus vai embora e ele caminha em passos lentos em direção a rua tranqüila de sua casa. De longe ver uma viatura policial parada em frente a sua casa. Parece assustado, mas procura manter a tranqüilidade. Aproxima-se e ver suas coisas jogadas dentro de malas do lado de fora de casa.


ELIAS – O que é isso? O que está acontecendo aqui?
Um dos policiais militar, dirige-se a ele:
POLICIAL I – Se eu fosse o senhor, pegaria as coisas antes que o pior aconteça.
ELIAS –Mas qual é mesmo o meu crime? Por que eu fui despejado assim de minha própria casa e sou tratado como se fosse um criminoso?
POLICIAL I- Se estivesse sendo tratado como criminoso este diálogo nem estava existindo entre nós. O senhor já estaria algemado e conduzido para uma delegacia de policia.
ELIAS (Oferece os dois punhos para o policial) – Então me prenda, policial. Só me resta isso para acabar de vez com aminha vida.
POLICIAL II (Rispidamente aproxima-se empunhando de sua arma e falando face a face com ele) – Não nos obriguem a tomar medidas rigorosas. Estamos aqui para manter a ordem.
ELIAS – Que ordem?! Roubaram a minha paz, a minha felicidade, a minha família e você vez falando em ordem?
POLICIAL II – Foi você quem pediu.
Imediatamente dá uma chave de braço nele com força agressiva e o põe sob seu domínio com as duas mãos para trás. Ele pega as algemas e o algema.


  1. DELEGACIA DE POLICIA. RUA.

EXT. DIA
Uma viatura policial saí de frente da delegacia de policia e ganha a rua principal, passando por um carro velho, estacionado do outro lado da rua. O cenário fica como que um freezer. Uma viatura entre alguns carros parados em frente a delegacia. Em meio a esse cenário, vemos Elias sair da delegacia usando o mesmo óculo escuro. Atravessa a rua e vai ao carro velho do outro lado da rua. Alguém está nele. Assim que Elias entrou no veículo, a pessoa dá a partida no carro e saí.


  1. CARRO VELHO/RUA

INT. EXT- DIA

O homem que conduzia o carro velho era o Ivan. Usa barba grande, cabelos despenteados e seu aspecto de um jovem envelhecido. Dá-se a impressão de 40 anos, mas ele tem menos de 30. No interior do carro, há uma desorganização total. Elias ao lado, está em silêncio. Eles chegam num semáforo, o sinal está fechado. Ivan para o veículo, a espera do sinal abrir.


IVAN – Que droga, Elias! Não bastasse a suspeita de pedofilia, você ainda tinha que desacatar os policiais!
ELIAS – E o que você acha disso tudo? Que realmente fiz tudo isso?
IVAN – Pelo que eu te conheço, claro que não! Mas as coisas andam tão mudadas ultimamente que eu já não sei de mais nada.
ELIAS - De fato, a loucura dos sábios não está no entendimento, mas na mansidão.
O sinal abre. Ivan arranca e segue adiante.
IVAN – Que droga é essa, Elias! Do que você está falando?
ELIAS – Até meu melhor amigo, está me caçoando. O que mais devo esperar?
IVAN – Corta essa, meu chapa! Não vai bancar o coitadinho, né! Só quero que você canta a pedra, abre o jogo.
ELIAS – Pare esse carro, Ivan!
IVAN (Parece fingir não entender) - O que é! O que você está falando?
ELIAS – Pare o carro, por favor!
Ele freia o carro imediatamente. Elias retira o sinto de segurança abre a porta e sai do carro.
ELIAS – Muito obrigado, Ivan. Depois eu pago seu dinheiro da fiança.
Ivan desliga o carro e salta logo em seguida. Dirige-se a ele falando em voz alta.
IVAN – O que você pensa que está fazendo, Elias?! Sou a única pessoa no mundo que está de seu lado nesse momento. Briguei com a minha mulher para poder te ajudar, porque sempre acreditei que você fosse uma pessoa do bem, é dessa forma que você me agradece?
Alguns carros que seguiam naquela direção começaram a parar atrás do carro de Ivan, parado no meio da rua. Ele parece ignorar isso.
ELIAS - Cara, eu agradeço por tudo, mas não estou legal! Será que você me entende?
IVAN (Aumenta o timbre de voz) – Não, eu não te entendo.
Os veículos começam a buzinarem. Elias observa a situação e diz:
ELIAS – Vai nessa, cara! Você está atrapalhando o trânsito. Eu vou ficar legal.
Ivan parece custar a acreditar. Depois entra o carro, acelera e saí em alta velocidade. Elias saí do meio da rua e os carros vêem logo em seguida, passando por ele.


  1. PARQUE DE DIVERSÃO.

EXT. AO ENTARDECER

Um carrossel gira sem parar. Rute a filha de Rebeca está nele. Sobre essa imagem ouve-se o tocar de um telefone. Rebeca atende ao celular e fica em primeiro plano. O carrossel girando com as crianças fica em segundo plano.


REBECA (No celular) – Elias, se você ligar outra vez em meu celular, vou ser obrigado a trocar o número dele.
ELIAS (Em off) – É assim que você trata alguém que dividiu o travesseiro com você durante sete anos?
REBECA (No celular) –Acho que foi a maior burrada de minha vida. Nunca imaginava que você com sua cara de cordeirinho, poderia ser esse lobo voraz que você mostrou ser.
CORTE PARA:


  1. QUATRO DE UMA PENSÃO QUALQUER

INT. DIA

Vemos Elias sentado em uma cama simples de uma pensão sem luxo. A frente há uma televisão ligada em noticiário e Elias parece ignorá-la. O livro o Grande Conflito está sobre a cama.


ELIAS (Melancólico, no celular) – E a casa que construímos juntos e a filha que temos, isso para você não significa nada?
REBECA – (Em off) –Essas sãos as únicas coisas boas que vou levar dessa relação.

Ela desliga o telefone. Elias tenta comunicação sem sucesso.


ELIAS – Rebeca, Alô! Alô, Rebeca! Alô!
Elias pega o celular e disca novamente, num plano detalhado. Parece não obter sucesso. Irrita-se e malha o celular na parede. O celular quebra. Ele fica andando de um lado para o outro. Para ao olhar o livro O Grande Conflito, fechado sobre a cama.


  1. CARRO DE REBECA/RUA

INT. EXT- AO ENTANDERCER

Uma musica suave invade a sequência. Ela dá ritmo à visão de Rebeca, parada no semáforo esperando o sinal abrir. A câmara são seus olhos, sob a lente dos óculos escuros contemplando o lindo por do sol. O ângulo vai se abrindo e temos visão do interior do carro e de toda a rua. Um homem com as semelhanças físicas de Elias usando roupa esporte passa rapidamente pela faixa de pedestre. Rute o acompanha com a visão.


RUTE – Mamãe, aquele homem é o papai?
REBECA – Seu pai é uma pessoa perigosa, não fique preocupada com gente assim.
RUTE- Mas a professora me disse que pessoas estranhas são perigosas. Meu pai não é um estranho.
REBECA – As vezes as pessoas mais perigosas, estão mais próximas da gente do que a gente imagina.
O sinal abre e ela parte. O carro distancia da câmara e ficamos com a imagem do por do sol, enquanto a música vai aumentando o volume e ganhando força na sequência. O sol se pondo indica a passagem de tempo.


  1. SHOPPING-CENTER

INT. NOITE

A música segue, sem corte. Enquanto vemos pessoas descendo e subindo a escada rolante do Shopping. Ficamos com as pessoas que sobem a escada rolante. Elas nos levam até a praça de alimentação e lá encontramos Elias, sentado, realizando uma leitura. Os restos de Suco e lanche indicam que ele finalizou a refeição. A câmara aproxima-se suavemente do livro e num plano detalhado, conseguimos enxergar o que ele está lendo: O Grande Conflito Pág. 297. Capitulo 32-Como Derrotar a Satanás.


Com o intuito de sustentar doutrinas errôneas, alguns apanham passagens das Escrituras separadas do contexto, citando talvez a metade de um versículo como prova de seu ponto de vista, quando a parte restante mostraria ser exatamente contrário o sentido. Com astúcia da serpente, entrincheiram-se por trás de declarações desconexas, construídas para satisfazer os desejos carnais.

A música finalizou exatamente quando Negueba juntou-se ao Elias, lhe interrompendo a leitura.


ALUNO NEGRO/NEGUEBA (Em off) – Olá, professor!
Elias, meio desconcertado, fecha o livro e para com a leitura. Só então ele avista o Negueba parado a sua frente.
ELIAS – Olá, menino! Estava aqui fazendo uma leitura, para distrair um pouco a cabeça. Quando você puder, leia este livro... (Mostra o livro a ele) - O Grande Conflito, um ótimo livro.
ALUNO NEGRO/NEGUEBA – Professor, o senhor está bem?
ELIAS – Não como deveria, mas vou ficar bem... Por que me pergunta?
ALUNO NEGRO/ NEGUEBA – Acho que estão cometendo uma grande injustiça contra o senhor. O senhor sempre foi um defensor da causa dos negros, por isso sempre te admirei. Mas agora a Monalisa saiu detonando o senhor nas redes sociais, lhe chamando de professor pedófilo, sem vergonha.
ELIAS – É por isso que não acesso as redes sociais. O único correio eletrônico que possuo é meu e-mail.
ALUNO NEGRO/ NEGUEBA- Acho que o senhor deveria processar aquela falsa.
Elias se levanta, dá um tapa nas costas dele, com um risinho sem graça:
ELIAS – Quem não deve, não teme. Obrigado pela consideração, só que mais cedo ou mais tarde a verdade vai vir á tona.
Negueba permanece parado junto a mesa, enquanto que Elias caminha em direção a escada rolante e desce, sob o olhar de piedade do garoto.


  1. ESTAÇÃO DE METRÔ

INT. NOITE.

Sonho.


Elias é o único passageiro parado na estação de metrô. Há um silêncio total. Ele está de pé, vestido da mesma maneira como estivera na sequência anterior. De repente, ouve-se o som do metrô nos trilhos que se aproxima da estação. O trem chega e vai diminuindo a velocidade, parando. O vagão que parou onde ele estava abre a porta. Lá na porta estava Rute parada. Ele leva um choque ao vê-la.
RUTE – Olá, papai!
ELIAS (Enche os olhos de lágrimas) – Olá, filhinha! Que bom vê-la, meu amor!
RUTE – Papai, sabia que a mamãe me disse que o senhor é muito perigoso, mas eu disse a ela que o senhor não é perigoso, somente as pessoas estranhas são perigosas, não é mesmo, papai?
ELIAS – Filha, não acredite no que as pessoas falam, inclusive sua mãe. Estão inventando um monte de calunias contra seu pai... Você acredita nisso?
RUTE – Sim, papai.
ELIAS – Que ótimo, minha filha!
A porta do vagão se fecha rapidamente e o trem começa a andar. No desespero, Elias parte tentando abrir a porta sem sucesso. O trem acelera e ele saí correndo atrás, gritando:
ELIAS – Filha! Filha! Eu te amo!
RUTE – Eu também, te amo! Papai!

O trem parte. Elias fica na estação inconsolado.




  1. QUARTO DE PENSÃO

INT. AO AMANHECER.

O quarto da pensão é o mesmo visto na sequência 13.

Elias acorda de uma vez do sonho, como quem acordasse de um longo pesadelo. Permanece sentado na cama sob a coberta por pouco tempo enquanto se recompõe. Levanta-se, vestido com a mesma roupa vista nas sequências anteriores e vai para o banheiro.


  1. BANHEIRO DE PENSÃO

INT. AO AMANHECER.

A sequência praticamente é iniciada quando o vidro do espelho do armarinho do banheiro é fechado e vemos o Elias vestido social, usando gravata. Ele ajeita a gravata, usa um perfume. O plano abre e vemo-lo arrumar uma pequena pasta com alguns papeis dentro. De dentro dela, ele retira um currículo pessoal. Olha o currículo, guarda-o em seguida. Pega a pasta e saí do banheiro. O cortar da cena se dá com o fechar da porta do banheiro.




  1. CALÇADA DE ESCOLINHA/ RECEPÇÃO DA MESMA

EXT. DIA
Enquanto avança rumo a recepção da escolinha onde Rute estuda, Elias observa as crianças brincando no parquinho da escolinha. Antes de ganhar acesso a entrada, cruza com algumas pessoas que se afastam dele ao reconhecê-lo. Adiante um casal realizando caminhada. A mulher comenta em voz alta:
MULHER – Esse aí não é o tal professor pedófilo? Por que alguém ainda não o denunciou?
HOMEM - Sei lá! Acho que as autoridades são coniventes com esse tipo de gente. É um absurdo uma coisa dessas.
Elias para, como quem não tivesse acreditando sobre os comentários maldosos que ouvira. Controla-se e recompõe, antes de avançar á recepção da escolinha. Lá, havia uma secretaria com uniforme, simpática e sorridente. Ela o cumprimenta assim que ele se aproxima.
SECRETARIA DA ESCOLINHA – Olá, senhor! Bom dia! Em que posso ajudá-lo?
ELIAS (Sorridente) – Olá, bom dia! Gostaria de saber se posso deixar o meu currículo me candidatando a uma vaga de professor?
SECRETARIA DA ESCOLINHA – É só deixar, senhor. Que eu vou encaminhar ao RH, qualquer coisa eles entram em contato com o senhor.
Elias retira o currículo da pasta que carregava e a entrega. Ele parece sem jeito, como quem estivesse nervoso. Ela mantém a postura e analisa o currículo dele com um breve olhar.
SECRETARIA DA ESCOLINHA – Muito bem, senhor Elias. Como disse, vou está encaminhando para o RH e depois eles entram em contato com o senhor, case precise.
ELIAS – Ok! Muito obrigado... Gostaria de fazer mais uma pergunta...
Ela apenas afirma positivamente com a cabeça.
ELIAS – Será que posso falar um minutinho com a minha filhinha?
SECRETARIA DA ESCOLINHA – Quem é a sua filha, senhor?
ELIAS – Rute da Hora. Sou o pai dela, Elias da Hora.
SECRETARIA DA ESCOLINHA – Só um momento, senhor. Vou falar com a direção da escola e já volto.
A secretaria saí. Elias se distrai olhando em a sua volta, onde tudo parecia tranqüilo. De repente a secretaria volta e anuncia;
SECRETARIA DA ESCOLINHA – Desculpe, senhor! Mas temos um comunicado por escrito da mãe da criança, que o senhor não poderá vê-la.
ELIAS (Exaltando) – Como assim! Durante praticamente um ano trago a minha filha e sempre a peguei quando quisesse e agora você vem me dizendo que eu não poderei ver a minha filha, nem um minuto sequer?
SECRETARIA DA ESCOLINHA – Desculpe, senhor! Mas ordens são ordens e eu não posso fazer nada.
ELIAS – Então aquela historia de que o RH estará avaliando o meu currículo e entrará em contato case preciso, é tudo conversinha fiada?
SECRETARIA DA ESCOLINHA - Senhor, eu não sou responsável pelo RH da escola. Mas se o senhor quiser, posso chamar a direção.
ELIAS – Não precisa, já entendi tudo. E por favor, devolve meu currículo, porque sei que ele vai parar no lixo.
Um pouco desajustada, ela saí da sala e volta logo em seguida com o currículo. Aparentando certo medo, entrega o currículo a ele. Elias guarda o currículo agradecendo ironicamente e saí. A secretaria permanece parada, olhando o distanciar dele um pouco aliviada.


  1. RUA DO CENTRO DA CIDADE

EXT. DIA.
Um carro aproxima-se de Elias lentamente que caminha por uma rua tranqüila do centro da cidade. O vidro do carro desce e lá dentro, vemos Rebeca na direção.
REBECA – Tentei falar com você, mas parece que a porcaria de seu celular não funciona.
ELIAS – Não mesmo. E não faço questão de ter outro tão cedo.
REBECA – Quero que saiba que já comuniquei meu advogado... Gostaria de saber de um endereço fixo onde pode ser enviado o comunicado da justiça sobre o dia que iremos ao Fórum para assinatura do divorcio.
ELIAS – Envie ao endereço do Ivan... E será muito interessante mesmo o desfecho judicial dessa história. Agora fui proibido até mesmo de ver a minha filha.
REBECA – Meu advogado fez esse pedido oficialmente a justiça. Afinal, você não é uma pessoa de boa índole.
Ela fecha o vidro do carro e acelera. Elias continua caminhando e não obstante passa em frente a uma igreja que possua em sua frente os seguintes dizeres: IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA.

Dias de culto:

Sábado; 09:00 ás 12:00 da manhã.

Domingo: 19:45 às 21:00

Quarta: 19:45 às 21:00.
Ele pára. Fica olhando o letreiro da igreja.


  1. IGREJA.

INT. NOITE.

Violonista e orquestra tocam de forma deslumbrante o hino “Ó vem Emanuel!, hino de número 140 do hinário adventista”. O primeiro tenor canta no mesmo deslumbre para uma igreja lotada.


CORTE PARA:

  1. IGREJA.

EXT. INT. NOITE.

O taxi para em frente à igreja. Elias salta com certa pressa. Lá dentro, a música está chegando ao final. Ouve-se a voz do pastor que assume o microfone.


PASTOR (Em off) – Louvado seja o Senhor nosso Deus pela belíssima mensagem musical...
Elias caminha em direção a igreja. Ainda é possível ouvir o Pr. dizer palavras de saudação e confraternização à igreja. Ao chegar à recepção, encontra-se com a Nora. Ela se emociona.
NORA (O abraça fortemente) – Meu filho! Que alegria vê-lo aqui. Saiba que orei muito por você.
ELIAS – Obrigado. Estou realmente precisando muito.
NORA- Entre, sente-se. Sinta-se em casa.
Elias ocupou um lugar entre os últimos bancos da igreja, sendo o único banco vazio. Lá no púlpito o pastor abre a bíblia e convida a igreja para a leitura.
PASTOR – Abramos as nossas Bíblias em Isaias cinqüenta e três, versículos seis e sete... Todos encontraram?
IGREJA (Juntos) - Amém!
PASTOR - Todos nos andávamos desgarrados como ovelha; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. Ele foi oprimido...
A câmara recua e sai pela porta da igreja. Distancia-se lentamente.
PASTOR (Em off) – E humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.
Acontece um FADE OUT.


  1. PENSÃO.

EXT. DIA.



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