Simpósio Nacional de História



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O declínio e o fim

No início da década de 1960, as atividades da ACN começaram a diminuir, perdendo 

um pouco de seu potencial mobilizador. Com a instauração da ditadura militar em 1964, o 

processo de desmobilização se acentuou e a crise financeira tornou-se insolúvel. Sem recursos 

para saudar as várias dívidas, a entidade foi obrigada a fechar suas portas em 1967. Quase 

dois anos depois, foi reaberta, mas sem o mesmo perfil e poder de articulação. Nessa nova 

fase,  a   ACN   foi   presidida   por   Gilcéria   Oliveira   e   passou   a   desenvolver   ações   de   cunho 

assistencialista,   com   cursos   de   alfabetização   e   madureza.   Continuaram   as   atividades 

desportivas   e   as   comemorações   do   13   de   Maio,   mas   sem   o   mesmo   vigor   e   espírito 

reivindicativo.

Do período de reabertura até a sua extinção, a ACN não mais emplacou. Seu quadro 

de   associados   ficou   bastante   reduzido.   Mantendo-se   precariamente,   ela   não   conseguiu 

promover   os   eventos   que   tradicionalmente   caracterizaram   a   entidade,   tampouco   as 

manifestações públicas em prol da valorização e integração do negro na sociedade brasileira. 

A   partir   dos   livros-caixa   e   das   correspondências,   pode-se   atestar   os   problemas 

financeiros enfrentados pela ACN desde sua reabertura. Em 1975, Gilcéria Oliveira notificou 

aos associados à mudança de sede da entidade e os motivos que a levaram a adotar tal medida: 

“lamentavelmente   tivemos   que   entregar   nossa   sede   [...]   pela   dificuldade   financeira   que 

estamos enfrentando e também pela falta de colaboração humana”. Em julho de 1976, por 

falta de “elemento humano e recursos financeiro”, a Associação Cultural do Negro encerrou 

suas atividades. Uma carta de sua presidente aos associados selava, definitivamente, o final de 

uma trajetória de luta:



Vimos   pela   presente,   comunicar-lhe   que   não   havendo   mais   condições   para  

continuarmos   os   trabalhos   na   Associação   Cultural   do   Negro   –   SP,   decidimos  

encerrar suas atividades, em caráter definitivo e irrevogável [...]. Lamentavelmente  

não vamos continuar porque não contamos com elemento humano e nem temos  

recurso financeiros.

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ANPUH – XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – São Leopoldo, 2007.




O fechamento em definitivo causou repercussão entre os membros da ACN. Um deles, 

José Mindlin, respondeu a carta de Gilcéria Oliveira para se pronunciar a respeito: “Prezada 

senhora [...] só posso dizer que lamento profundamente que os amigos tenham sido levados a 

uma tal decisão, pois a Associação vinha fazendo um trabalho extremamente útil e meritório”.






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