Simpósio Nacional de História



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Associação Nacional de História – ANPUH

XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA - 2007

Associação Cultural do Negro (1954-1976): um esboço histórico 

Petrônio Domingues

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Resumo

A proposta desta pesquisa é recuperar a experiência da Associação Cultural do Negro (ACN), 

entidade fundada em São Paulo, em 28 de dezembro de 1954. A ACN desenvolveu muitas 

ações de caráter recreativo e, principalmente, cultural (como bailes, festivais, apresentações 

teatrais, musicais, declamações poéticas, palestras). 

Palavras-chave: negros; relações raciais; movimento de consciência negra.

Abstract

This   research’s   objective   is   recovering   the  Associação   Cultural   do   Negro  (ACN)’s 

experience, entity founded in São Paulo, December 28, 1954. The ACN developed a lot of 

entertaining actions and, mainly, cultural ones (such as balls, festivals, theater and musical 

presentations, poetical declamations, lectures).

Keywords: black people, racial relationships; black consciousness movement.

Esta   pesquisa   ainda   está   em   curso   e   o   que   vai   ser   apresentado   aqui   não   é   nada 

conclusivo;   pelo   contrário,   são   questões   preliminares.   Elas   foram   formuladas   a   partir   da 

consulta   da   Coleção   Associação   Cultural   do   Negro   –   SP   (ACN),   mantida   pela   Unidade 

Especial de Informação e Memória – UEIM e vinculada ao Centro de Educação e Ciências 

Humanas da Universidade Federal de São Paulo (UFSCAR). A Coleção ACN reúne 4 280 

documentos   de   diversos   tipos   (textuais,   como   estatutos,   atas,   ofícios,   relatórios, 

correspondências, jornais alternativos, fichas, recortes; visuais, como fotos, folders; materiais 

especiais, como objetos tridimensionais), produzidos durante o período em que a organização 

esteve em atividade.



O início

Na noite de 28 de dezembro de 1954, reuniu-se num salão da Rua Augusta, na capital 

paulista, vinte   três  homens (Geraldo  Campos  de  Oliveira,   José  Correia  Leite,  José  Assis 

Barbosa, Américo dos Santos, entres outros) e duas mulheres (Maria Helena Lucas Barbosa e 

Mary de Oliveira). Todos eram “de cor”, como se dizia na época. A reunião foi presidida por 

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 Professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS); Doutor em História/USP.




Manassés de Oliveira e secretariada por Maria Helena Lucas Barbosa. Depois de uma ampla 

discussão,   foi  deliberada   a  fundação   de  uma  “entidade  destinada  a  congregar  as  pessoas 

interessadas no movimento de coordenação, esclarecimento, dentro do campo econômico, 

cultural, político e social, a base de arregimentação de famílias, que tivesse por finalidade 

fundamental a desmarginalização e recuperação social de todos os elementos que vivem em 

situação marginal, principalmente o negro”. 

Cabe aqui uma breve advertência. Embora tivesse sido lavrada na ata de fundação que 

a ACN tinha a perspectiva de atuar pela “recuperação social de todos os elementos que vivem 

em situação marginal”,  não foi isso o que aconteceu na prática social.  Ao longo de sua 

trajetória, ela caracterizou-se por ser uma organização em defesa dos direitos dos negros e não 

“de todos os elementos que vivem em situação marginal”.  

Um  dos  fundadores   da  ACN  chama  à   atenção,  José  Correia  Leite,   por  sua   longa 

trajetória de militância em prol da causa negra em São Paulo. Em 1924, ele e Jayme de Aguiar 

criaram O Clarim da Alvorada, um dos mais importantes jornais da chamada imprensa negra. 

No início da década de 1930, participou da articulação que resultou na fundação da Frente 

Negra Brasileira, considerada a mais importante entidade negra da primeira metade do século 

XX.  Porém, por divergências  político-ideológicas,  afastou-se dela  logo na  fase inicial.  A 

partir de então, contribuiu no soerguimento do Clube Negro de Cultural Social e, na década 

de 1940, na formação da Associação dos Negros Brasileiros. Portanto, Correia Leite era um 

militante experiente na década de 1950.

Na   reunião   de   fundação,   o   nome   Associação   Cultural   do   Negro   foi   aceito   por 

unanimidade, pois se acreditava estar na educação, na cultura e na preservação da memória do 

negro o caminho para valorização e conquista da cidadania desse segmento populacional. Em 

1956,   João   Vicente   Ferreira   propôs   que   o   nome   da   entidade   mudasse   para   Associação 

Cultural Theodoro Sampaio. Depois de uma ampla discussão, a proposta foi rejeitada, sob a 

alegação de que Theodoro Sampaio era um nome desconhecido entre os ‘afro-brasileiros’.

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