Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
O cogito
Descartes estava convencido de ter descoberto pelo menos
uma crença cuja justificação não depende de quaisquer
outras crenças: a crença de que ele mesmo existe. Na gíria
académica chama-se «cogito cartesiano» a esta crença,
devido à expressão latina cogito, ergo sum («penso, logo
existo»), e ao nome latino de Descartes: «Renatus
Cartesius».
O raciocínio de Descartes é que mesmo sob a
extravagante suposição de que um génio maligno me
engana sistematicamente, ele não pode enganar-me se eu
não existir:
«Mas há um [génio] enganador, não sei qual,
sumamente poderoso, sumamente astuto, que me
engana sempre com o seu engenho. No entanto, não
há dúvida de que também existo, se me engana; que
me engane quanto possa, nunca conseguirá que eu
seja nada enquanto eu pensar que sou alguma coisa.
De maneira que, depois de ter pesado e repesado
muito bem tudo isto, se deve por último concluir que
esta proposição Eu sou, eu existo, sempre que
proferida por mim ou concebida pelo espírito, é
necessariamente verdadeira». (Meditações sobre a
Filosofia Primeirap. 119)
Sempre que creio ver árvores, talvez não existam árvores
na realidade; talvez sempre que me lembro de algo se trate
de uma falsa memória; talvez quando sinto e vejo ter um
corpo com certas características esteja iludido — quem sabe
se, de facto, me pareço com lagartixas ou besouros, e não
com um símio sem pêlos?


Talvez tudo isso ocorra, pensa Descartes, se a hipótese
do génio maligno for verdadeira. Mas para que todas essas
ilusões possam existir, para que o génio maligno me possa
enganar, é preciso que eu exista.
A crença de que existo não pode ser falsa em qualquer
das circunstâncias em que pondero se existo ou não — ou
em que pondero seja o que for. Claro que há muitas
circunstâncias possíveis, mas não realizadas, em que não
existo — circunstâncias em que os meus pais nunca se
conheceram, por exemplo. Mas em nenhuma dessas
circunstâncias me posso perguntar se existo ou não. Insistir
que talvez eu não exista na circunstância em que pondero
se existo seria uma contradição pragmática: como alguém
que grita «Não estou a gritar!»



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