Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer


Crença e justificação última



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Crença e justificação última
Uma crença não é o mesmo que uma crença religiosa. Todas
as crenças religiosas são obviamente crenças, mas muitas
crenças não são religiosas: são crenças matemáticas,
científicas, históricas ou de senso comum. O leitor tem a
crença de que está lendo este livro e de que Espanha é
maior do que Portugal. Uma crença é apenas uma
representação, verdadeira ou falsa, que alguém faz de algo.
Por sua vez, a justificação última é aquele tipo de
justificação que não depende de qualquer outra. A maneira
mais simples de o leitor entender esta ideia é dar-se conta
de que a crença que tem de que está lendo este livro
depende da sua crença de que as percepções visuais e
tácteis, em circunstâncias perceptivas normais que ainda
falta especificar, são fidedignas. Mas então a sua crença de
que está lendo este livro depende de duas crenças:
primeiro, do princípio geral de que em circunstâncias
perceptivas normais as percepções são fidedignas; segundo,
da crença de que a circunstância em que está lendo este
livro é uma dessas circunstâncias perceptivas normais — o
leitor não está, por exemplo, sonhando.
Como vê, a justificação da sua simples crença de que
está lendo este livro depende da justificação de outras duas
crenças — ambas algo exóticas. Por outras palavras, dizer
apenas «sei que estou lendo um livro porque é isso que vejo
e sinto» não é uma justificação última. É uma justificação, e
não é de modo algum uma má justificação, mas não é uma
justificação última — porque depende de outras crenças
que, por sua vez, precisam também de ser justificadas.
Se lhe ocorre agora que ao raciocinar dessa maneira
nunca conseguiremos parar porque nunca descobriremos
justificações últimas, já está pensando filosoficamente. Só
que ainda não considerou cuidadosamente se realmente


não descobriríamos tais justificações. O melhor a fazer é
então responder a esse desafio e tentar descobri-las. Foi o
que fez Descartes.



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