Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Conclusão
O estudo do que parece uma minúcia sensaborona poderá
ser encarado como um academismo doentio, visto que a
linguagem é muito mais complexa e interessante do que
isto.
Sem dúvida que muitas vezes os investigadores — sejam
filósofos, cientistas ou historiadores — se perdem em
minúcias irrelevantes. Contudo, nem todas as minúcias são
irrelevantes: a queda dos corpos é muitíssimo menos
excitante do que o Big Bang, mas o estudo proficiente do
segundo depende crucialmente dos resultados alcançados
no estudo do primeiro. O mesmo acontece no caso da
linguagem: queremos compreender os seus aspectos mais
profundos, mas dificilmente o conseguiremos se formos
incapazes de explicar uma coisa tão elementar como a
referência dos nomes próprios.
A história da investigação mostra que o estudo
cuidadoso de minúcias pode ser bastante mais
enriquecedor, 
pela 
compreensão 
aprofundada 
que
proporciona, 
do 
que 
discursos 
sedutores 
sobre
generalidades vácuas. É entre o excesso das minúcias
irrelevantes e o defeito das generalidades vácuas que está
o meio-termo da investigação virtuosa das coisas.


CAPÍTULO 7


M
MAIOR DO QUE O QUAL NADA
PODE SER PENSADO
uitos viajantes se cruzaram certamente com ele, sem
fazer ideia da importância que viria a ter na filosofia
europeia. Nascido em 1033, abandonou a casa do pai, com
quem nunca se deu bem, depois da morte da mãe. E foi
assim que em 1056, com apenas vinte e três anos, Anselmo
— mais tarde Bispo da Cantuária, canonizado em 1163 — se
entregou a uma viagem de mais de setecentos quilómetros,
de Aosta, na sua Itália natal, em direcção à actual França.
O seu objectivo era algo indefinido, o que não é invulgar
quando se tem a sua idade: oscilava entre a atracção que
sentia pela vida monástica e por uma carreira intelectual.
Mas as duas opções não eram incompatíveis: no seu tempo,
uma parte importante da vida intelectual ocorria sob a
protecção dos muros dos mosteiros, com as suas ricas
bibliotecas. E era no mosteiro beneditino de Bec, na
Normandia, que estava o italiano Lanfranc (1005-1089),
famoso pela sua sapiência e ensino, de quem Anselmo
pretendia receber instrução. Pôs, por isso, pés a caminho
em direcção a Bec e a Lanfranc.



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