Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
John Stuart Mill
No séc. XIX, John Stuart Mill defendeu que os nomes
próprios são meras etiquetas, não referindo por meio de
descrições:
«Os nomes próprios […] denotam os indivíduos que se
chamam desse modo; mas não indicam ou implicam
quaisquer atributos que pertençam a tais indivíduos.
Quando damos o nome «Paulo» a uma criança, ou a
um cão o nome «César», estes nomes são apenas
marcas que usamos para permitir que tais indivíduos
possam ser objecto do nosso discurso». (Sistema de
Lógica, Livro I, Cap. 
II
, § 5)
Porém, há casos em que os nomes próprios parecem
descrever atributos. Usando o exemplo de Mill, «Dartmouth»
parece descrever algo que fica na foz (mouth, em inglês) do
rio Dart. Talvez fosse devido a casos deste género que
Crátilo argumentava que os nomes captavam a natureza
das coisas, não sendo puramente convencionais. Mas Mill
tem um argumento contra esta ideia:
«Pode-se dizer, efectivamente, que tivemos de ter
uma razão para lhes dar aqueles nomes em vez de
outros; e isto é verdadeiro; mas o nome, uma vez
atribuído, é independente da razão. […] Uma cidade
pode chamar-se «Dartmouth» por estar situada na foz
do Dart. Mas não faz parte do significado do nome
«Dartmouth» […] que esteja situada na foz do Dart.
Caso a foz do rio fique assoreada, ou um terramoto
mude o seu percurso, afastando-o da cidade, o nome
da cidade não mudaria necessariamente». (Sistema
de Lógica, Livro I, Cap. 
II
, § 5)


Mill defende que podemos dissociar as duas coisas: a
razão que nos fez dar um certo nome a algo, e o que faz
esse nome referir o que refere. O que faz o nome referir o
que refere é independente das razões que eventualmente
presidiram à escolha desse nome. Essas razões podem,
efectivamente, estar associadas ao que é descrito pelas
palavras que constituem o nome. Acontece apenas que não
é essa descrição a responsável por esse nome referir o que
refere. Afinal, o nome «Organização das Nações Unidas»,
por exemplo, refere perfeitamente bem uma instituição na
qual as nações não estão de modo algum unidas.



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