Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer



Baixar 0.78 Mb.
Pdf preview
Página34/56
Encontro14.07.2022
Tamanho0.78 Mb.
#24256
1   ...   30   31   32   33   34   35   36   37   ...   56
Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Conclusão
Os filósofos empiristas são muitíssimo convincentes na sua
defesa da ideia de que só a posteriori podemos ter
conhecimento da realidade física. Por outro lado, sobretudo
face aos desenvolvimentos científicos actuais, os
racionalistas parecem ter razão ao insistir que a
matemática, apesar de ser conhecível a priori, nos fornece
conhecimento sobre a realidade física. Com o sintético a
priori, Kant tentou conciliar os dois pontos de vista. Ainda
que a sua tentativa não tenha sido inteiramente bem-
sucedida, é um bom exemplo do género de trabalho
sofisticado que fazem os filósofos para tentar compreender
melhor aspectos fundamentais da realidade e da nossa
representação dela.
1
Agradeço a um leitor anónimo a correcção de uma versão anterior desta
passagem.


CAPÍTULO 6


Q
UMA ROSA COM OUTRO NOME
ue coisa mais desinteressante e óbvia poderá haver
do que a queda de objectos? No entanto, descobrir
como ocorre exactamente e porquê foi crucial para o
desenvolvimento da física contemporânea — que, por sua
vez, nos deu uma compreensão muitíssimo mais profunda
da realidade do que alguma vez tivemos. Analogamente,
saber como o nome próprio «Heraclito» refere Heraclito e
porquê poderá parecer insípido, mas é crucial para uma
compreensão mais profunda da linguagem.
Considere-se como é estranho que o leitor consiga referir
Heraclito usando um mero som — que aparentemente não
descreve coisa alguma. O leitor refere facilmente uma certa
pessoa que morreu por volta de 480 a.C., muito antes do
seu nascimento — mas como? Se passasse amanhã por ele
na rua não o reconheceria; não o refere, pois, por conseguir
identificá-lo se o vir.
Além disso, o nome «Heraclito» não parece referir
Heraclito à custa de quaisquer atributos que este tenha e
aquele indique. O nome não parece descrever coisa alguma,
contrastando com termos como «verde». Neste último caso,
a referência depende do facto de as coisas verdes serem
verdes. Mas Heraclito não é um heraclito. Apenas usamos
esse nome para o referir. Mas como fazemos tal coisa?
O filósofo e matemático alemão Gottlob Frege não
considerava certamente que a referência dos nomes


próprios era coisa de somenos importância. Os seus estudos
na área viriam a exercer uma influência tal na história da
filosofia do séc. XX que só a partir da década de setenta
algumas das suas ideias foram seriamente postas em
causa.
Modesto professor de matemática na Universidade de
Iena, o seu trabalho nunca foi reconhecido pelos seus
colegas. Uma excepção foi Bertrand Russell, que o
reconheceu desde cedo. Mas quando este o convidou para
um congresso em Cambridge, que decorreria em 1912,
Frege rejeitou o convite, talvez por estar deprimido com o
facto de os seus colegas ignorarem o seu trabalho.
Juntamente com Russell e outros, Frege foi um dos
fundadores de uma das lógicas modernas, a que chamamos
clássica — apesar de, como a física clássica, não ter sido
feita na Antiguidade. As suas investigações versavam
principalmente sobre a fundamentação da aritmética —
como Russell, defendia que o fundamento das verdades da
aritmética era a lógica. Contudo, as suas investigações
conduziram-no a reflexões importantes para lá dessa área
restrita, abrangendo aspectos cruciais da filosofia da
linguagem.



Baixar 0.78 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   30   31   32   33   34   35   36   37   ...   56




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal