Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer


CAPÍTULO 1 E PENSO, LOGO EXISTO



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
CAPÍTULO 1


E
PENSO, LOGO EXISTO
stamos em 1637. Há escassos quatro anos, Galileu
Galilei (1564-1642), professor de Matemática na
Universidade de Pisa, foi condenado a prisão domiciliária
pelo Santo Ofício da Igreja Católica Apostólica Romana —
depois de ser obrigado a abjurar do suposto pecado de
declarar cientificamente mais adequado o modelo de
sistema solar proposto pelo polaco Nicolau Copérnico (1473-
1543), no qual a Terra orbita em torno do Sol e não o
inverso. Passaram entretanto quarenta e cinco anos da
pérfida denúncia de Giovanni Mocenigo, que acusou de
heresia o seu professor, o astrónomo italiano Giordano
Bruno (1548-1600), que por isso foi condenado pelo Santo
Ofício à horrível e dificilmente imaginável morte na
fogueira.
cento e vinte anos, no dia 31 de Outubro de 1517,
Martinho Lutero (1483-1546) pôs em marcha a segunda
grande cisão cristã. Segundo a história contada por Filipe
Melâncton, provavelmente apócrifa, Lutero depositou nesse
dia as suas noventa e cinco teses à porta da Igreja do
Castelo, em Wittenberg, na Alemanha. Lutero criticava não
apenas algumas ideias teológicas, mas também o que via
como a corrupção das práticas da igreja católica. Para a
cisão terá contribuído o estudo cuidadoso da Bíblia, usando
recursos históricos e linguísticos, posto em prática pelo
holandês Desidério Erasmo (1469-1536), seguido por outro


holandês, mas de origem portuguesa: o filósofo Bento de
Espinosa (1632-1677).
Assim, em 1637 o clima cultural europeu era a um tempo
opressivo e estimulante. Opressivo, porque nunca se sabia
bem, ao publicar um livro ou artigo, se isso seria
considerado herético pelas autoridades religiosas. Mas
também estimulante, porque novas e promissoras ideias
científicas, matemáticas e filosóficas, eram propostas e
discutidas. E foi nesse ano que o filósofo e matemático
francês René Descartes (1596-1650) publicou um tratado
constituído por três estudos científicos (dióptrica,
meteorologia e geometria), antecedidos por uma introdução
filosófica cujo título completo é Discurso do Método de Bem
Conduzir a Razão e Procurar a Verdade nas Ciências. Este
tratado foi publicado em francês, e não em latim, a língua
académica europeia dessa época, porque Descartes queria
ser lido não apenas por universitários, mas também por
outros intelectuais que, como ele, não tinham lugar nas
universidades.
Católico convicto, Descartes foi um dos grandes
inovadores do seu tempo em matemática e filosofia, e ainda
hoje as suas contribuições são, num e noutro caso, actuais.
São dele as palavras «Penso, logo existo»:
«E notando que esta verdade: penso, logo existo, era
tão firme e tão certa que todas as extravagantes
suposições dos cépticos não eram capazes de a
abalar, julguei que a podia aceitar, sem escrúpulo,
para primeiro princípio da filosofia que procurava».
(Discurso do Método, p. 50)
Mas que quer isto dizer e por que razão algo que parece
banal tem sequer importância? O que está em causa?



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