Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Conclusão
Um utilitarista não terá dificuldade em argumentar que a
justificação contratualista do estado está longe de ser
última, ainda que seja adequada. Não é última porque
depende inteiramente das consequências: é porque
viveríamos supostamente pior sem estado que se justifica a
sua existência. Apesar disso, podemos concordar que a
abordagem contratualista explica a racionalidade do
pensamento moral e permite compreender a justificação do
estado.
No caso do problema das mãos sujas, o pensamento
contratualista parece militar fortemente a favor da
estratégia transparente de pagar na mesma moeda, dando-
nos razões poderosas para abandonar o maquiavelismo.
Contudo, no caso da distribuição da riqueza, o
argumento contratualista a favor da sociedade igualitária
não tem o mesmo grau de persuasão. Parece defensável
que a riqueza de cada um a cada um pertence e que,
apesar de ser louvável que os mais ricos ajudem os mais
pobres, tal como é louvável que sejamos simpáticos com os
nossos vizinhos, isso não é de modo algum obrigatório —
pelo que é ilegítimo torná-lo obrigatório recorrendo aos
impostos.


CAPÍTULO 5


E
O DESPERTAR DO SONO
DOGMÁTICO
stamos em 1783. Passaram apenas oitenta e três anos
desde a fundação da Academia Prussiana das Ciências,
cujo primeiro presidente foi Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-
1716). Na Prússia, Frederico I (1657-1713) criara as
condições para transformá-la numa das mais importantes
potências económicas, militares e culturais europeias. A
língua alemã, que no tempo de Leibniz ainda não era vista
como uma língua da filosofia — razão pela qual este filósofo
escrevia sobretudo em francês e latim — rapidamente se
estabeleceu como uma das mais importantes da Europa: o
filósofo, matemático e cientista Christian Wolff (1679-1754)
foi um dos seus instigadores, escrevendo vários tratados em
alemão, o que contribuiu para estabelecer a solidez
filosófica da sua língua.
1
Assim, quando, depois de vários anos de silêncio
editorial, Kant escreveu em alemão a sua obra-prima, a
Crítica da Razão Pura, esta língua era já vista como um
veículo de cultura filosófica. A Crítica viria a ter uma
influência tal que mesmo quem a não leu, ou leu sem
entender, tende a admirá-la como um monumento do
intelecto humano. A sua recepção, contudo, não foi
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