Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Conclusão
Talvez seja possível fazer em ética teorias que determinem
satisfatoriamente, em cada caso, o que é correcto fazer. Até
hoje, parece que não se conseguiu tal coisa — mas talvez
surja entretanto uma teoria que consiga fazê-lo. Enquanto
esperamos, é avisado levar a sério a hipótese de Aristóteles
de que a realidade é demasiado complexa para que isso
seja possível. E nada se perde em apostar na educação
moral.
A educação moral genuína, contudo, não é o que os
políticos têm em mente quando pensam em transmitir, por
exemplo, «valores ecológicos» às crianças, ou quando
pensam na «educação para a cidadania». Este género de
educação é doutrinação, e não educação moral. A genuína
educação moral é ensinar a raciocinar em termos de fins e
meios, a ponderar razões e a justificar correctamente o que
valorizamos — em suma, ensinar a pensar eticamente, e
não ensinar a repetir slogans ecológicos, igualitários,
nacionalistas, multiculturalistas ou outros.


CAPÍTULO 4


E
A GUERRA DE TODOS CONTRA
TODOS
stamos em 1971. A guerra fria entre os EUA e o bloco
soviético conduzira, dois anos antes, em 20 de Julho de
1969, Neil Armstrong e Buzz Aldrin à Lua — e seis anos
antes, em 1965, ao envolvimento activo dos EUA na guerra
do Vietname, que começara em 1955. Foi também em 1969
que Sir Isaiah Berlin (1909-1997) publicou Quatro Ensaios
sobre a Liberdade, introduzindo a importante distinção entre
liberdade positiva e liberdade negativa, e argumentando
que é em nome do primeiro tipo de liberdade, ainda que
distorcida, que os regimes opressores pretendem justificar
os seus ultrajes.
Há apenas um ano, em 1970, Bertrand Russell, filósofo,
matemático, prémio Nobel da Literatura em 1950 e
activista, morrera com a provecta idade de noventa e oito
anos — depois de ter ajudado a mudar drasticamente a
filosofia do séc. XX, juntamente com G. E. Moore (1873-
1958), Gottlob Frege (1848-1925) e Ludwig Wittgenstein
(1889-1951). Foi nesse mesmo ano que Saul Kripke, com
apenas trinta anos, proferiu as famosas palestras de
Princeton, «Nomear e Necessidade», formulando fortíssimas
objecções a algumas ideias de Russell e Frege — e
introduzindo uma revolução filosófica que só mais tarde
começará a tornar-se evidente. Porque Kripke não escreveu
as palestras, limitando-se a falar com comovente precisão,
foi necessário transcrevê-las a partir da sua gravação. Uma


das pessoas que fez esse trabalho foi o filósofo Thomas
Nagel (n. 1937). Dois anos depois, em 1972, Nagel publicou
o artigo «Guerra e Massacre», que começa com a seguinte
frase:
«Da reacção apática às atrocidades cometidas no
Vietname pelos Estados Unidos e seus aliados,
podemos concluir que as restrições morais à conduta
na guerra inspiram quase tão pouca simpatia entre o
grande público quanto a de que gozam entre quem
tem a responsabilidade de dar forma à política militar
norte-americana».
Este artigo foi publicado na revista académica Philosophy
& Public Affairs, fundada em 1971 especificamente para que
matérias de interesse público sejam investigadas e
discutidas pelos filósofos. E é nesse mesmo ano que John
Rawls (1921-2002), orientador de doutoramento de Nagel,
publicou o livro que mais contribuiu para revitalizar a
filosofia política: Uma Teoria da Justiça.



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