Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
CONTENTS
Prefácio
1. 
Penso, logo existo
2. 
Só sei que nada sei
3. 
No meio é que está a virtude
4. 
A guerra de todos contra todos
5. 
O despertar do sono dogmático
6. 
Uma rosa com outro nome
7. 
Maior do que o qual nada pode ser pensado
Conclusão
Sugestões de leitura
Sobre o autor


PREFÁCIO
A filosofia é uma área de estudos vastíssima, com uma
produção bibliográfica ímpar em sofisticação e quase
ininterrupta desde o séc. V a.C. No séc. XX, sobretudo
depois da segunda guerra mundial, a filosofia conheceu um
incremento muitíssimo acentuado, não apenas na
quantidade, mas também na qualidade, precisão e
sofisticação dos trabalhos publicados; ao mesmo tempo,
expandiu-se imenso, incluindo mais e mais áreas
especializadas de territórios cada vez mais díspares —
filosofia da economia, da religião e da arte, epistemologia
da fé e do testemunho, filosofia da física e da biologia, ética
aplicada e filosofia política, lógica filosófica, filosofia da
linguagem e metafísica da modalidade (que estuda os
modos da verdade: a contingência, a necessidade e a
possibilidade).
Apresentar a filosofia ao grande público, em poucas
páginas e sem a caricaturar, é um desafio considerável. A
solução encontrada foi escolher apenas algumas áreas e
apresentá-las com o pormenor suficiente para o leitor as
poder ver a uma luz favorável e pensar um pouco por si. Se
esse trabalho foi bem feito, o leitor sentir-se-á encorajado a
conhecê-las melhor, e a reflectir mais profundamente,
deitando mão das sugestões de leitura no final do livro.
No meu livro anterior, Filosofia em Directo (Fundação
Francisco Manuel dos Santos, 2011), resolvi não incluir


quaisquer referências históricas; neste, pelo contrário, fiz
questão de as incluir. Em ambos, contudo, viso mostrar que
o cerne da filosofia é a discussão paciente, criativa e
rigorosa de problemas que só filosoficamente podem ser
fecundamente abordados.
A ordem dos capítulos não obedeceu à cronologia, mas
antes ao grau de abstracção dos temas abordados. Assim,
começamos com Descartes, recuamos a Sócrates,
avançamos para Aristóteles, saltamos para o séc. XX,
recuamos a Kant e ao séc. XVIII e terminamos no séc. XI,
com Anselmo.
Os primeiros dois capítulos ajudam a esclarecer a
natureza da filosofia e põem em causa algumas
incompreensões comuns. Os dois capítulos seguintes
abordam temas cuja importância é óbvia para qualquer
leitor. Depois, os capítulos tornam-se progressivamente
mais exigentes, quer pelo grau de abstracção do que está
em causa, quer pela sofisticação do raciocínio envolvido.
Esta organização cronológica tem a vantagem de
contrariar uma leitura comum da história da filosofia, em
que se pensa que Kant superou ou ultrapassou Aristóteles,
sendo Kant por sua vez superado por Quine, por exemplo.
Deste ponto de vista, a história da filosofia é uma sucessão
de resultados definitivos, à imagem da história da ciência —
ou do que se pensa, algo superficialmente, que é a história
da ciência.
Ora, a história da filosofia não é assim. Isto porque não
temos em filosofia o género de resultados consensuais que
temos na ciência. A filosofia é fundamentalmente
especulação sistemática e rigorosa, e não apresentação de
resultados consensuais. Foi por essa razão que Kant
defendeu que não se pode aprender filosofia como se
aprende física. Se aprender física for uma questão de
aprender os resultados consensuais desta área, então não
podemos aprender filosofia como aprendemos física, porque
não há em filosofia resultados consensuais; mas podemos


aprender a fazer filosofia. Este livro é um primeiro passo
nessa direcção.
Agradeço a Jorge Reis-Sá a ideia para escrever este livro,
e à Bizâncio a disponibilidade para a sua publicação. A Iago
Bozza Francisco, Matheus Silva Martins, Luiz Helvécio
Marques Segundo, Faustino Vaz, José Carlos Soares, Artur
Polónio, Sagid Salles Ferreira, Rodrigo Alexandre de
Figueiredo, Aires Almeida e Sérgio R. N. Miranda agradeço a
leitura atenta, as objecções e as sugestões, que me
permitiram melhorar sobremaneira uma primeira versão do
texto.
A Rolando Almeida, além da leitura e dos comentários,
agradeço também a preciosa ajuda com as traduções
portuguesas citadas, que em dois casos foram ligeiramente
adaptadas, para benefício sobretudo dos leitores mais
jovens. Agradeço ainda, e muito, os comentários e
sugestões de Teresa Mouzinho, que me permitiram
introduzir inúmeras alterações que esclarecem, espero, as
perplexidades do leitor comum.
Tenho uma dívida de gratidão mais geral para com a
Universidade Federal de Ouro Preto e o seu Departamento
de Filosofia, que me têm proporcionado um excelente
ambiente para estudar e escrever, e onde é um privilégio
ser professor. Espero não desmerecer a maravilhosa
oportunidade que me é dada todos os dias por este
departamento desta universidade e nesta cidade.
D
ESIDÉRIO
M
URCHO
Ouro Preto, 14 de Agosto de 2011



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