Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Bem último
A análise preliminar do bem mostra que valorizamos várias
coisas, e que, para as valorizamos reflectidamente, é crucial
considerar a função e a excelência. Mas é óbvio que
valorizamos algumas coisas porque são meramente
instrumentais, ao passo que outras valorizamos por si
mesmas. É natural pensar que pelo menos uma coisa, ou
várias, será valorizada por si mesma. Se isso existir, será o
bem último, o bem em função do qual os outros existem:
«Assim, se o que fazemos tem algum fim que
queremos por si e se tudo o mais que queremos é
devido a esse fim; e se não escolhemos tudo devido a
outra coisa (porque isto levaria a uma sequência
infinita, tornando os nossos desejos infrutíferos e
vãos), então é claro que isto será o bem, na verdade,
o bem principal». (Ética Nicomaqueia, 1094a)
Procurar o bem último é fazer dois géneros de coisas.
Primeiro, partimos do que, ponderadamente, valorizamos;
depois, reflectimos cuidadosamente para saber, em cada
caso, se o valorizamos por si ou devido a outra coisa. O
dinheiro, por exemplo, só irreflectidamente poderá ser
valorizado por si; uma pessoa reflectida valorizará o
dinheiro apenas instrumentalmente, porque permite obter
outras coisas que valorizamos.
Um bem é meramente instrumental quando é valorizado
exclusivamente por ser um meio para outra coisa que
valorizamos. Mas um bem pode ser instrumental sem ser
meramente instrumental, como é o caso da saúde: uma
pessoa reflectida valoriza-a por ser importante para uma
vida feliz, mas também a valoriza por si.


Se houver um bem que nunca seja sequer instrumental,
será o mais importante bem — o alvo de todas as nossas
valorizações. E ainda sem saber o que é tal bem, ou sequer
se existe, podemos ver que, a existir, será completo, no
sentido de nada nos faltar se o tivermos. Ora, a felicidade é
algo que não valorizamos instrumentalmente e que, se a
tivermos, nada nos falta; Aristóteles conclui que a felicidade
é o bem último que procurávamos:
«A felicidade, em particular, é considerada completa
sem restrições, pois escolhemo-la sempre por si e
nunca devido a outra coisa». (Ética Nicomaqueia,
1097a-b)



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