Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer


Crença verdadeira justificada



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Crença verdadeira justificada
Há pelo menos duas perguntas cruciais a fazer perante
alguém que afirme só saber que nada sabe. A primeira diz
respeito à sua coerência. Não será incoerente afirmar que
sabe que nada sabe? Afinal, sabe algo ou não?
A segunda diz respeito não à sua coerência mas à sua
possibilidade. Será possível alguém saber apenas que nada
sabe? Claro que se for incoerente saber que nada se sabe,
será também impossível saber apenas que nada se sabe.
Mas mesmo que seja coerente afirmar tal coisa, poderá ser
impossível saber apenas que nada sabemos.
É uma boa ideia começar por clarificar o conceito de
conhecimento, ou saber. Quem o fez pela primeira vez foi,
precisamente, Platão, na obra Teeteto.
É razoável defender que há três condições necessárias
para que algo seja conhecimento. Contudo, no diálogo
Teeteto, Platão rejeita que estas sejam também condições
suficientes, defendendo que há casos em que as três
condições se verificam mas não há conhecimento.
De qualquer modo, mesmo que as três condições
seguintes 
não 
sejam 
suficientes 
para 
que 
haja
conhecimento, é razoável pensar que são necessárias.
Essas condições são as seguintes: se algo for conhecimento,
então 1) é uma crença (ou seja, uma representação
verdadeira ou falsa que alguém tem de algo), 2) essa
crença é verdadeira, e 3) essa crença verdadeira está
justificada. Mas o que quer isto dizer?
Considere o leitor a sua crença de que Sócrates era
ateniense. Esta crença pode ser verdadeira ou falsa.
Imaginemos que é falsa. Nesse caso, Sócrates não era
ateniense e, por isso mesmo, o leitor não pode saber que
ele era ateniense — pode é crer erradamente que o sabe.


Imaginemos agora que a crença é verdadeira. Nesse
caso, Sócrates era realmente ateniense. Mas isso não basta
para que o leitor o saiba; pois se a sua crença for verdadeira
por mero acaso, como quem acerta no totoloto, não é
razoável dizer que o leitor sabia genuinamente que Sócrates
era ateniense: apenas tinha essa convicção, algo à toa, e
por sorte acertou na verdade.
Assim, para que a sua crença de que Sócrates era
ateniense constitua conhecimento é preciso que, além de
ser verdadeira, esteja justificada. Neste caso, a justificação
é que o leu nos livros, por exemplo. Certamente que esta
justificação não é última — depende de outras justificações
— mas é razoável.



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