Sete Ideias Filosóficas: Que Toda a Gente Deveria Conhecer



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Cepticismo
Quem defende que as nossas crenças — em qualquer área
ou apenas em algumas — não têm justificação adequada,
tem a designação de «céptico». Este termo é infelizmente
ambíguo, hoje em dia.
Originalmente, o termo grego que é a sua raiz significava
apenas «investigador», o que está em harmonia com as
ideias defendidas por Pirro (c. 360-272 a.C.), natural da
cidade de Élis, o fundador da tradição céptica grega. Não
temos qualquer obra de Pirro; conhecemos as suas supostas
ideias pela obra de Sexto Empírico (c. 150-225), que
escreveu quase quatrocentos anos depois dele. Ora, nos
textos de Sexto, surge muitas vezes a ideia de que os
cépticos, ao contrário dos filósofos que julgam ter já
encontrado 

verdade, 
estão 
ainda 
procurando,
investigando. Daí o significado do termo grego original.
Contudo, o termo «cepticismo» passou depois a ser
usado não no sentido de alguém que investiga, mas antes
de alguém que paralisa a investigação precisamente na
medida em que põe tudo em causa — quer numa dada área
apenas, quer em todas. O termo «cepticismo» passou
assim, em filosofia, a significar a paralisia da investigação, e
não a atitude de investigar.
Não sabemos bem até que ponto Sócrates era um
céptico. Platão não parece tê-lo sido, e Aristóteles
certamente não o era. Mas a escola de filosofia fundada por
Platão, conhecida como «Academia» — daí o termo ainda
hoje usado para falar de universidades — acabou por
adoptar o cepticismo, para melhor reflectir a suposta
atitude original de Sócrates. De modo que «académico» foi,
durante muito tempo, sinónimo de «céptico» — significado
que voltou a perder mais tarde. O livro Contra os
Académicos, do filósofo e teólogo númida Agostinho de


Hipona (354-430), é precisamente uma discussão do
cepticismo; e o filósofo e historiador escocês David Hume
(1711-1776) deu à Secção XII do seu livro Investigação
sobre o Entendimento Humano o título «Da Filosofia
Académica ou Céptica», indicando a palavra «ou» duas
designações alternativas da mesma coisa.
O termo «céptico» é hoje usado em alguns contextos no
sentido grego original de alguém que está investigando,
procurando provas e rejeitando ideias inadequadamente
justificadas ou sem justificação. Isto provoca alguma
confusão porque, em filosofia, desde há séculos que se usa
o termo no sentido de alguém que paralisa a investigação e
rejeita o empreendimento humano da teorização cuidadosa
e sistemática.



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