Sensibilidade absurda


SíSIFO E A  PERCEPÇÃO DA REALIDADE TRÁGICA PELA SENSIBILIDADE ABSURDA



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SíSIFO E A  PERCEPÇÃO DA REALIDADE TRÁGICA PELA SENSIBILIDADE ABSURDA 

 

Revista Eletrônica Literatura e Autoritarismo: A opressão na ficcionalização da história 



– ISSN 1679-849X 

         



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http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/LA/index 

 

 

ou mesmo a perfeição que se imaginava. A intenção de Camus não é aliviar a 



humanidade  do  peso  dessa  existência  apontada  como  absurda,  mas  sim 

encorajar  a  desistir  da  busca  por  evidência  de  razoabilidade  no  mundo.  É 

preciso  permanecer  estrangeiro,  fixando-se  no  campo  do  possível, 

abandonando  as  premissas  da  razão  iluminista  que,  segundo  a Teoria  Crítica 

da Sociedade, teria alienado o homem de sua própria condição.

 

 O  raciocínio  absurdo  conduz  à  compreensão  de  que  todo  o  ser  está 



condenado  a  não  completar  nada,  a  realidade  é  portanto  sem  sentido.  Sísifo 

desprezou  os  deuses,  odiou  à  Morte.  Em  suma,  o  personagem  viveu  sua 

paixão pela vida,  embora esse gesto lhe tenha valido a condenação eterna. A 

sua  postura  diante  da  existência  lhe  rende  o  alcunho  de  herói  absurdo,  uma 

vez que amou as coisas terrenas e desprezou o poder dos deuses.

 

A mais urgente das respostas, segundo Camus, é aquela que responde 



ao  questionamento  sobre  o  sentido  da  vida.  Tal  questionamento  adentra  a 

consciência  quando  o  homem  descobre-se  um  instante  fugaz  que  perambula 

entre  os  escombros  de  um  passado  e  as  incertezas  de  um  futuro.  Enquanto 

que a visão linear da história e a crença em Deus,  como origem e destino do 

homem permaneciam inabaláveis, acreditava-se na continuação da vida após a 

morte, nisso encontrava-se o alento para o viver. No entanto, agora, no silêncio 

do coração humano a milenar certeza estava minada e ao olhar para frente, ao 

refletir  a  humanidade  deparava-se  com  um  abismo,  em  suma  enxergava  o 

crepúsculo  derradeiro  de  seu  existir  no  mundo.  As  palavras  de  Camus 

enfatizam que o começar a pensar é começar a ser minado. 

A  condenação  das  antigas  certezas  coincidia  com  a  condenação  do 

homem para o qual a sentença era a liberdade. Uma liberdade que permitia ser 

Deus, não o Deus metafísico, mas ser livre sobre esta terra, sem servir um ser 

imortal onisciente e onipresente. Entretanto, a liberdade traz implicações, uma 

delas  é  a angústia,  tal  sentimento  se  instala  quando  o  indivíduo  precisa  optar 

por uma dentre as inumeráveis possibilidades de viver. O ato de a humanidade 

voltar a inteligência para a existência, buscando suas razões, balançou a vida 

ancorada  no  hábito,  quem  não  vive  pelo  hábito  de  viver  precisa  decidir  e 



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