Sensibilidade absurda


SíSIFO E A  PERCEPÇÃO DA REALIDADE TRÁGICA PELA SENSIBILIDADE ABSURDA



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SíSIFO E A  PERCEPÇÃO DA REALIDADE TRÁGICA PELA SENSIBILIDADE ABSURDA 

 

Revista Eletrônica Literatura e Autoritarismo: A opressão na ficcionalização da história 



– ISSN 1679-849X 

         



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http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/LA/index 

 

 

É  neste  terreno  que  o  existencialismo  contemporâneo  se  solidifica. 



Alguns  intelectuais  alinhados  a  corrente  existencialista  estão  envolvidos  nos 

processos  revolucionários  combatendo  os  países  colonialistas  pelos  quais 

estão subjugados. É neste período de repressão que as reflexões vislumbram a 

liberdade. 

 A  ciência  produziu  armas  nucleares  cujo  poder  de  destruição  pode 

acabar  com  o  mundo  no  dia  seguinte.  Pensa-se  na  mortalidade  e  na  finitude 

humana,  em  suma,  pensasse  na  condição  humana.

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  É  neste  período  que  se 



solidifica  a  Escola  de  Frankfurt,  reunindo  um  círculo  de  filósofos  e  cientistas 

sociais  de  mentalidade  marxista.  Os  pensadores  desta  escola  desenvolvem  a 

conhecida  Teoria  Crítica  da  Sociedade.  Entre  os  principais  nomes  que 

compunham  este  circulo  estava  Theodor  Adorno,  Max  Horkheimer,  Walter 

Benjamin  e  Jürgen  Habermas. As  críticas  desta  Escola  voltavam-se  ao  saber 

racional colocado em pauta desde o Iluminismo. É neste mundo do pós-guerra 

que  Adorno  pensa  o  papel  da  arte  na  realidade  social,  uma  realidade  in-

significante,  onde  o  valor  da  arte  se  torna  tanto  maior  quanto  mais  ela 

apresentar  o  real  sem  idealização.  É  preciso  uma  arte  que  problematize  e 

possua um ideal social, é preciso que ela apresente o real com todas as suas 

contradições, caso não o faça, torna-se uma arte enganosa.

 

É  neste  contexto  histórico  e  com  esse  ideal  de  crítica  social  e 



engajamento  com  as  causas  de  seu  tempo  que Albert  Camus  escreve  o  Mito 

de  Sísifo.  Neste  texto  o  escritor  retoma  um  mito  grego  para  problematizar  a 

condição  do  homem  no  mundo  e  promover  o  que  ficaria  conhecido  como  “

revolta  metafísica

”.  Explica  Camus  que  a  vida  dos  homens  era  tal  como  o 

castigo  de  Sísifo

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:  seguir  uma  rotina  diária,  sem  sentido  próprio,  a  falta  de 



                                                           

7

Por condição humana entende-se o que diz respeito às formas de vida que o homem impõe a si mesmo 



para sobreviver. São condições que tendem a suprir a existência do homem. As condições variam de 

acordo com o lugar e o momento histórico do qual o homem é parte. 

 

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Por  enganar  os  Deuses,  Sísifo  recebeu  uma  punição  exemplar:    seu  castigo  consistia  em  rolar 



diariamente uma pedra montanha acima até o cume. Ao chegar ao topo,  a pedra rolava novamente até 

o sopé da montanha e no outro dia ele deveria começar tudo novamente e assim para todo o sempre. 

 


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