Sensibilidade absurda


SíSIFO E A  PERCEPÇÃO DA REALIDADE TRÁGICA PELA SENSIBILIDADE ABSURDA



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SíSIFO E A  PERCEPÇÃO DA REALIDADE TRÁGICA PELA SENSIBILIDADE ABSURDA 

 

Revista Eletrônica Literatura e Autoritarismo: A opressão na ficcionalização da história 



– ISSN 1679-849X 

         



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http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/LA/index 

 

 

Antes  de  nos  determos  especificamente  no  tema  do  raciocínio  absurdo 



em  Camus,  faremos  uma  contextualização  histórica,  para  compreendermos  a 

origem  das  questões  que  são  caras  ao  existencialismo  e  que  ganham  novas 

formas no século XX. A sensibilidade absurda

3

, trabalhada em o Mito de Sísifo, 



como  afirmou  o  próprio  Camus,  deve  muito  a  certos  “espíritos 

contemporâneos”,  tais  como  Dostoiévski.  Camus  aponta  os  personagens  do 

escritor Russo como modernos por excelência. O termo moderno é utilizado em 

contraste  ao  clássico,  se  estes  se  nutriam  da  problemática  metafísica,  aos 

modernos  interessa  os  problemas  de  ordem  moral,  mergulham  nestas 

questões  sem  temer  o  ridículo.  Para  eles  a  sensibilidade  absurda  permite 

conceber  a  realidade  como  trágica,  o  objetivo  humano  passa  a  ser,  desde 

então,  a  vida  em  sua  plenitude  a  liberdade  absoluta,  alcançar  a  harmonia 

eterna,  resgatar  a  unidade  perdida  e  o  paraíso  aqui  na  terra,  e  sobre  tudo, 

curar de uma vez por todas a humanidade do erro e do engano a que esteve 

submetida.  Kírilov

4

,  é  apontado  por  Camus  como  sendo  um  personagem 



absurdo,  aquele  que  volta-se  para  a  vida  com  uma  indiferença  lúcida,  como 

senhor  de  sua  existência,  uma  existência  cujos  objetivos  pré-definidos  foram 

minados pela razão, frente a qual a antiga ordem moral desmorona. E é nesse 

desmoronar  do  mundo  que  o  homem  se  vê  perambulando  entre  ruínas  e  a 

realidade lhe parece absurda e sem possibilidade de compreensão.

 

O  tema  apresentado  pelo  escritor  russo  precede  o  grito  de  Nietzsche 



anunciando  a  “morte  de  deus”

5

.  O  terreno  para  tais  reflexões  foi  sendo 



preparado  prenhe  de  acontecimentos  de  grande  influência  no  processo 

histórico. A exemplo poderíamos referenciar o processo de reformas religiosas 

cujo  início  remonta  ao  século  XVI,  quando  o  monge  Martinho  Lutero  contesta 

                                                           

3

Por sensibilidade absurda entendemos a sensibilidade para com a existência.



 

 

4



Personagem do livro Demônios, de Dostoievski. 

 

5



O conceito da morte de deus em Nietzsche anuncia um acontecimento cultural. Com esta frase o filósofo 

anunciava o fim dos fundamentos transcendentais da existência. Deus não mais será justificativa e fonte 

de valores para o mundo, tanto na civilização quanto na vida das pessoas.

 

 



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