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Realismo em Portugal: jovens ao ataque



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Realismo em Portugal: jovens ao ataque

Você acredita que os movimentos estudantis tenham força para promover mudanças efetivas? No caso do Realismo português, o papel dos estudantes foi decisivo.

A segunda metade do século XIX trouxe o declínio do Romantismo, movimento que não correspondia mais aos anseios de uma geração em sintonia com os novos pensamentos que circulavam pela Europa.

A força dos poemas realistas e das novas ideias divulgadas nos meios universitários entrou em choque com as vozes românticas conservadoras, e, como resultado desse conflito, o Realismo marcou posição e se firmou como movimento. Os expoentes da polêmica foram Antero de Quental (representante da nova corrente) e o ultrarromântico Feliciano de Castilho.


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Biblioteca cultural

Leia na íntegra o texto Bom-senso e bom gosto, em: .

Tudo começou quando este último, em posição conservadora, provocou os jovens estudantes de Coimbra ao dizer que eles estariam condenados “às trevas próximas do limbo”. Considerando que Castilho criticava a liberdade e os novos tempos, Quental publicou um texto denominado Bom senso e bom gosto (1865), atacando duramente o romântico. Essa polêmica, que entre os anos de 1865 e 1866 envolveu os românticos, liderados por Castilho, e os jovens realistas, capitaneados por Quental, ficou conhecida como Questão Coimbrã.

Já formados, os estudantes de Coimbra dispersaram-se, mas voltaram, em 1868, a se reunir sob o nome de Cenáculo, grupo realista composto de figuras como Antero de Quental, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e José Eduardo Lobo da Costa, entre outros. Mais tarde, em 1871, esses escritores organizaram um ciclo de conferências públicas no bar Cassino Lisbonense, localizado no efervescente e boêmio bairro do Chiado, em Lisboa. As chamadas Conferências do Cassino Lisbonense procuraram inserir Portugal nas novas correntes do pensamento europeu. Mesmo proibidas, por serem consideradas ofensivas à religião e ao Estado português, elas espalharam o novo espírito revolucionário e deram voz à chamada Geração de 70 (ou Geração Coimbrã), consolidando o Realismo lusitano.

Naquele tempo...

Em Portugal, a literatura realista refletia um mundo em transformação. Em 1890, o país recebeu um ultimato da Inglaterra, que exigia que os portugueses retirassem suas tropas dos territórios entre Moçambique e Angola, na África. Portugal cedeu, o que revoltou os republicanos e levou à derrubada do governo do país.

O final do século XIX representou um momento de tentativa de restabelecimento da cultura nacional. Os jovens lisboetas se deram conta de que a literatura romântica europeia estava sendo superada por novas correntes de pensamento. Era necessário tratar diretamente dos desafios propostos pela realidade e acompanhar o ritmo do restante da Europa; ou seja, abrir o país para a incorporação definitiva do liberalismo, que tinha como principais valores o individualismo, a liberdade e a propriedade privada e que fez do século XIX a época de ouro da burguesia.

Investigue em
• Filosofia

Abandonando o tom revolucionário de sua produção inicial, Antero de Quental passou a escrever poemas em que tentava conciliar racionalismo e fé em Deus. Por que essa poesia pode ser caracterizada como “metafísica”? Leia sonetos do autor em .





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