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Atividade: Textos em conversa – p. 90



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Atividade: Textos em conversa – p. 90

1. Capitu cobra insistentemente de Bentinho uma posição sobre a intervenção de José Dias junto a D. Glória para que o filho deixe o seminário. Logo depois é indicada ao leitor a condição social da moça. Com isso, o narrador talvez tenha querido dizer que Capitu estava interessada em casar-se logo com ele por causa da condição social privilegiada do rapaz.

2. a) A primeira leitura – mais romântica – estaria ligada ao profundo amor que Capitu nutre por Bentinho, o que justificaria seu aborrecimento com ele, com José Dias e com D. Glória.

b) A segunda leitura estaria ligada aos interesses de ascensão social de Capitu. Nesse ponto de vista, não se casar com Bentinho – pelo fato de ele ser obrigado a ser padre – repre-


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sentaria permanecer naquela situação financeira modesta, cuja metonímia do espelho denuncia e reforça.

c) Capitu – filtrada pelos olhos de Bentinho-Dom Casmurro – poderia ser vista tanto como uma mulher ingênua, motivada unicamente pelo amor, quanto como uma mulher manipuladora, motivada por interesses financeiros. Professor: Alguns alunos defenderão que a personagem machadiana poderia ter os dois interesses ao mesmo tempo (o amor e a ascensão social). Embora essa leitura seja possível, ainda assim teríamos reforçado o caráter pragmático de Capitu, bem distante de personagens como Aurélia e Seixas, protagonistas do romance Senhora, de José de Alencar, que, ao final da trama, mostram-se motivados pela força do amor, deslocando para o segundo plano seus interesses financeiros e de ascensão social.

3. Porque, de alguma forma, Bentinho – ainda que adolescente e ingênuo – desconfia de que está sendo manipulado, o que confirmaria a definição de José Dias para os olhos de Capitu: “[...] de cigana oblíqua e dissimulada”.

4. a) O narrador compara os olhos de Capitu à ressaca do mar.

b) Bentinho defende que, assim como as ondas do mar quando recuam da praia em dias de ressaca, os olhos de Capitu possuíam uma força misteriosa que poderia arrastar o observador “para dentro” deles e, eventualmente, afogá-lo. Professor: Se julgar interessante, lembre aos alunos que os olhos de Capitu também são caracterizados como “olhos de cigana, oblíqua e dissimulada”. Uma das possibilidades de leitura (entre tantas) para essa caracterização poderia ser o entendimento da família Santiago (Bentinho, D. Glória, José Dias) como símbolo de uma classe social escravista, autoritária e patriarcal, típica do Brasil do século XIX, acostumada a mandar, que não suportaria a postura independente da menina de estrato economicamente inferior (representada por Capitu); daí sua condenação e permanente desconfiança.



5. A Capitu referida pelo eu lírico na canção de Tatit tem um “jeitinho hábil”, o “dom” de conquistá-lo quase imediatamente; é “petulante”, tem um “modo de ser ambíguo”, “sábio” e encantador. A metáfora utilizada para defini-la é “raposa e sereia” – duas figuras literárias ligadas à sedução, esperteza e malícia. Capitu domina não só a “terra” e o “mar”, mas também a “tela” e o “ar”, portanto é amante real e virtual. Além disso, ataca como um vírus (real e virtual) e tem o poder de fazer o eu lírico – ou os outros homens com quem ela se envolve – naufragar.

6. Na canção de Tatit, são vários os elementos que retomam a Capitu do hipotexto machadiano: o “jeitinho hábil” de conquistar, a referência a “dom” (usado em duplo sentido) – parte do título Dom Casmurro –, a ambiguidade, o encanto, a associação com a raposa e a sereia, a imagem do mar e da amante, a astúcia, a imagem da “ressaca dos mares”, o poder do olhar que leva ao naufrágio, à traição.

7. A Capitu da canção é associada à mulher que conquista seus amantes por meio do universo virtual (www) nas diversas salas de bate-papo e sites de relacionamento disponíveis na internet. Essa personagem tem seu poder aumentado pelo fascínio – e vício – que provoca em quem navega em seu site.



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