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Unidade 4 Realismo-Naturalismo e Parnasianismo no Brasil: crítica e prazer estético



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Unidade 4 Realismo-Naturalismo e Parnasianismo no Brasil: crítica e prazer estético

Capítulo 4 Realismo-Naturalismo no Brasil: Machado de Assis e Aluísio Azevedo

Pra começar: conversa com a tradição – p. 82

1. a) Ao longo do conto são proferidas apenas três falas pelos personagens: “Papai envém aí”, “Mamãe!” e “Come”. Além disso, o narrador-personagem reforça a ideia de silêncio de maneira direta, como nestas passagens: “Não disse nada”; “Observou-me num relance. Depois olhou mamãe que estava de costas”; “Ele continuou quieto”; “O arfar intenso de papai doía no silêncio”.

b) Sugestão de resposta. O silêncio pode significar a dureza que caracteriza as relações entre os personagens e os distancia. Eles parecem viver em um ambiente hostil, em que há pouca ou nenhuma comunicação. A pobreza, a violência e a luta pela sobrevivência acabam aniquilando a intimidade, a cumplicidade e o afeto entre os membros da família.



2. a) As seguintes passagens: “Papai atravessou a porta em silêncio e ao invés de chutar o tamborete arredou-o de leve”, “Mamãe permanecia imóvel junto ao fogareiro, como se esperasse que a mão pesada a atingisse a qualquer momento”.

b) O pai, antes violento e agressivo, mostra-se frágil. Eis os trechos que permitem chegar a essa conclusão: “deixou-se cair no tamborete”; “A cabeça pendeu sobre o caixote como se se tivesse desprendido do corpo”; “Ele continuou quieto, a respiração funda e descompassada”; “O arfar intenso de papai doía no silêncio”; “Papai então levantou a cabeça, encarou-a com os lábios abertos. Seu rosto estava molhado de suor. Abaixou os olhos para mim, fungando, e deixou a cabeça pender novamente sobre o caixote”.

c) O narrador se surpreende ao sentir afeto pelo pai quando toca seu ombro e angustia-se ao vê-lo em situação de fragilidade: existia ali,
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afinal, uma “criatura humana”, antes escondida “sob a camada de violência”.



3. Mesmo antes do parágrafo-desfecho do conto, o narrador utiliza a comida como símbolo de que as coisas não estão bem na família. A mãe dele, por exemplo, tem um acesso de tosse logo após fitar o pai e levar à boca uma pequena porção de arroz. No último parágrafo, a frieza e a imobilidade da mulher diante da violência sofrida pelo marido são quebradas com uma imagem forte, ligada ao ato de comer: “Mamãe estava com a cabeça quase dentro do prato [como a esconder-se] e as lágrimas escorrendo de seu rosto pingavam sobre o resto da comida”. A dramaticidade da cena intensifica-se com o vômito do narrador, como se ele pusesse para fora sua dor e tristeza, antes contidas.

4. Resposta pessoal. Professor: Espera-se que os alunos trabalhem com a ideia de que a realidade dura da mãe a leva a tal comportamento. Além disso, o narrador sugere, no terceiro parágrafo, que ela sofria violência por parte do pai, o que explicaria sua reação. Professor: Outra sugestão de trabalho seria escrever na lousa as várias acepções da palavra resignação e pedir à turma que relacione o significado mais adequado desse termo à reação da mãe do narrador.


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