Se liga na língua: literatura, produção de texto, linguagem


Atividade: Leitura de texto – p. 75



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Atividade: Leitura de texto – p. 75

1. Basicamente, Luísa é burguesa e, como tal, tanto se beneficia quanto padece de sua estrutura social. Embora valorize o cosmopolitismo das
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viagens e os contatos com o estrangeiro, ela não passa de uma mulher presa a um ambiente doméstico confortável e aborrecido, constrangida por relações sociais poucas, provincianas e restritivas; sua única alternativa a tal clausura é a falsa cultura romanesca, a partir da qual tudo se idealiza, desde a própria imagem ao espelho – em que a sensualidade salta do próprio aprisionamento de si à moralidade mesquinha da vida real – até a imagem do primo, cujos atrativos são fortemente amparados pela cultura do folhetim.



2. a) Quando Luísa pensa nas viagens de seu primo, imagina “neve nos montes, cascatas reluzentes”, uma Escócia com “lagos taciturnos”, uma Veneza com “palácios trágicos”, um “mar luminoso e faiscante” que “morre na areia fulva”, cabanas de pescadores com “teto chato”, “ilhas de nomes sonoros”, o patriarca de Jerusalém com “longas barbas brancas, recamado de ouro, entre instrumentações solenes e rolos de incenso” e a Princesa de La Tour d’Auvergne, “bela”, “cercada de pajens” e interessada em Basílio. Essas caracterizações são típicas do universo romântico.

b) Espera-se que os alunos respondam que a descrição um tanto fantasiosa das atividades exercidas por Jorge está relacionada à necessidade que Luísa tem de valorizar sua vida (“Era o que ela tinha”). A mulher precisava justificar sua escolha por um marido bastante distante de seus ideais românticos aventureiros, longe de uma “vida sedentária e caturra”, embora se fascinasse com a ideia de uma outra existência “mais poética, mais própria para os episódios do sentimento”, despertada pela presença sedutora de Basílio.



3. O ócio de Luísa e suas fantasias, nas quais toda a vida se esfumaça, ganham contraponto e tensão na figura da criada trabalhadora, representante do mundo real em que a senhora burguesa tem um papel bastante específico: a vida que lhe propicia o devaneio alimenta-se das fadigas da empregada. Assim, o clima romântico criado pelo narrador que descreve Luísa no escuro a contemplar um “céu estrelado”, uma “luz difusa”, com “janelas alumiadas”, sentada ao piano tocando e pensando na próxima visita do primo e na roupa que vestirá para recebê-lo (“o roupão novo de foulard cor de castanho!”), rompe-se com as observações funcionais e pragmáticas de Juliana – “encolhida e lúgubre” e de aparência simples e desleixada (“chinelas”, “casabeque pelos ombros”) – para quem apenas falta a luz.


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