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Unidade 2 Romantismo: a redescoberta do Brasil



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Unidade 2 Romantismo: a redescoberta do Brasil

Capítulo 2 Poesia e prosa românticas no Brasil

Pra começar: conversa com a tradição – p. 38

1. Resposta pessoal. Professor: Espera-se que os alunos tenham atentado para os neologismos que compõem a canção, bem como para o predomínio de substantivos, para a ausência de vírgulas separando-os, para as anáforas e para as possibilidades de leitura das estrofes na horizontal e na vertical.

2. a) Os versos em que há anáfora são: “que preto, que branco, que índio o quê? / que branco, que índio, que preto o quê? / que índio, que preto, que branco o quê?” e “não tem um, tem dois, / não tem dois, tem três, / não tem lei, tem leis, / não tem vez, tem vezes, / não tem deus, tem deuses, / nãohá sol a sós”.

b) A anáfora enfatiza a posição do eu lírico contra os estereótipos ligados à classificação dos brasileiros como “uma coisa só”. É como se ele gritasse em protesto contra a defesa de uma identidade separada para os negros, outra para os brancos, outra para os índios, etc.



3. a) Na primeira estrofe, o eu lírico protesta contra a separação dos grupos étnicos de formação do Brasil, a qual é marcada concretamente pelas vírgulas.

b) Na segunda estrofe, esses sinais desaparecem, como a indicar o que o eu lírico defenderá na terceira estrofe: os brasileiros não são pretos, nem brancos, nem índios; eles são a mistura dessas três etnias (sem vírgulas).



4. a) Guaranisseis: guaranis (povos indígenas da família linguística tupi-guarani) + nisseis: (filhos de pais japoneses que emigraram). Orientupis: orientais (relativos ao Oriente ou situados lá, ou de lá originários, ou que lá vivem) + tupis (denominação comum aos povos indígenas do litoral brasileiro cujas línguas pertenciam à mesma família ou tronco que a dos tupis). Judárabes: judeus (os que seguem a religião ou tradição judaica) + árabes (povos que habitam a península Arábica). Ameriquítalos: americanos (relativos ao continente americano) + ítalos (relativos à Itália). Iberibárbaros: ibéricos (relativos à península Ibérica) + bárbaros (para os gregos e os romanos, eram aqueles que não falavam grego nem latim; eram os estrangeiros). Ciganagôs: ciganos (relativos ao povo cigano) + nagôs (como eram chamados os negros escravizados que falavam iorubá).Tupinamboclos: tupinambás (tribo indígena) + caboclos (resultados da mestiçagem entre o índio e o branco). Americarataís: americanos (relativos ao continente americano) + carataí (tipo comum de peixe do estado do Pará). Egipciganos: egípcios (relativos ao Egito) + ciganos (relativos ao povo cigano). Yorubárbaros: yorubás (grupo étnico que fala o iorubá) + bárbaros (para os gregos e os romanos, eram aqueles que não falavam grego nem latim; eram os estrangeiros). Orientapuias: orientais (relativos ao Oriente ou situados lá, ou de lá originários, ou que lá vivem) + tapuias (índios pertencentes ao grupo dos tapuias). Mamemulatos: mamelucos (resultados da mestiçagem entre o branco e o índio ou entre o branco e o caboclo) + mulatos (descendentes de brancos e negros). Tropicaburés: tropicais (referentes ao clima) + caburés (cafuzos, mulatos ou caboclos). Chibarrosados: chibarros (mestiços) + rosados (referentes à cor da pele). Mesticigenados: mestiços + miscigenados (provenientes da mistura de raças).

b) A canção “Inclassificáveis” trata da formação do povo brasileiro. A visão clássica que se tem sobre esse tema é a de que os brasileiros são uma nação formada por índios (nativos), portugueses (colonizadores brancos) e africanos (negros que vieram escravizados para o Brasil). Arnaldo Antunes enriquece a questão propondo uma visão menos singular e mais plural da formação do povo brasileiro. Para isso, recorre a neologismos que, graficamente, misturam as etnias.



5. Nos versos anteriores aos monósticos, o eu lírico defende que, mais importante que a singularidade cultural, é a pluralidade, a mistura. Assim, para ele, “não tem um, tem dois, / não tem dois, tem três, / não tem lei, tem leis, / não tem vez, tem vezes, / não tem deus, tem deuses, / não tem cor, tem cores”. Os monósticos representam quebras no paralelismo singular/plural proposto pelos versos que os antecedem. Em lugar de escrever que o plural da palavra sol é sóis, o poeta insere o plural da palavra (sós), estabelecendo um jogo sonoro baseado na semelhança entre sóis e sós. Com isso, ele sustenta – além da necessária supremacia do singular sobre o plural – outra ideia
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complementar: não haveria sol (fonte de vida) a sós (sozinho), ou seja, não haveria vida na solidão (singular).





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