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Unidade 1 Romantismo: o domínio do “eu”



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Unidade 1 Romantismo: o domínio do “eu”

Capítulo 1 Romantismo: um movimento plural

Pra começar: conversa com a tradição – p. 19

1. Resposta pessoal. Professor: Espera-se que os alunos já tenham percebido que a linguagem utilizada por Mia Couto mistura neologismos e coloquialismos, desconstrói ditos populares, etc.

2. Resposta pessoal. Professor: O título sugere que a obra será composta de contos ficcionais, inventados (estórias); o adjetivo abensonhadas é uma fusão das palavras abençoadas e sonhadas. Dessa forma, “estórias abensonhadas” podem se referir a contos em que a dimensão do sonho e da bênção (entendida também como uma situação oportuna, o acaso que beneficia alguém) esteja presente. Incentive os alunos a levantarem hipóteses sobre o título e aceite as respostas mais bem fundamentadas. Comente que o autor mineiro Guimarães Rosa também fazia essa diferenciação (estória/história): o título de sua coletânea de contos, Primeiras estórias, é um bom exemplo disso.

3. Justino trabalha na ferrovia como guarda-freio e mantém com Glória um casamento marcado pelo tédio, pelo cansaço e pelo desânimo. Ele tem ciúme da esposa e a impede de ser livre, acusando-a de ousada. Homem duro e seco, presenteara a mulher apenas uma vez na vida, no início do namoro, e não gostava de dançar. Obrigava Glória a atos brutos, como empurrar a pequena carroça que possuíam. Misteriosamente, o marido muda completamente sua postura com ela. Glória é uma mulher sofrida que leva uma vida difícil, sem liberdade e sem sonhos (“subvivente”), como o esposo. Vítima do imenso ciúme de Justino, parece ter perdido a vaidade: veste-se de maneira discreta, não usa maquiagens ou perfumes e não se relaciona com outros homens. Quando jovem, antes do casamento e dos filhos, Glória gostava de dançar. A personagem estranha quando o marido muda completamente seu comportamento e passa a tratá-la com romantismo e delicadeza.

4. a) O dito popular “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”.

b) Não. Esse dito popular aparecerá no conto com outro sentido: “Entre marido e mulher o tempo metera a colher”. O tempo, e não um terceiro (como consta no dito original), será responsável pelo “ranço”, pelo “cansaço”, pelos “desnamoros”, pelos “ramerrames” que caracterizam a relação entre Justino e Glória.

c) O dito popular, ressignificado no conto como “Entre marido e mulher o tempo metera a colher”, será retomado de diferentes formas ao longo do texto e contribuirá para sua progressão. O tempo, “roubador de espantos”, provocará o afastamento gradual de Justino e Glória e “resfriará” o casamento deles. Além disso, fará com que Glória não saiba mais receber um presente do marido e será responsável também pelas “definitivas tranças” no cabelo de Glória (sugerindo seu desleixo com a aparência), emperrará a madeira da gaveta, símbolo do esquecimento do perfume (um dos poucos elementos de romantismo de Justino), evaporará o perfume “antigo” (símbolo de uma vida inteira sem presentes e cuidados), produzirá “miúdos” (filhos) que gastarão o batom em brincadeiras, transformará Glorinha em Glória e mudará o olhar de Justino.

5. a) O perfume é citado no texto em quatro momentos: quando Glória abre a gaveta e percebe que o líquido evaporou; quando ela quebra o vidro vazio de perfume; quando, após o baile, a personagem acorda, entre “sono e sonho”, e sente “dentro dela” o cheiro do perfume; e, finalmente, quando a mulher fere os pés com o vidro estilhaçado.

b) Sugestões de respostas. Na primeira passagem, a evaporação do perfume sugere que o amor de Glória também já se dissipou em um relacionamento desgastado pelo tempo. Na segunda, a personagem mostra-se irada com a percepção de que seu casamento nem sequer garantiu a ela “o gosto de um cheiro”. Na terceira passagem,


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a mulher já sabe que não mais terá o marido e percebe que seu amor por ele voltou em virtude de sua mudança de comportamento. Na quarta, quando Glória pisa nos cacos de vidro e corre para dentro, imprime as pegadas ensanguentadas no assoalho, que permanecem ali até o presente, como que marcando a estreia de uma nova vida (sem o marido). A passagem dá a entender que na nova vida ela foi feliz (com outra pessoa ou não) como nunca fora antes (daí o verbo “estrear”).

c) O perfume é, ao mesmo tempo, símbolo de amor/desamor/retomada do amor. A busca do perfume e a descoberta de sua evaporação sugerem a atual falta de cuidado que um dia, ainda que de maneira tímida, Justino teve com Glória. Entretanto, a generosidade mostrada pelo marido no episódio do baile – que abrange o vestido dado de presente, a maquiagem exigida, a licença para a esposa dançar com um homem de “boa postura” – faz Glória retomar seu amor perdido (e desgastado pelo tempo), o que justifica que ela sinta metaforicamente (“dentro dela”) o agradável cheiro do perfume que Justino lhe deu de presente no início do namoro deles. Esse cheiro simboliza a “paixão que regressava” ao coração de Glória.



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