Se liga na língua: literatura, produção de texto, linguagem


VI. Atividade de leitura de poema de Alphonsus de Guimaraens



Baixar 11.7 Mb.
Página610/665
Encontro29.07.2021
Tamanho11.7 Mb.
#16612
1   ...   606   607   608   609   610   611   612   613   ...   665
Se liga na l ngua literatura, produ o de texto, linguagem
VI. Atividade de leitura de poema de Alphonsus de Guimaraens

Se houver tempo, além do poema “Ismália”, que abre o capítulo 7 da parte de Literatura, os alunos poderão conhecer outro texto de Alphonsus de Guimaraens (1870-1921). Antes da leitura do poema, fale um pouco sobre o poeta mineiro. Filho de pai português e de mãe brasileira, Guimaraens ingressou como estudante de engenharia, em 1887, na importante Escola de Minas de Ouro Preto. No ano seguinte, morreu seu grande amor, a prima Constança, filha do romancista Bernardo Guimarães. Para fugir da dor, abandonou a Escola de Minas para matricular-se na Faculdade de Direito de São Paulo.

Guimaraens teve como motivo inspirador uma única mulher, sua amada Constança, vítima de tuberculose ainda na adolescência. Esse tema único desdobrou-se em muitos. Em sua poesia, Alphonsus cantou, além do amor inextinguível, a natureza, a arte, o sonho místico, a morte e o macabro (de influência romântica). Destacou-se também pelos versos de forte tom espiritualista, religioso, de viés católico. De sua
Página 411

produção, destacam-se: Septenário das dores de Nossa Senhora (1899), Kyriale (1902) e Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923).

O soneto “Hão de chorar por ela os cinamomos” (disponível em: ), publicado na obra póstuma Pastoral aos crentes do amor e da morte, traz a presença da amada do poeta. Acesse o texto e peça aos alunos que o leiam e respondam às seguintes questões.

1. As três primeiras estrofes do soneto são construídas a partir de elementos da natureza.

a) Quais são esses elementos?

b) A natureza mencionada nas estrofes aparece personificada. Explique essa afirmação.

2. Você já sabe que são comuns conexões entre movimentos literários. Na unidade 1 deste volume, você estudou que o artista romântico vê na natureza uma cúmplice. Personificada, ela dialoga com o estado espiritual do poeta. Relacione essa faceta romântica àquilo que você respondeu na questão 1.

3. No último terceto, há uma quebra do paralelismo temático.

a) Explique de que forma essa quebra se dá.

b) Que elemento religioso é inserido nesse terceto?

c) Relacione a presença desse elemento religioso à intensificação dos sentimentos vividos pelo eu lírico.

Utilize as respostas a seguir como base para a correção coletiva da atividade:

1. a) Na primeira estrofe: os cinamomos com suas flores e os laranjais com seus frutos; na segunda: as estrelas; na terceira: a lua, os lírios e as pétalas de rosa.

b) No poema, os cinamomos choram, os laranjais lembram, as estrelas falam, a lua é maternal.

2. De maneira semelhante à prática romântica, Guimaraens faz com que a natureza se compadeça e seja cúmplice da dor vivida pelo eu lírico diante da morte de sua amada. É como se a natureza compreendesse as dores do eu lírico. Dessa forma, como no Romantismo, ela não representa um simples pano de fundo, mas um ser personificado que dialoga com o estado de espírito do poeta. Trata-se de uma natureza que atua como reflexo do “eu”.

3. a) Nas três primeiras estrofes do soneto são apresentados elementos da natureza que sofrem com a morte da amada do eu lírico. Na última estrofe, não há qualquer menção a elementos naturais, o foco passa a ser a dor do próprio sujeito poético e há a inserção de personagens divinos, os arcanjos.

b) A figura dos arcanjos recebendo a amada do eu lírico no céu.

c) Os sentimentos são intensificados quando sabemos que até mesmo o arcanjo que recebe a amada do eu lírico sabe da dimensão da dor deste, a ponto de perguntar por que os dois não foram juntos para o céu.


Baixar 11.7 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   606   607   608   609   610   611   612   613   ...   665




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal