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Águas-furtadas: espécie de sótão habitável.
Chita: algodão colorido.
Venturoso: afortunado, feliz.
Morfeu: deus grego dos sonhos.
Ferro do engomado: ferro de passar roupa.
Maviosa: delicada, graciosa.
Cioso: cuidadoso; com zelo.
Rol: lista, relação.
Página 46

Pensando sobre o texto



1 Que concepção romântica da mulher apresentam os três primeiros versos do poema?

2 Explique por que o quarto verso quebra a expectativa do leitor.

3 Na terceira quadra, o eu lírico realiza outra ação típica nos poemas românticos. Em seguida, na quarta quadra, rompe novamente a convenção romântica. Explique essa afirmação.

4 Da quinta à oitava quadra, os contrastes são ampliados com a narração de um episódio envolvendo um bilhete roubado do seio da amada do eu lírico. Sintetize esse trecho, enfatizando a oposição entre os elementos idealizados e os realistas que constroem o poema.

Victor Hugo acreditava que uma das maiores contribuições do Romantismo para a arte era o fato de ter unido o sublime ao grotesco. Foram os românticos que quebraram a noção de beleza como uma ideia dominante na arte.

Note que o poema de Álvares de Azevedo explora o contraste entre a descrição de uma “fada aérea” e a revelação do que ela é realmente: uma lavadeira por quem o eu lírico suspira “enamorado”. A diferença entre o tom elevado do poema e o elemento realista (a paixão por uma moça real) garante aos versos um efeito cômico inesperado. Essa união entre práticas poéticas tão diferentes é uma das principais inovações presentes na poesia de Álvares de Azevedo.

Em movimentos anteriores, isso não ocorre. No Barroco, por exemplo, há três Gregórios de Matos: um cômico, um lírico e outro religioso, isto é, as facetas dele não se misturam.

Já os poemas que compõem a primeira parte da Lira dos vinte anos abordam uma donzela, pálida, divinizada, e não há presença da realização amorosa terrena. Só existe espaço para o amor sublime, como nas primeiras estrofes deste poema.



Leia o estudo de Luiz Roncari sobre “Os tipos de belo em Álvares de Azevedo”, em: Literatura brasileira: dos primeiros cronistas aos últimos românticos. São Paulo: Edusp, 1995. p. 419-423. (Didática; 2).

Texto 2

Quando à noite no leito perfumado


Lânguida fronte no sonhar reclinas,
No vapor da ilusão por que te orvalha
Pranto de amor as pálpebras divinas?

E, quando eu te contemplo adormecida


Solto o cabelo no suave leito,
Por que um suspiro tépido ressona
E desmaia suavíssimo em teu peito?

Virgem do meu amor, o beijo a furto


Que pouso em tua face adormecida
Não te lembra no peito os meus amores
E a febre do sonhar de minha vida?

[...]


AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: BUENO, Alexei (Org.). Álvares de Azevedo: obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 133. (Fragmento).



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