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IV Meu pai a meu lado Já cego e quebrado, De penas ralado, Firmava-se em mi: Nós ambos, mesquinhos, Por ínvios



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Se liga na l ngua literatura, produ o de texto, linguagem
IV

Meu pai a meu lado


Já cego e quebrado,
De penas ralado,
Firmava-se em mi:
Nós ambos, mesquinhos,
Por ínvios caminhos,
Cobertos d’espinhos
Chegamos aqui!

O velho no entanto


Sofrendo já tanto
De fome e quebranto,
Só qu’ria morrer!
Não mais me contenho,
Nas matas me embrenho,
Das frechas que tenho
Me quero valer.

Então, forasteiro,


Caí prisioneiro
De um troço guerreiro
Com que me encontrei:
O cru dessossego
Do pai fraco e cego,
Enquanto não chego,
Qual seja, - dizei!

Sugerimos a leitura oral do fragmento para que os alunos sintam o ritmo desse canto.

Pujante: poderosa.
Fado: sorte, destino.
Vis: infames, desprezíveis.
Ignavos: covardes, fracos.
Ínvios: intransitáveis.
Quebranto: cansaço, torpor.
Troço: (ô) corpo de tropa.

ARTE: MARCEL LISBOA/FOTOS: PIXABAY – CREATIVE COMMONS LICENSE – CC BY 4.0


Página 42

Eu era o seu guia


Na noite sombria,
A só alegria
Que Deus lhe deixou:
Em mim se apoiava,
Em mim se firmava,
Em mim descansava,
Que filho lhe sou.

Ao velho coitado


De penas ralado,
Já cego e quebrado,
Que resta? - Morrer.
Enquanto descreve
O giro tão breve
Da vida que teve,
Deixai-me viver!

[...]


DIAS, Gonçalves. Últimos cantos. In: BUENO, Alexei (Org.). Gonçalves Dias: poesia e prosa completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998. p. 382-384. (Fragmento).

Biblioteca cultural

Leia “I-Juca Pirama” na íntegra. Acesse: .

Pensando sobre o texto



1 Explique de que modo o guerreiro Tupi se apresenta aos Timbira.

2 Na sua opinião, há uma contradição entre a forma como o guerreiro Tupi se apresenta e o pedido que faz ao chefe Timbira? O Tupi diminui sua força como herói guerreiro? Por quê?

3 Em seus estudos sobre a antropofagia, os historiadores estadunidenses Daniel Diehl e Mark P. Donnelly afirmam:

“[...] Existe uma variedade de razões básicas que explicam por que uma sociedade praticaria o canibalismo. Pode ser parte de uma cerimônia que honra os mortos; pode ser uma celebração pós-batalha, na qual a bravura de um inimigo é absorvida pelo vencedor; pode ser um meio de infligir um último insulto a um inimigo derrotado; pode ser um meio desesperado de defender-se da fome extrema [...]”.

DIEHL, Daniel; DONNELLY, Mark F. Devorando o vizinho: uma história do canibalismo. São Paulo: Globo, 2007. p. 31-32. (Fragmento).

a) Considerando a leitura do trecho de “I-Juca Pirama”, qual das razões apontadas no texto acima explica a prática do canibalismo pelos Timbira?

b) Relacione a resposta que você deu no item acima com a atitude do chefe Timbira, que surpreendeu a todos libertando o inimigo.


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