Se liga na língua: literatura, produção de texto, linguagem


Os gêneros textuais: O que são? Como se organizam? Onde circulam? Como os produzimos?



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Os gêneros textuais: O que são? Como se organizam? Onde circulam? Como os produzimos?

As respostas a essas questões têm como base a teoria dos gêneros de Bakhtin (1929, 1953-1954) e releituras feitas por diversos teóricos, entre eles Marcuschi (2008) e Koch e Elias (2010). De acordo com essas duas últimas autoras (p. 55), “todas as nossas produções, quer orais, quer escritas, se baseiam em formas-padrão relativamente estáveis de estruturação de um todo denominado gêneros”. Koch e Elias explicam ainda que, “longe de serem naturais ou resultado da ação de um indivíduo, essas práticas comunicativas são modeladas e remodeladas em processos interacionais dos quais participam os sujeitos de uma determinada cultura”.

Em diálogo com Koch e Elias, Marcuschi (2008) defende que os gêneros textuais são dinâmicos, de complexidade variável, e que não é possível contá-los todos, pois são sócio-históricos e variáveis. E, por fim, é Bakhtin (1953-1954)
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que defende que os gêneros são formas relativamente estáveis de enunciados/discursos em dados contextos e situações específicas de comunicação. Assim, cada diferente contexto ou situação de comunicação determina um gênero. É nesse sentido que se afirma que há tantos gêneros quanto atividades humanas ou esferas humanas de comunicação.

Segundo Bakhtin (1953-1954), as pessoas podem até dominar magnificamente a língua, mas sentem dificuldade em certas esferas da comunicação verbal, precisamente pelo fato de jamais, na prática, se poder dominar os gêneros textuais de todas as esferas. Isso porque em cada esfera da comunicação verbal há um indeterminado número de gêneros.

Bakhtin (1953-1954) resume a organização geral dos gêneros textuais afirmando que estes se compõem de um tema (o que se quer dizer em uma dada situação de comunicação), de uma forma de composição ou estrutura (como organizar e estruturar o que se quer dizer: em versos ou em parágrafos, por exemplo) e de um estilo (que, entre outros fatores, envolve a maneira de dizer e o modo de estabelecer a seleção vocabular e linguística, para auxiliar na elaboração do sentido do que o locutor quer dizer).

Para o estudioso russo, a sociedade produz gêneros primários e secundários. Os gêneros primários são aqueles mais simples, que surgem de situações cotidianas e espontâneas. Embora predominantemente orais, abarcam entre eles também formas mais prosaicas de escrita, como os bilhetes e os e-mails pessoais. Os gêneros secundários, próprios das esferas públicas mais complexas (ciência, trabalho, etc.), seriam reelaborações dos gêneros primários, mas predominantemente escritos. Dessa forma, pertenceriam aos gêneros secundários, por exemplo, tanto os textos científicos – como uma tese de doutorado – quanto os debates públicos, que, apesar de orais, são apoiados em estruturas menos espontâneas e mais complexas.

No novo paradigma de ensino de língua portuguesa (Batista, 2004), o gênero textual deve ser o ponto de partida e de chegada no ensino da língua materna, ou, nos termos de Schneuwly (2004, p. 21-39), um megainstrumento para o ensino de língua. Segundo ele, o ensino que se norteia no trabalho com os gêneros textuais permite aos alunos realizar análises e reflexões das condições sociais efetivas de produção e de recepção, reconhecidas nos usos reais da língua. Esse ensino permite também que se tenha um quadro de análise dos conteúdos, da organização do conjunto de todo o texto e das sequências tipológicas (narrar, relatar, argumentar, expor e descrever ações) que o compõem, assim como das unidades linguísticas (conhecimentos linguístico-gramaticais) e das características específicas da textualidade dos gêneros orais.




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