Se liga na língua: literatura, produção de texto, linguagem


Seja é parte da locução conjuntiva



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Seja é parte da locução conjuntiva seja..., seja... Reescreva no caderno o trecho destacado em negrito usando a locução e estabelecendo o paralelismo sintático entre as duas partes, isto é, a igualdade de construções.

seja reproduzindo o jingle, seja falando

9 Levante uma hipótese: o que teria levado a falante a usar seja..., ou... para indicar alternância?

A língua falada dispõe de menor tempo de planejamento e, por isso, algumas construções deixam de ser mais bem elaboradas, por exigirem maior grau de concentração.

10 Explique por que a pergunta retórica “E como que a gente sabe, né?, quando é uma publicidade infantil ou não? tem um papel semelhante ao de uma conjunção nesse texto.

A pergunta retórica funciona com um conector entre duas partes do texto: aquela já apresentada, que introduz o conceito de “publicidade infantil” e aquela que dá a explicação sobre como essa publicidade é exposta às crianças.

11 O comentário lido explicita tendências da língua falada, percebidas tanto em registros formais quanto em informais: o uso de um conjunto mais restrito de conjunções e a repetição delas. Por que você acha que isso ocorre?

Resposta pessoal. Na língua falada, o tempo de planejamento é pequeno, o que reduz a possibilidade de o falante buscar variações para a formulação de seus enunciados. Sua preocupação primeira é a manutenção do turno conversacional e a clareza da comunicação, por isso se vale de recursos como a repetição, eficientes na garantia dessa compreensão.

Alguém escreve assim?

A conjunção pois é muito utilizada para iniciar orações que apresentam justificativas ou explicações para o conteúdo da oração anterior, equivalendo a porque. Todavia, há também outro uso registrado pelas gramáticas: ela pode funcionar como conjunção conclusiva, com sentido de portanto, quando empregada entre vírgulas no meio da oração, geralmente após o verbo. Veja:

Estudou muito para as provas; obteve, pois, um ótimo resultado.

Será que esse uso é comum? Esta é sua tarefa: entre em um site de busca da internet ou em arquivos de jornais e revistas e localize textos em que a conjunção tenha sido utilizada como conclusiva. Se encontrar, copie o parágrafo e anote a fonte (título do texto, gênero, autor e veículo de circulação). Depois, com o auxílio do professor, forme um grupo com colegas e leia com eles os exemplos. Em seguida, concluam: é comum escrever assim? Se a resposta for positiva, tentem determinar em que tipo de texto (gênero e veículo de circulação) ocorre esse uso. Se for negativa, levantem uma hipótese sobre os motivos de essa construção, ainda que conste na maior parte das gramáticas, ter sido abandonada pelos falantes.



Sobre o boxe “Alguém escreve assim”, a pesquisa provavelmente mostrará o uso da conjunção conclusiva pois em situações bastante específicas, como citações de textos bíblicos ou outras publicações antigas, e ainda em alguns textos opinativos (editoriais, artigos de opinião) ou acadêmicos (artigos, teses, dissertações) em que predomina uma redação mais sofisticada. Na discussão, levante os exemplos com os alunos e ajude-os a reconhecer os casos em que a conjunção está, de fato, sendo usada como conclusiva, visto que há grande possibilidade de que encontrem outros exemplos seguidos por vírgula e se confundam. Com base nos exemplos válidos, mostre à turma que se trata de uma construção possível, mas adotada em situações bastante formais. Aponte também o fato de que a língua está em constante transformação e, por isso, é natural que formas antes comuns acabem sendo subutilizadas pelos falantes, que acabam preferindo outras construções. Alguns exemplos de textos:
• “Palestina, o sonho acabou?”, de Clóvis Rossi: . Acesso em: 6 abr. 2016.
• “O melhor do Brasil”, de Eliane Cantanhêde: . Acesso em: 6 abr. 2016.
• “João 19”, Bíblia Sagrada: . Acesso em: 6 abr. 2016.
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Suplemento do professor


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