Se liga na língua: literatura, produção de texto, linguagem



Baixar 11.7 Mb.
Página431/665
Encontro29.07.2021
Tamanho11.7 Mb.
1   ...   427   428   429   430   431   432   433   434   ...   665

partes

parte

partimos

partis

partem

radical

Pretérito imperfeito do indicativo

1ª conjugação: radical + -ava + desinências número-pessoais

2ª e 3ª conjugações: radical + -ia + desinências número-pessoais

am-ava

am-avas

am-ava

am-ávamos

am-áveis

am-avam

vend-ia

vend-ias

vend-ia

vend-íamos

vend-íeis

vend-iam

part-ia

part-ias

part-ia

part-íamos

part-íeis

part-iam

Presente do subjuntivo

1ª conjugação: radical + terminações -e, -es, -e, -emos, -eis, -em

2ª e 3ª conjugações: radical + terminações -a, -as, -a, -amos, -ais, -am

am-e


am-es

am-e


am-emos

am-eis


am-em

vend-a


vend-as

vend-a


vend-amos

vend-ais


vend-am

part-a


part-as

part-a


part-amos

part-ais


part-am

Esses dados são úteis principalmente quando precisamos conjugar verbos de uso menos frequente, com cujas formas não estamos habituados. As cores da primeira tabela de cada bloco (tempos primitivos) indicam como se formam os tempos deles derivados nas tabelas subsequentes.

Imperativo
Apenas as 2as pessoas (singular e plural) do imperativo afirmativo têm formas próprias: derivam das correspondentes do presente do indicativo com a supressão do -s. As demais são tomadas do presente do subjuntivo.

Presente do indicativo



Imperativo afirmativo

Presente do subjuntivo



Imperativo negativo
amo

ame




amas -s →

ama


ames →

(não) ames


ama

ame


← ame →

(não) ame


amamos

amemos


← amemos →

(não) amemos


amais -s →

amai


ameis →

(não) ameis


amam

amem


← amem →

(não) amem



Página 299

Pretérito perfeito do indicativo

amei

amaste

amou

amamos

amastes

amaram

vendi

vendeste

vendeu

vendemos

vendestes

venderam

parti

partiste

partiu

partimos

partistes

partiram

tema

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo

tema + -ra + desinências número-pessoais

ama-ra

ama-ras

ama-ra

amá-ramos

amá-reis

ama-ram

vende-ra

vende-ras

vende-ra

vendê-ramos

vendê-reis

vende-ram

parti-ra

parti-ras

parti-ra

partí-ramos

partí-reis

parti-ram



Pretérito imperfeito do subjuntivo

tema + -sse + desinências número-pessoais

ama-sse

ama-sses

ama-sse

amá-ssemos

amá-sseis

ama-ssem

vende-sse

vende-sses

vende-sse

vendê-ssemos

vendê-sseis

vende-ssem

parti-sse

parti-sses

parti-sse

partí-ssemos

partí-sseis

parti-ssem



Futuro do subjuntivo

tema + terminações -r, -res, -r, -rmos, -rdes, -rem

ama-r

amar-es

ama-r

ama-rmos

ama-rdes

ama-rem

vende-r

vende-res

vende-r

vende-rmos

vende-rdes

vende-rem

parti-r

partir-es

parti-r

parti-rmos

parti-rdes

parti-rem



Infinitivo impessoal

amar

vender

partir



Futuro do presente do indicativo

infinitivo impessoal + terminações -ei, -ás, -á, -emos, -eis, -ão

amar-ei

amar-ás

amar-á

amar-emos

amar-eis

amar-ão

vender-ei

vender-ás

vender-á

vender-emos

vender-eis

vender-ão

partir-ei

partir-ás

partir-á

partir-emos

partir-eis

partir-ão



Futuro do pretérito do indicativo

infinitivo impessoal + terminações -ia, -ias, -ia, -íamos, -íeis, -iam

amar-ia

amar-ias

amar-ia

amar-íamos

amar-íeis

amar-iam

vender-ia

vender-ias

vender-ia

vender-íamos

vender-íeis

vender-iam

partir-ia

partir-ias

partir-ia

partir-íamos

partir-íeis

partir-iam



Infinitivo pessoal

infinitivo impessoal + desinências Ø, -es, Ø, -mos, -des, -em

amar

amar-es

amar

amar-mos

amar-des

amar-em

vender

vender-es

vender

vender-mos

vender-des

vender-em

partir

partir-es

partir

partir-mos

partir-des

partir-em

Você poderá consultar, em gramáticas que fazem parte do acervo do PNBE 2008 (como Nova gramática do português contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, e Moderna gramática portuguesa, de Evanildo Bechara), informações sobre a conjugação de verbos irregulares. Entendemos que não seria produtivo para o curso apresentar uma lista desses verbos aqui. Sugerimos que você mostre aos alunos a possibilidade de consultar as conjugações de verbos em dicionários específicos ou nos grandes dicionários da língua. A versão on-line do Houaiss, por exemplo, contém a conjugação de todos os verbos compilados. A versão impressa apresenta, em um campo específico, as particularidades flexionais. No suplemento, fornecemos alguns verbos irregulares.
Página 300

Refletindo sobre a língua



1 Leia o início de uma reportagem sobre o grafiteiro Tito, um nova-iorquino que tem obras espalhadas pelos muros do Rio de Janeiro.

Zé Ninguém, que colore vários muros cariocas, ganha livro com sua história

Personagem é criação do grafiteiro norte-americano Tito.

Rio – É comum ver grafites espalhados por várias partes do Rio. No meio deles, a imagem de um homem laranja, de bigode e chinelo no pé tem se destacado cada vez mais. Estampado pelos muros cariocas, o personagem batizado como Zé Ninguém vem se multiplicando pela cidade há sete anos através dos traços do grafiteiro Alberto Serrano, mais conhecido como Tito. [...]

[...] Filho de um porto-riquenho, ele trocou o Bronx pelo Rio em 2001 e logo se identificou com o que viu por aqui. “O Zé Ninguém é inspirado no meu pai. Ele também usava chinelo, shortinho e bigode quando morávamos no Bronx. Para mim, era engraçado. Mas, quando vim para o Brasil, encontrei um monte de gente que nem ele”, conta o artista.

[...]


ALBERTO SERRANO



Zé Ninguém atormentado pelo Espírito de Porco. Grafite de Tito estampado em muro da cidade do Rio de Janeiro em 2014.

MAIA, Karina. Publicada em: 5 mar. 2015. Disponível em: . Acesso em: 26 nov. 2015. (Fragmento).


Página 301

a) Que sentido costuma ser atribuído ao substantivo comum zé-ninguém?

Zé-ninguém é uma pessoa qualquer, sem importância.

b) Explique por que a atribuição desse nome contrasta com a origem do personagem Zé Ninguém.

O personagem Zé Ninguém foi inspirado pelo pai do artista Tito, logo não é alguém sem importância.

c) O que explica que o artista tenha escolhido esse nome para seu personagem?

Embora tenha sido usado como substantivo próprio para dar nome ao personagem, Zé Ninguém traduz uma ideia de generalização, coerente com a afirmação do artista de que suas características o igualam a muitos outros brasileiros.

d) As formas verbais usava e morava estão flexionadas no pretérito imperfeito do indicativo. Como se pode identificar esse tempo considerando apenas a estrutura dos dois verbos?

As duas formas verbais apresentam a desinência -va.

e) Se o verbo morar fosse substituído por residir, essa marca seria mantida? Por quê?

Não; residir é um verbo da 3ª conjugação que emprega a desinência -ia; a desinência -va é usada apenas na 1ª conjugação.

f) Observe agora as formas trocou, identificou e encontrei. O tempo verbal é responsável pela diferença nas terminações? Explique.

Não. Os três verbos estão flexionados no pretérito perfeito do indicativo e pertencem à mesma conjugação, o que lhes daria a mesma terminação. A diferença é promovida pela pessoa gramatical, já que encontrei está flexionada na 1ª pessoa do singular, enquanto os outros dois estão na 3ª pessoa do singular.

g) Qual é a diferença entre os parágrafos do texto, considerando a noção de tempo predominante em cada um?

O 1º parágrafo contém verbos que indicam processos iniciados no passado e que se estendem até o presente; já o 2º trata de processos realizados predominantemente no passado.

2 Leia o trecho reproduzido de uma revista de entretenimento destinada ao público adolescente.

10 situações que te fazem prometer nunca mais stalkear uma pessoa

Mas, por razões óbvias, você nunca cumpre a promessa.

Eu stalkeio, tu stalkeias, ele stalkeia. E quer saber? Seria um desaforo se, com a quantidade de recursos que temos hoje, disséssemos não para essa atividade totalmente instrutiva. Afinal, ela te ajuda a descobrir os gostos do alvo, facilita a abordagem para os mais tímidos e te deixa mais íntima daquele seu amor platônico. Mas, em alguns momentos, acontecem coisas que te fazem prometer, mesmo que por poucos segundos, nunca mais xeretar a vida alheia.

[...]

OTTO, Isabella. Publicado em: 8 abr. 2015. Disponível em: . Acesso em: 26 nov. 2015. (Fragmento).



a) O verbo da língua inglesa to stalk significa “perseguir”, “assediar”. Qual expressão do texto traduz a mesma ideia?

A expressão xeretar a vida alheia.

b) Em seu uso pelos falantes de português, stalkear recebeu morfemas típicos dos verbos de nossa língua. Em que conjugação ele foi incluído?

Na 1ª conjugação (verbos terminados em -ar).

c) Como você conjugaria o verbo na 1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo, do futuro do pretérito do indicativo e do pretérito imperfeito do subjuntivo?

Eu stalkeei, eu stalkearia, (que) eu stalkeasse.

d) O que lhe permitiu saber as formas desse verbo?

Stalkear segue o paradigma de outros verbos com a mesma terminação, como passear.

3 Leia a tirinha do gato Blue.

BLUE E OS GATOS



PAULO KIELWAGEN


Página 302

a) Que modo verbal foi usado em “Por favor, não chora”?

O modo imperativo (negativo).

b) Mantendo esse modo verbal, reescreva a oração de acordo com a norma-padrão:

• empregando a 2ª pessoa do singular.



Por favor, não chores.

• usando a 3ª pessoa do singular.



Por favor, não chore.

• excluindo o advérbio de negação e utilizando a 2ª pessoa do singular.



Por favor, chora.

• eliminando o advérbio de negação e usando a 3ª pessoa do singular.



Por favor, chore.

c) Como deveria ser a fala do gatinho para se adequar ao que é proposto na norma-padrão da língua portuguesa? Por quê?

Ele deveria dizer “Por favor, não chore” para manter a uniformidade de tratamento, já que tratou o interlocutor por você.

Lembra?


Segundo a norma-padrão, deve haver uniformidade de tratamento em relação aos pronomes tu (2ª pessoa) e você (3ª pessoa) e seus correspondentes. Contudo, essa orientação não vem sendo seguida rigorosamente pelos usuários da língua portuguesa, nem mesmo nas variedades urbanas de prestígio.

4 Veja um anúncio publicitário da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

REPRODUÇÃO/F/NAZCA SAATCHI & SAATCHI



A Pinacoteca do Estado de São Paulo tem um dos mais importantes acervos de obras plásticas brasileiras dos séculos XIX e XX, além de promover eventos culturais diversos e integrar o circuito internacional de exposições. Foto de 2015.

PETER LEONE/FUTURA PRESS

a) Que relação a Pinacoteca espera construir entre seu acervo e o público? Justifique.

Ela deseja que o público tenha contato frequente com o acervo, como sugere o convite a uma nova visita.

b) Suponha esta nova versão para o texto do anúncio: “Quando você ★ à Pinacoteca e ★ nossas obras, desejará uma nova visita”. Como deveriam ser flexionados os verbos vir e ver, respectivamente?

Vier; vir.

c) Inclua os mesmos verbos nesta nova reescrita: “Se você ★ à Pinacoteca e ★ nossas obras, desejaria uma nova visita”. Como seriam flexionados?

Viesse; visse.

d) Que diferença de sentido existe entre as duas reescritas propostas?

Na primeira reescrita, a ida à Pinacoteca é mostrada como algo que acontecerá futuramente; na segunda, é vista como uma possibilidade, uma hipótese.

e) O anúncio empregou dois verbos com sons semelhantes: ver e vir. Como eles se classificam quanto à flexão?

São verbos irregulares.

f) Em que tempos verbais foram colocados os verbos da primeira reescrita? E os da segunda?

Primeira: futuro do subjuntivo; segunda: pretérito imperfeito do subjuntivo.

g) Retome as informações sobre a origem desses tempos verbais e explique a maneira como eles são formados.

Os dois tempos verbais são formados a partir do tema do pretérito perfeito do indicativo: no caso de ver, toma-se vi, de viste; no caso de vir, a base é vie, de vieste. Para o futuro do subjuntivo, acrescenta-se a terminação -r; para o pretérito imperfeito do subjuntivo, inclui-se a desinência -sse.
Página 303

Para dar mais um passo



Verbo: narração, descrição e temporalidade

As fronteiras entre os discursos narrativo e descritivo não são claras; os mesmos recursos compõem segmentos textuais em que um ou outro predomina. Naqueles em que se acentua a narração, normalmente encontramos verbos de ação, encadeados para gerar algum tipo de conflito. Ali, a temporalidade tem destaque, porque as ações revelam um antes e um depois, além de estabelecer relações de causalidade. O resultado, em geral, é um texto mais dramático, que reflete uma atitude ativa. Em contraposição, o discurso descritivo pressupõe uma atitude mais contemplativa. O foco demora-se nos objetos, seres e eventos para registrar seus atributos, e a noção de tempo é a simultaneidade.

Nesse movimento entre o descrever e o narrar, os verbos têm um papel importante. Vamos observar esse modo de funcionamento na narrativa “O Ciclista Urbano”, primeiro capítulo do romance Mãos de cavalo, do escritor paulista Daniel Galera.

[...]


Após esses segundos iniciais de avaliação do percurso, [...], o Ciclista Urbano se joga ladeira abaixo pedalando numa velocidade suicida que deixa perplexo qualquer observador.

Com um punhado de giros nos pedais, a velocidade cresce tanto que a trepidação das rodas contra as pedras da rua se torna quase insuportável. Mas o Ciclista conhece bem aquele trecho e sabe que precisa aguentar com os pulsos firmes por mais alguns instantes até que, numa manobra angulosa para a esquerda que pareceria loucura a um ciclista comum, ele salta sobre o canteiro central da rua do Canteiro aproveitando um ponto rebaixado do meio-fio, cruza a pista oposta, sobe na calçada em trajetória diagonal por uma rampa de garagem e maneja com destreza o guidom da bicicleta para fazer uma rápida correção da roda para a direita, bem a tempo de evitar o choque frontal com um muro de cimento sem reboco cuja superfície parece bastante aderente a pedaços de pele e carne humana. É o primeiro ponto delicado, de um total de cinco, no percurso que ele completará hoje, supondo, é claro, que não haja surpresas. Atravessa agora as calçadas de cinco casas em sequência, sem grandes desníveis ou mudanças de terreno, de modo que o Ciclista se sente à vontade para relaxar por alguns segundos, reacomodar a palma das mãos nos manetes, afrouxar a tensão dos joelhos e cotovelos e apreciar rapidamente a vista até que o olhar trave na água do Guaíba lá longe, salpicada do branco das velas dos veleiros. À sua direita, agora, os quarteirões são ocupados por casas construídas há não mais de um ano, várias delas com a pintura e as telhas ainda imaculadas, separadas entre si por miniaturas de matas fechadas. À sua esquerda predomina um terreno árido coberto por longas faixas de areia dura, alaranjada e erodida que se estendem em declive até a base do morro e dão lugar a uma zona plana onde ruas rigorosamente retas delimitam quarteirões retangulares subdivididos em lotes à venda. [...]

GALERA, Daniel. Mãos de cavalo. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 11-12. (Fragmento).

Capa do livro Mãos de cavalo, de Daniel Galera. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. Nessa obra, um cirurgião lembra fatos marcantes de sua infância e adolescência, em que se cruzam as sensações de heroísmo e covardia, e os associa ao presente, no qual ainda busca sua identidade.



REPRODUÇÃO
Página 304

1 Os demais capítulos do livro apresentam a narrativa em 1ª pessoa. Como o leitor reconhece, nesse capítulo, que o relato dos fatos se faz em 3ª pessoa?

Pela flexão dos verbos, principalmente.

2 Releia os três primeiros períodos do texto. Que efeito o narrador obtém com o uso da 3ª pessoa para referência a suas próprias ações, já que ele é o Ciclista Urbano?

O uso da 3ª pessoa faz dele um personagem, aproximando o relato de suas experiências ao relato de aventuras ou ações dos personagens de ficção.

3 No primeiro período, qual verbo sugere que o movimento feito com a bicicleta é extremamente rápido? Que outra expressão confirma essa característica?

A forma verbal joga sugere rapidez, confirmada pela expressão velocidade suicida.

4 O terceiro período é o mais longo do trecho. Qual foi o critério para a segmentação, isto é, para marcar seu começo e seu fim?

O terceiro período agrupa todas as ações feitas para superar um determinado trecho do percurso, que é considerado “delicado”.

5 Releia o seguinte trecho do mesmo período: “[...] ele salta sobre o canteiro central da rua do Canteiro [...], cruza a pista oposta, sobe na calçada em trajetória diagonal por uma rampa de garagem e maneja com destreza o guidom da bicicleta para fazer uma rápida correção da roda para a direita, bem a tempo de evitar o choque frontal [...]”. A escolha do tempo verbal descreve uma ação anterior, simultânea ou posterior ao momento da fala?

Os verbos no presente do indicativo descrevem uma ação simultânea ao momento da fala.

6 Que efeito se obtém com essa referência temporal?

Os verbos no presente dão dinamismo às ações e levam o leitor a compartilhar as emoções do personagem.

7 Compare agora o trecho lido com outra sequência do texto: “[...] o Ciclista se sente à vontade para relaxar por alguns segundos, reacomodar a palma das mãos nos manetes, afrouxar a tensão dos joelhos e cotovelos e apreciar rapidamente a vista”. Que impressão o conjunto dos verbos cria? Como ela contrasta com os verbos anteriores?

Esses verbos criam a impressão de ações menos vigorosas, mais descontraídas, o que contrasta com a tensão do bloco anterior.

8 A sequência de orações iniciadas por verbos no infinitivo, nesse trecho, sugere ações simultâneas ou progressivas? Como ela contribui para criar um ritmo diferente do que havia na narrativa?

Sugere ações simultâneas e ajuda a criar um ritmo mais distenso, menos acelerado, que contrasta com o anterior.

9 Releia os dois últimos períodos do texto. Que palavra indica que o Ciclista continua em movimento? Justifique.

A palavra agora, que sugere uma mudança em relação ao momento e à paisagem anteriores.

10 Por que o leitor tem a impressão de que o ritmo diminuiu?

Porque o texto passa a descrever detalhadamente o cenário.

11 Divida mentalmente o texto em duas partes: uma antes do verbo atravessar e outra depois. Em que se concentra o protagonista em cada uma delas?

Na primeira parte, ele se concentra na condução da bicicleta; na segunda, um trecho menos acidentado, ele se concentra na paisagem.

12 De que posição o leitor “vê” o protagonista: está longe ou próximo dele? Justifique sua resposta.

O leitor está bastante próximo, parecendo acompanhá-lo na bicicleta, visto que experimenta rapidez e tensão, na primeira parte, bem como o relaxamento e a contemplação da paisagem, na segunda parte.

Alguém fala/escreve assim?

Em um dos exercícios deste capítulo, você estudou o verbo stalkear, formado a partir da forma inglesa stalk. Esse não é o único caso de verbos criados recentemente para indicar ações relativas ao universo das novas tecnologias. Em geral, são verbos tomados do inglês e que sofrem adaptações.

Procure se lembrar de verbos que tenham essa formação. Converse com outros jovens e use a internet para realizar buscas. Em sala de aula, vocês farão uma lista com esses verbos e procurarão entender sua formação. São regulares? Irregulares? Seguem, normalmente, qual conjugação?



A tarefa não exige uma longa preparação. Basta conceder à turma um tempo em casa ou na sala de aula para a realização da pesquisa na internet. Se preferir, pode conduzi-la contando apenas com o repertório dos alunos. Alguns exemplos desses verbos: resetar (apagar); becapear (fazer cópia de segurança), butar (realizar o processo de iniciação do computador); bugar (apresentar defeito que provoca mau funcionamento); espoilear (subtrair o prazer ou a surpresa ao antecipar parte de um texto ficcional); blogar (escrever em blog). É possível observar a tendência de formação dos verbos na primeira conjugação, a mais produtiva da língua portuguesa. Quase todos são regulares, mas nota-se que alguns deles têm final -ear em lugar de -ar, em razão da necessidade de adaptação aos sons da língua portuguesa.
Página 305

CAPÍTULO 18 - VERBO II



Milhares de sites são criados e desativados diariamente. Por essa razão, é possível que os endereços indicados neste capítulo não estejam mais disponíveis.

PERCURSO DO CAPÍTULO



- Locuções verbais, verbos auxiliares e formas nominais
- Usos de modos e tempos verbais
- Correlação verbal


COPYRIGHT © 1987-2018 MARTIN HANDFORD. FROM WHERE’S WALLY? BY MARTIN HANDFORD. REPRODUCED BY PERMISSION OF WALKER BOOKS LTD, LONDON SE11 5HJ. WWW.WALKER.CO.UK

Ilustração do livro Onde está Wally?, de Martin Handford. Londres: Walter Books, 2007. Você já brincou com jogos como esse, em que temos de procurar um elemento em uma paisagem repleta de figuras diferentes? Não é só o excesso de figuras que nos confunde. Ficamos perdidos entre tantas pessoas que praticam ações tão distintas: correr, jogar, nadar, exibir-se, vender, conversar, exercitar-se, rir, observar, cavalgar, cair... Em uma situação real, teríamos ainda mais nuances a contemplar: como são feitas tais ações?; estão em que momento de sua realização?; acabaram de começar?; estão se estendendo?; vão terminar em breve? E como o falante se sente em relação a elas: realiza-as por desejo, por obrigação ou por hábito? Todas essas informações também são transmitidas por verbos, assunto deste capítulo.
Página 306

Pra começar

Leia esta tirinha de Benett.

BENETT


1 O que o leitor supõe sobre o comportamento do personagem quando lê apenas o primeiro quadrinho?

Supõe que ele realizou alguma ação reprovável e agora está arrependido.

2 O que muda quando ele lê toda a sequência?

O leitor percebe que o personagem não se refere a uma ação específica.

3 Que diferença existe entre as formas verbais fi z e deveria ter feito? Justifique.

Fiz indica uma ação pontual (momentânea) ocorrida no passado; deveria ter feito refere-se a uma ação que não ocorreu.

4 As noções de afirmação e de negação alteram o estado de espírito do sujeito? Justifique.

Não, ele sempre reafirma a sensação de mal-estar.

5 O mesmo desenho do personagem é mantido em todos os quadrinhos. Que efeito isso causa?

O desenho sugere permanência, igualdade, reforçando a ideia de mal-estar constante indicada nas falas.

Boa parte das tirinhas do cartunista Benett propõe reflexões melancólicas sobre o ser humano e sua vida. No início do capítulo 17, você leu uma tira cuja personagem (uma menina) lamenta as mudanças do indivíduo quando se torna adulto. Nessa que acabou de ler, o personagem confessa seu permanente mal-estar diante do mundo, repetindo o tema do vazio existencial, muito comum na arte contemporânea. No contexto da tira, a repetição de algumas formas verbais ou de variações delas contribui para criar a impressão de que tanto a ação quanto a falta dela não se distinguem entre si, porque a sensação será sempre a de incômodo.

Observe a maneira como as mesmas ações foram exploradas:

Estou me sentindo mal pelo que fiz.
Também me sinto mal pelo que deveria ter feito.

Há um paralelismo entre uma forma verbal simples e outra constituída de mais de um verbo. Uma composição de dois ou mais verbos, ligados ou não por preposição, é chamada locução verbal. As locuções são formadas por um verbo auxiliar e um principal; este último sempre se apresenta em uma das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio. Nos exemplos dados, o verbo principal da locução estou sentindo é o gerúndio sentindo, enquanto o da locução deveria ter feito é o particípio feito. Cabe às formas nominais apresentar a ideia central da locução.

Os verbos auxiliares, por sua vez, expressam as noções gramaticais de número, pessoa, tempo e modo, além de especificar as ações ou estados indicados pelos verbos principais.

No primeiro exemplo, o auxiliar estou, por meio de sua flexão, indica que a ação é realizada pela 1ª pessoa do discurso e está situada no presente do indicativo. Também é atribuição dele, em coordenação com o gerúndio, sugerir que a ação se prolonga no tempo.

No segundo exemplo, as informações gramaticais são transmitidas pelo auxiliar deveria, que indica a 1ª pessoa do discurso e o futuro do pretérito do indicativo. Ele é responsável, igualmente, por introduzir a ideia de “dever”, “obrigação”.
Página 307

Locução verbal é a expressão formada por um verbo auxiliar flexionado e um verbo principal na forma nominal: infinitivo, gerúndio ou particípio. Os principais verbos auxiliares são: ter, haver, ser e estar, mas há outros que também podem exercer essa função.

Verbos auxiliares e suas funções

Leia o título e a linha-fina de um infográfico sobre o futuro do planeta Terra.



REPRODUÇÃO/SUPERINTERESSANTE/ABRIL COMUNICAÇÕES S/A



1 O que você entende por odisseia nesse contexto? Sabe qual é a origem dessa palavra?

Resposta pessoal. Odisseia tem o sentido de “jornada”, “aventura”; é o título de uma obra grega clássica, supostamente escrita pelo poeta épico Homero (que teria vivido entre os séculos IX e VIII a.C.), na qual Odisseu (Ulisses) enfrenta desafios no retorno à terra natal após a Guerra de Troia.

2 Embora o tema do texto seja científico, a abordagem é informal. Mostre como isso se revela na linguagem.

Emprega-se no texto a expressão maus bocados, com o sentido de “passar dificuldades”.

3 O texto relaciona o fim da vida na Terra à extinção do combustível do Sol. O que acontecerá primeiro?

O fim da vida na Terra.

4 Por que o ato de consolar, expresso por “não se preocupe”, é irônico?

Porque o consolo é justificado com algo ainda mais preocupante: a informação de que o fim da vida na Terra antecederá a extinção do Sol.

Nesse texto, os verbos terminar, passar e preocupar(-se) aparecem conjugados em um tempo simples. Já acabar foi usado no futuro do presente composto, cujo sentido não é exatamente igual ao do futuro do presente simples. Embora ambos se refiram a ações posteriores ao momento da fala, a forma composta serve para estabelecer uma relação entre dois tempos, descrevendo uma ação que ocorre no futuro antes de outra também no futuro.

Para formar os tempos compostos, os verbos auxiliares ter e, mais raramente, haver associam-se ao particípio do verbo principal. Observe:

Indicativo

Pretérito perfeito composto

tenho feito

Pretérito mais-que-perfeito composto

tinha (havia) feito

Futuro do presente composto

terei feito

Futuro do pretérito composto

teria feito

Subjuntivo

Pretérito perfeito composto

tenha feito

Pretérito mais-que-perfeito composto

tivesse (houvesse) feito

Futuro composto

tiver (houver) feito

Além de formar os tempos compostos, o verbo auxiliar tem outras funções, como veremos na página seguinte.
Página 308

Formação da voz passiva analítica

Essa voz verbal é formada pelos auxiliares ser, estar e ficar mais o particípio do verbo principal. Construções desse tipo colocam foco no sujeito que sofre a ação verbal. Veja como, na linha-fina reproduzida a seguir, a locução eram levados destaca o alvo da ação, milhões de prisioneiros; o agente nem sequer é mencionado.



Trabalho que não liberta

Enquanto Hitler avançava sobre a Europa durante a Segunda Guerra Mundial, milhões de prisioneiros eram levados para campos de concentração como escravos

LEITE FILHO, Hildebrando Pralon Ferreira. História viva. Disponível em: . Acesso em: 11 dez. 2015.



Indicação de aspecto verbal

Os verbos auxiliares ajudam a exprimir, com mais exatidão, a maneira como o processo verbal se desenrola no tempo. Observe este exemplo:



© 2016 KING FEATURES SYNDICATE/IPRESS

No primeiro quadro, o recruta usa a locução estou tendo, formada pelo verbo auxiliar estou mais o particípio tendo, para indicar que a ação se alonga no tempo; essa ação não é pontual (momentânea), mas vista em processo. Já o sargento emprega o verbo auxiliar parar (de) mais o infinitivo discutir para indicar uma ação que termina. Esse tipo de informação é chamado aspecto verbal.

Entre os aspectos verbais mais comuns estão os seguintes.

Prolongamento da ação: andar, ficar, estar, vir + gerúndio

Início da ação: começar (a), principiar (a), pôr-se (a) + infinitivo

Iminência da ação: estar (para) ir + infinitivo

Repetição da ação: voltar (a), gostar (de), costumar, tornar (a) + infinitivo

Término da ação: acabar (de), deixar (de), parar (de) + infinitivo

Indicadores modais

Os verbos auxiliares podem expressar, ainda, o modo como o produtor do texto encara o processo verbal. Retome a fala de Zero na tirinha: “Não posso parar. Meu eu interior tem argumentos muito bons”. A forma verbal auxiliar posso, que se combina com o infinitivo parar, traduz a ideia de “capacidade”, “possibilidade”. Trata-se de um indicador modal.


Página 309

A seguir estão os valores modais mais comuns.

Capacidade: saber, poder + infinitivo
Obrigação: dever, precisar de, ter de + infinitivo
Desejo: querer, desejar + infinitivo
Dúvida: pretender, tentar, buscar, procurar + infinitivo
Ação próxima: ir + infinitivo

Formas nominais do verbo

As locuções verbais têm como verbos principais as formas nominais: o infinitivo, o gerúndio ou o particípio. Tais formas recebem esse nome porque podem exercer papel semelhante ao dos substantivos e adjetivos. Compare os pares de frases a seguir.



O cantar é uma ótima terapia.
infinitivo = substantivo

Pretendo cantar na festa da escola.


infinitivo = verbo principal da locução

Cuidado: pista escorregando.
gerúndio = adjetivo

Os carros estavam escorregando na pista.
gerúndio = verbo principal da locução

Era um artista muito amado.
particípio = adjetivo

O artista tinha sido amado por muitos.
particípio = verbo principal da locução

As formas nominais distinguem-se das outras formas verbais por não apresentarem marcas de tempo e de modo.



Infinitivo

Essa forma nominal é marcada pelo morfema -r: cantar, vender, partir. O infinitivo pode ser impessoal (não apresenta flexões) ou pessoal (flexiona-se em pessoa e número). Veja os exemplos:



Infinitivo impessoal

Infinitivo pessoal

entregar

entregar, entregares, entregar, entregarmos, entregardes, entregarem

fazer

fazer, fazeres, fazer, fazermos, fazerdes, fazerem

Em geral, o infinitivo é flexionado quando o sujeito vem claramente expresso antes dele: Ouvi os jogadores reclamarem do técnico.

Gerúndio

Trata-se da forma nominal que, em linhas gerais, apresenta o processo verbal em curso. É marcado pelo morfema -ndo: cantando, vendendo, partindo.

Assim como o infinitivo e o particípio, o gerúndio não apresenta flexões que lhe permitam exprimir as noções de tempo e de modo. Estas dependem sempre do contexto em que as formas aparecem.

Sabia?


Muito se tem discutido sobre o uso de construções linguísticas com a estrutura vou estar + gerúndio, que se tornaram comuns na língua falada do Brasil. Como essa forma nominal indica ação durativa, pode ser usada para construir enunciados como “Enquanto sua palestra acontece, eu vou estar viajando para Nova York”, em que as ações de acontecer e viajar são simultâneas. Já em “Vou estar enviando os documentos”, o gerúndio indica uma ação pontual, que deveria ser expressa por vou enviar ou enviarei. Para alguns estudiosos da língua, no entanto, esse uso – chamado de gerundismo – tem a intenção de tornar vaga a indicação do momento preciso em que a ação ocorrerá, sugerindo comprometimento menor do falante em relação àquilo que afirma.
Página 310

Particípio

A maior parte dos verbos apresenta particípios regulares, formados pelo morfema -ado (cantado) na 1ª conjugação e -ido (vendido, partido) na 2ª e 3ª conjugações. Alguns deles, porém, apresentam particípios irregulares, como escrever/escrito, vir/vindo ever/visto.

Além disso, há verbos que são abundantes, tendo duas formas de particípio, como você já viu no capítulo 17. É caso, por exemplo, de suspender, que dispõe do particípio regular suspendido e do irregular suspenso. Observe-o no trecho a seguir, transcrito de uma notícia de jornal.

Rodízio municipal de veículos volta a vigorar hoje em SP

O rodízio municipal de veículos volta a vigorar hoje em São Paulo. Ele estava suspenso desde 21 de dezembro.

[...]

Desde que o rodízio começou, em 1997, a prefeitura tem suspendido a medida no fim do ano, feriados e em situações como enchentes e greves no transporte público.



As restrições a caminhões e fretados continuaram valendo durante a suspensão.

Publicada em: 14 jan. 2013. Disponível em: . Acesso em: 11 dez. 2015. (Fragmento).

Essa diferença no uso dos particípios está relacionada ao verbo auxiliar que os acompanha. Nas construções em voz ativa, emprega-se por regra os auxiliares ter e haver seguidos de particípio regular e, naquelas em que a voz é passiva, os auxiliares ser, estar eficar seguidos de particípio irregular.

Veja mais alguns casos de duplo particípio:



Verbo abundante



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   427   428   429   430   431   432   433   434   ...   665


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal