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Auburn: ruivo-acastanhados.
Nacarada: cor de nácar; rosada.
Witty: espirituosa.
Why not: por que não?
Página 30

Depois de ter lido os dois textos, propomos que você se expresse romanticamente escrevendo uma carta de amor rasgado, tal qual Werther e Gorz. Estimule-se por meio da campanha que o jornalista Xico Sá fez em 2011.



Texto 3

Campanha permanente pela carta de amor

Amy morreu e nós, os muito românticos, não estamos passando muito bem.

A próxima vítima é a letra de mão. A caligrafia. Nos EUA, caminha para o fim. Pelo menos nas escolas já é quase uma defunta. [...]

Não, não me venha com essa de velho nostálgico. A parada é outra. Não confunda nostalgia com romantismo.

A defesa, nesta taverna virtual, é a do discurso amoroso. Seja escrito no tablet ou no papiro.

Mas... como o carteiro acaba de me entregar uma missiva escrita à mão de moça, com direito a beijo de batom junto da assinatura — que boca grande e linda, meu Deus! — não posso deixar de repetir, ad infinitum, uma das minhas campanhas permanentes.

Ô, Mr. Postman, pela volta da carta de amor. Urgentemente. A carta escrita à mão, com local de origem, data, saudações, motivos, papel fininho e pautado.

Debruce a munheca sobre o papiro e faça da tinta da caneta o seu próprio sangue. Agora.

Não temas a breguice, o romantismo, como já disse o velho Pessoa, travestido de Álvaro de Campos, todas cartas de amor são ridículas, e não seriam de amor se ridículas não fossem.

A carta, mesmo com todas as modernidades e invencionices, ainda é o melhor veículo para declarar-se, comunicar afinidades e iniciar um feitio de orações. O meio é a mensagem.

O que você está esperando, vá ali na esquina, compre um belo papel e envelopes, e se devote.

Se tiver alguma rusga, peça perdão por escrito, pois perdão por escrito vale como documento de cartório.

Se o namoro ainda não tiver começado, largue a mão dessas cantadas baratas e curtições facebookianas e atire a garrafa aos mares.

Uma boa carta de amor é irresistível. Vale até copiar aqueles modelos que vêm nos livros. Sele o envelope com a língua, como nas antigas, lamba os selos com devoção, esse pré-beijo de todos os lábios da futura amada.

[...]


Escrito por Xico Sá [em 26/7/2011] às 11h20.

Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2016.





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