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UNIDADE 10 Substantivo, seus determinantes e seus substitutos



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UNIDADE 10 Substantivo, seus determinantes e seus substitutos
• Capítulo 13: Substantivo e adjetivo
• Capítulo 14: Artigo e numeral
• Capítulo 15: Pronome
• Capítulo 16: Interjeição

UNIDADE 11 Verbo e advérbio
• Capítulo 17: Verbo I
• Capítulo 18: Verbo II
• Capítulo 19: Advérbio

UNIDADE 12 Palavras relacionais
• Capítulo 20: Preposição e conjunção
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COMO CLASSIFICAMOS AS PALAVRAS

Para explicar o que é um felino e diferenciá-lo de outros animais, não basta dizer que come carne ou que tem pelos ou que é um excelente saltador, pois essas características são comuns a outros bichos. Também não é suficiente mencionar que se trata de um animal domesticado, porque isso se aplica apenas a parte do grupo dos felídeos. Para classificar um animal como felino, temos de considerar aspectos que sejam comuns a todos os integrantes dessa família e, ao mesmo tempo, que os distingam dos demais.

Funciona de modo semelhante a classificação das palavras da língua, atualmente divididas em dez classes gramaticais: substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.

Para a formação de tais classes, empregam-se três níveis de descrição linguística conjuntamente. O nível semântico considera o significado das palavras. O nível morfológico observa sua forma, ou seja, sua natureza invariável ou variável. O nível sintático verifica como a palavra se relaciona com as outras na composição dos enunciados.

Veja como esses níveis se aplicam na distinção entre o substantivo habilidade e o adjetivo hábil. Do ponto de vista semântico, ambos expressam, cada um a seu modo, uma noção de qualidade. Do ponto de vista morfológico, também há semelhanças: os dois podem, com o acréscimo de uma desinência, informar a ideia de plural: habilidades e hábeis. Contudo, do ponto de vista sintático, há diferença entre eles: habilidade ocupa a função de núcleo de expressões nominais, podendo ser determinada por outros termos (grande habilidade, várias habilidades, habilidade inquestionável), enquanto hábil é sempre o termo que acompanha o núcleo, caracterizando-o (dedos hábeis, músico hábil).

Observe outro exemplo: a comparação da forma verbal correremos com o substantivo corrida. Ambos expressam processos; porém, morfologicamente, o verbo apresenta marcas que indicam o agente da ação (1ª pessoa do plural, equivalente ao pronomenós), o momento em que ocorre (futuro do presente) e a relação do falante com essa informação (o modo indicativo apresenta a ação como certa), os quais não estão presentes no substantivo.

Nesses exemplos, evidencia-se que a classificação se torna mais precisa quando são associados os três níveis de descrição linguística.

A atual forma de classificação das palavras no Brasil segue a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB). Elaborada na década de 1950 por um grupo de professores designados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), a norma tinha o objetivo de unificar os termos usados para explicar a língua, seguindo as formas internacionais de uso dos conceitos e respeitando a tradição de abordagem nas escolas brasileiras. Essa nomenclatura, com a evolução dos estudos linguísticos, vem recebendo algumas críticas, e algumas propostas de alteração já têm sido consideradas.

A parte de Linguagem deste volume está dedicada ao estudo das dez classes de palavras, analisando-as conforme os três níveis e procurando sempre entender a classificação como um recurso que favorece a compreensão do funcionamento da língua, e permite a cada um de nós manusear, com propriedade, agora e no futuro, dicionários, gramáticas e outras produções didáticas sempre que tivermos dúvidas ou quisermos fazer um uso mais eficiente e expressivo da linguagem.


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ARTE: MARCEL LISBOA/FOTOS: PIXABAY – CREATIVE COMMONS LICENSE – CC BY 4.0


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UNIDADE 10 - SUBSTANTIVO, SEUS DETERMINANTES E SEUS SUBSTITUTOS

Assim como outras obras plásticas, o grafite cria imagens que representam elementos da realidade de maneira mais ou menos imitativa. Em geral, ele se vale de signos que representam objetos baseados na semelhança física.

Na linguagem verbal são utilizados signos linguísticos, que também representam elementos da realidade, embora o façam a partir de uma convenção social, e não com base em semelhança visual. Palavras como índio, tênis, mercadorias e megafone nomeiam seres. Tristeza e submissão indicam sentimentos e ações.

Todas essas palavras são substantivos, classe que agrupa os termos responsáveis pela nomeação, uma das atribuições do signo linguístico. Em torno deles, constituem-se unidades ou segmentos sintáticos formados por termos que determinam seu sentido. Quando dizemos “o índio azul”, por exemplo, empregamos o artigo o, que define o substantivo índio, e o adjetivo azul, que o caracteriza. Também podemos dizer “um índio”, usando o numeral um para quantificar o substantivo índio, ou “aquele índio azul”, empregando o pronome aquele para indicar a posição desse substantivo em relação a quem produz o discurso.

Os substantivos, portanto, relacionam-se com adjetivos, artigos, numerais e pronomes; alguns destes últimos podem, inclusive, substituir substantivos em determinados contextos. Nesta unidade, estudaremos essas cinco classes de palavras, além das interjeições, termos especiais que expressam sentimentos.


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CRANIO – WWW.CRANIOARTES.COM

Grafite de Fábio de Oliveira, conhecido como Cranio, em São Paulo (SP). Nessa obra, Índio azul, de 2014, seu personagem mais recorrente usa acessórios típicos das sociedades urbanas modernas, como o tênis e a pochete, e vende muambas para sobreviver. O artista, que utiliza a cor azul para representar um indígena doente, propõe uma reflexão sobre a identidade e o consumismo.
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CAPÍTULO 13 - SUBSTANTIVO E ADJETIVO



Milhares de sites são criados e desativados diariamente. Por essa razão, é possível que os endereços indicados neste capítulo não estejam mais disponíveis.

O projeto “Expressão coletiva”, que está no fim desta unidade, após o capítulo 16, associa-se ao estudo dos substantivos. Caso o proponha aos alunos, sugerimos que as atividades se iniciem já no final deste capítulo 13.

PERCURSO DO CAPÍTULO



- Substantivo e adjetivo na perspectiva semântica
- Características morfológicas e sintáticas do substantivo e do adjetivo
- Classificação dos substantivos e dos adjetivos
- Locução adjetiva
- Derivação imprópria
- Flexões de gênero e número de substantivos e adjetivos
- Graus dos substantivos e dos adjetivos
- Reflexões sobre concordância nominal
- Correspondentes eruditos das locuções adjetivas


BRIDGEMAN IMAGES/KEYSTONE BRASIL - MUSEU DE ARTE BRASILEIRA/FAAP, SÃO PAULO

RAINERI, Vittorio. Macacos do Brasil. Século XIX. Gravura em metal aquarelada, 25,5 cm × 20 cm. Museu de Arte Brasileira. Apesar de a colonização do Brasil ter se iniciado no século XVI, ainda ocorriam, no século XIX, expedições pelo território para registrar detalhes de nossa fauna e de nossa flora, pouco conhecidas pelos europeus. Os artistas preocupavam-se em caracterizar os elementos da natureza para que o público pudesse construir uma imagem final deles. Os adjetivos cumprem uma função semelhante ao especificar os substantivos. Essas classes gramaticais são os assuntos deste capítulo.
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Pra começar

Em anos anteriores, você estudou as características dos substantivos e dos adjetivos. No trecho a seguir, lerá um comentário sobre essas classes de palavras feito pela personagem Semíramis, que está analisando uma obra do escritor cearense José de Alencar (1829-1877), um dos principais nomes do Romantismo brasileiro. Essa personagem, que dá nome ao romance da autora também cearense Ana Miranda, chama o escritor conterrâneo de Cazuzinha. Nas páginas do livro, Semíramis conviveu com Alencar quando ele ainda era menino.

A escritora que, nesse livro, retoma passagens da vida de José de Alencar, já abordou a trajetória do poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696) e do pré-modernista Augusto dos Anjos (1884-1914), também associando elementos ficcionais a uma cuidadosa pesquisa histórica.

[...] Fiz uma lista de adjetivos que Cazuzinha usava no romance: bravio, líquido, alvo, ensombrado, e numa só frase: verde, impetuoso, aventureiro, manso. Afoito rápido fresco frágil jovem branco selvagem intermitente vibrante, fugitivo, tênue, inocente, agro, lindo, fosco, brioso, altivo revolto branco airoso... isso só no primeiro capítulo. Cansei-me, a lista era longa. Padre Simeão dizia que os adjetivos são divinos, sagrados. São os adjetivos que dão a medida das cousas, o substantivo é real, parco, limitado. O substantivo é a substância, matéria, o adjetivo é espírito, é a transcendência do pensamento. A humana capacidade de julgar, compreender, se expressa nos adjetivos. Por exemplo, substantivo: padre. E adjetivo: padre matreiro. Astuto. Matraqueado. [...]

MIRANDA, Ana. Semíramis. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. p. 228. (Fragmento).



Capa do livro Semíramis, de Ana Miranda. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

REPRODUÇÃO



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