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O close e outros planos cinematográficos

O close é um tipo de plano cinematográfico. Os planos representam a maneira como vemos a cena em função do manejo da câmera. Podem ser bem amplos, para descrever todo o ambiente (plano geral), ou mostrar as personagens de corpo inteiro (plano aberto). Podem também reduzir a área mostrada, de modo a chamar a atenção para alguns pontos da imagem. Ao mostrar as personagens da cintura para cima (plano médio), por exemplo, a câmera dirige a atenção do espectador para o diálogo, os gestos e as expressões faciais.

O close é o plano mais fechado, captando um detalhe bem específico, como um olhar ou um movimento das mãos. Por isso, tem caráter subjetivo; ele conduz o olhar do espectador a ler algo conforme a intenção do roteirista ou do diretor.
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REPRODUÇÃO/GULLANE FILMES

REPRODUÇÃO/GULLANE FILMES

Observe a diferença entre dois planos, o close e o geral, em duas cenas de O ano em que meus pais saíram de férias.

Desafio de linguagem

Apresentar uma cena de modo mais amplo ou mais fechado não é característica exclusiva das obras cinematográficas. A técnica também é usada em romances e contos. O escritor português Rebelo da Silva, por exemplo, empregou o close em um conto publicado em 1873, ao descrever uma tourada com uso de cavalos, tradição da Península Ibérica. Leia o trecho desse conto e responda às questões no caderno.

Não é propósito nosso descrever uma corrida de touros. Todos têm assistido a elas e sabem de memória o que o espetáculo oferece de notável. Diremos só que a raça dos bois era apurada, e que os touros se corriam desembolados, à espanhola. Nada diminuía, portanto, as probabilidades do perigo e a poesia da luta.

Tinham-se picado alguns bois. Abriu-se de novo a porta do curro, e um touro preto investiu com a praça. [...]

Nenhum dos cavaleiros se atreveu a sair contra ele. Fez-se uma pausa. O touro pisava a arena ameaçador e parecia desafiar em vão um contendor. De repente viu-se o Conde dos Arcos firme na sela provocar o ímpeto da fera e a hástea flexível do rojão ranger e estalar, embebendo o ferro no pescoço musculoso do boi. Um rugido tremendo, uma aclamação imensa do anfiteatro inteiro, e as vozes triunfais das trombetas e charamelas encerraram esta sorte brilhante. Quando o nobre mancebo passou a galope por baixo do camarote, diante do qual pouco antes fizera ajoelhar o cavalo, a mão alva e breve de uma dama deixou cair uma rosa, e o conde, curvando-se com donaire sobre os arções, apanhou a flor do chão sem afrouxar a carreira, levou-a aos lábios e meteu-a no peito. Investindo depois com o touro, tornado imóvel com a raiva concentrada, rodeou-o estreitando em volta dele os círculos, até chegar quase a pôr-lhe a mão na anca.

SILVA, Rebelo da. Última corrida de touros em Salvaterra. In: Contos e lendas. São Paulo: Editora Três, 1973. p. 116-117.





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