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Origens do Romantismo europeu



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Origens do Romantismo europeu

É muito comum confundir a noção de romantismo — substantivo habitualmente associado ao amor — com o movimento literário que, embora tenha como mote as paixões arrebatadoras, abrange também uma série de outros temas, como as grandes causas sociais, a morte, o patriotismo, o gosto pela morbidez, a religiosidade, o sentimento de solidão.

No final do século XVIII, o homem iluminista vê-se num impasse: seu pensamento racional idealiza um Universo justo e perfeito, mas a experiência prática insere-o em uma realidade perversa e injusta. É quando o “Século das Luzes” cede espaço para o subjetivismo e o irracionalismo típicos do Romantismo, movimento situado no contexto de grandes revoluções e da ascensão da burguesia, que exige uma arte que a represente.

Desde o início do século XVIII, surgiram, na Inglaterra, artistas insatisfeitos com o racionalismo clássico vigente nas artes. Os tempos eram outros, e a burguesia, impulsionada pelo liberalismo político e pela Revolução Industrial, ascendeu economicamente. Com isso, esse grupo passou a ter influência sobre setores importantes da atividade social e cultural da Inglaterra. As artes, que antes privilegiavam a nobreza — pois os artistas não respeitavam o burguês, concebendo-o apenas como personagem digno de figurar em comédias —, passaram a focalizar os hábitos, anseios e códigos morais da burguesia, nova detentora do poder econômico.

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Naquele tempo...

O Romantismo foi um movimento burguês, baseado no princípio do indivíduo (e não mais Deus ou o Homem) como centro do Universo. A Revolução Francesa teve papel decisivo no fortalecimento da burguesia.

Imagine centenas de camponeses famintos compartilhando a cama com vários familiares; crianças condenadas ao trabalho, como se fossem adultos; altos impostos pagos ao rei e à Igreja; ao mesmo tempo, os nobres da corte de Luís XVI ocupando cargos importantes no clero, no exército e no governo, sendo isentos do pagamento de grande parte dos impostos. Essa era a situação da França na segunda metade do século XVIII.

Em 14 de julho de 1789, influenciados pelas ideias iluministas de liberdade e igualdade jurídica, e apoiados pela população parisiense e dos campos do entorno, os burgueses tomaram a Bastilha, prisão-símbolo do Absolutismo francês, e, em 4 de agosto de 1789, foram oficialmente abolidos os privilégios dos nobres, transformados em cidadãos comuns. Em 26 de agosto, com a aprovação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, os franceses tornaram-se cidadãos iguais perante a lei — algo inédito —, e a burguesia, que liderou a Revolução, assumiu o controle do Estado.

Da França, surgiram nomes importantes do Romantismo mundial, como Madame de Staël (1766-1817) e Chateaubriand (1768-1848). Destaca-se ainda Victor Hugo (1802-1885), autor de poemas, peças de teatro e de Notre-Dame de Paris (1831), romance histórico ambientado no século XV e que imortalizou o personagem Quasímodo, conhecido como “O Corcunda de Notre-Dame”.

CHARLES GOSSELIN LIBRAIRE

“O Corcunda de Notre-Dame”, em ilustração de 1831, feita por Luc-Olivier Merson para a primeira edição do romance Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo.
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