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A dor existencial

Grande parte da produção poética simbolista de Cruz e Sousa é marcada pelo profundo sentimento de angústia espiritual. E não foram poucas as dores sofridas por ele: preconceito racial, solidão, pobreza, doença da mulher, morte dos filhos. Mas nada disso influenciou tanto a presença da dor existencial do poeta quanto o pessimismo dos realistas de seu tempo.


Página 123

Observe de que maneira esse tema é expresso no soneto a seguir.



Leitura

Acrobata da dor

Gargalha, ri, num riso de tormenta,


Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
De uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,


Agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-se bis e um bis não se despreza!


Vamos! Retesa os músculos, retesa
Nessas macabras piruetas d’aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,


Afogado em teu sangue estuoso e quente,
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.

SOUSA, João da Cruz e. Acrobata da dor. In: JUNKES, Lauro (Sel. e pref.). Roteiro da poesia brasileira: Simbolismo. São Paulo: Global, 2006. p. 24.





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