Se liga na língua: literatura, produção de texto, linguagem


Olavo Bilac: um poeta popular



Baixar 11.7 Mb.
Página144/665
Encontro29.07.2021
Tamanho11.7 Mb.
1   ...   140   141   142   143   144   145   146   147   ...   665
Olavo Bilac: um poeta popular

Você considera a poesia uma arte popular, isto é, acessível às pessoas de qualquer classe social e apreciada por elas? Livros de poemas são realmente consumidos pelos brasileiros? No final do século XIX e início do XX, falar em poesia era falar em Olavo Bilac, um dos escritores mais populares e prestigiados que o Brasil já teve.

Olavo Bilac (1865-1918) não concluiu nenhum dos dois cursos universitários que iniciou (Medicina e Direito). Preferiu, antes, mergulhar em uma vida intensa e agitada: rodas boêmias na juventude, escrita literária incessante, jornalismo, palestras em todo o país, defesa ardorosa de ideais republicanos, do serviço militar obrigatório e da alfabetização. Notabilizou-se principalmente pela escrita de poemas, contos, artigos e crônicas.

Em 1888, Bilac publicou sua primeira obra, Poesias, de que faz parte o poema “Profissão de fé” (que você conhecerá na seção “Atividade: textos em conversa”), por meio do qual o autor carioca pregou os ideais parnasianos de sua geração: um poeta deve imitar um ourives e fazer com que seu “verso de ouro” “saia da oficina/Sem um defeito”. Essa defesa apaixonada da perfeição da forma permitiu que Bilac conquistasse prestígio junto à elite intelectual apoiadora das rígidas normas impostas pelo Parnasianismo. Entretanto, o poema que realmente o popularizou, o soneto XIII da obra Via Láctea (1886), caracteriza-se por algumas marcas tipicamente românticas, ainda que apresente uma preocupação intensa com a forma.



Olavo Bilac, o mais popular dos poetas parnasianos.

BAPTISTÃO

Leitura

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo


Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto


A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!


Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!


Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

BILAC, Olavo. Soneto XIII. Via Láctea. Antologia poética. Porto Alegre: L&PM, 2012. p. 28. (L&PM Pocket, v. 38).





Compartilhe com seus amigos:
1   ...   140   141   142   143   144   145   146   147   ...   665


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal