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O teatro no contexto do Realismo



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O teatro no contexto do Realismo

O teatro realista europeu privilegiou enredos verossímeis inspirados no cotidiano com enfoque crítico sobre personagens. No Brasil popularizou-se, ao contrário, um divertido tipo de teatro musicado (composto de operetas, cancãs e óperas-bufas, inspirados em modelos parisienses), que combinava com a nascente vida boêmia carioca. Foi nesse período que chegou ao Rio de Janeiro, aos dezoito anos, Artur Azevedo (1855-1908), herdeiro direto das comédias de Martins Pena. Com textos como A capital federal e O mambembe, o irmão de Aluísio Azevedo imprimiu marca nova ao gênero.

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• História

O que figuras como Machado de Assis, Artur Azevedo e José de Alencar tiveram em comum no contexto do teatro feito durante o Realismo?


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Atividade - Leitura de texto

Leia o fragmento a seguir, extraído do capítulo XXIII de O cortiço. A cena em que Bertoleza, localizada pelos familiares de seus donos, compreende que não tem saída é considerada uma das mais tocantes das nossas letras.

ARTE: MARCEL LISBOA/FOTOS: PIXABAY – CREATIVE COMMONS LICENSE – CC BY 4.0

[...]

Um caixeiro aproximou-se dele respeitosamente e fez-lhe várias perguntas relativas ao serviço do armazém, ao que João Romão respondia por monossílabos de capitalista; interrogou-o por sua vez e, como não havia novidade, tomou Botelho pelo braço e convidou-o a sair.



- Fique para jantar. São quatro e meia, segredou-lhe na escada.

Já não era preciso prevenir lá defronte porque agora o velho parasita comia muitas vezes em casa do vizinho.

O jantar correu frio e contrafeito; os dois sentiam-se ligeiramente dominados por um vago sobressalto. João Romão foi pouco além da sopa e quis logo a sobremesa.

Tomavam café, quando um empregado subiu para dizer que lá embaixo estava um senhor, acompanhado de duas praças, e que desejava falar ao dono da casa.

- Vou já, respondeu este. E acrescentou para o Botelho: - São eles!

- Deve ser, confirmou o velho.

E desceram logo.

- Quem me procura?... exclamou João Romão com disfarce, chegando ao armazém.

Um homem alto, com ar de estroina, adiantou-se e entregou-lhe uma folha de papel.

João Romão, um pouco trêmulo, abriu-a defronte dos olhos e leu-a demoradamente. Um silêncio formou-se em torno dele; os caixeiros pararam em meio do serviço, intimidados por aquela cena em que entrava a polícia.

- Está aqui com efeito... disse afinal o negociante. Pensei que fosse livre...

- É minha escrava, afirmou o outro. Quer entregar-ma?...

- Mas imediatamente.

- Onde está ela?

- Deve estar lá dentro. Tenha a bondade de entrar...

O sujeito fez sinal aos dois urbanos, que o acompanharam logo, e encaminharam-se todos para o interior da casa. Botelho, à frente deles, ensinava-lhes o caminho. João Romão ia atrás, pálido, com as mãos cruzadas nas costas.

Atravessaram o armazém, depois um pequeno corredor que dava para um pátio calçado, chegaram finalmente à cozinha. Bertoleza, que havia já feito subir o jantar dos caixeiros, estava de cócoras, no chão, escamando peixe, para a ceia do seu homem, quando viu parar defronte dela aquele grupo sinistro.



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