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Indolência: preguiça. Tenra



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Indolência: preguiça.
Tenra: delicada.
Aurora: início da manhã.

Lúcia Miguel-Pereira chama a atenção para o fato de Aluísio Azevedo ser um dos poucos romancistas “de massas” de nossa literatura. (Prosa de ficção, p. 157.)

a) Que figura de linguagem predomina nesse fragmento?

b) Que função expressiva tem essa figura de linguagem na construção de sentido do texto?

c) Relacione o fragmento acima ao último parágrafo do capítulo I, que você leu na página anterior.

Em O cortiço, Aluísio Azevedo utiliza-se de recursos que demonstram a influência do pensamento cientificista no fim do século XIX. É recorrente, por exemplo, a referência a animais para caracterizar a “gentalha” (como o narrador se refere aos moradores da habitação coletiva): Leandra tem quadris “de animal do campo”; Romão e Bertoleza trabalham como se fossem uma “junta de bois”; Neném se parece com uma “enguia”; Paula tem “dente de cão”. São os instintos dos personagens que os movem para a ação, e não sua racionalidade ou intuição. Dessa forma, o autor dialoga com a ideia de que o homem está condenado à sua natureza animal.*



* João Romão, entretanto, reage ao instinto e guia-se pelo racionalismo. Quando falsifica uma carta de alforria para “oficializar” a liberdade da escrava Bertoleza, a fim de explorá-la, ele mostra que tem um objetivo bastante prático: a acumulação de dinheiro para obtenção de poder. Diferentemente dos outros personagens, Romão não se submete às forças do meio, ele as manipula a seu favor.

As concepções defendidas pelo inglês Herbert Spencer (1820-1903), principal representante do evolucionismo nas ciências humanas e autor da expressão “sobrevivência do mais apto”, também surgem nas páginas desse romance de Aluísio Azevedo.

Spencer defendia que o processo de seleção natural se aplicava também à sociedade, o que pressupunha a eliminação dos indivíduos menos aptos e a supremacia dos mais fortes.

Recomendamos a leitura do ensaio “De cortiço a cortiço”, de Antonio Candido, publicado no volume O discurso e a cidade (São Paulo: Duas Cidades, 1993).



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