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a) Que opiniões são essas? b)



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a) Que opiniões são essas?

b) Que relação podemos estabelecer entre as profissões dos tios do narrador e as ideias que eles defendem?

Fala aí


No último parágrafo do trecho de Memórias póstumas, Brás Cubas provoca o leitor pedindo a ele que decida entre a opinião de seu tio militar e a do tio cônego. O que você responderia ao defunto-autor? Qual é sua opinião?

Antes de os alunos se posicionarem sobre se concordam com a opinião do tio militar ou do tio cônego de Brás Cubas, retome o que essas posições representam.

A narrativa engenhosa de Dom Casmurro

O que você faria se desconfiasse de que seu(sua) namorado(a) o(a) traiu com seu(sua) melhor amigo(a)? Tema de poemas, filmes, canções, peças de teatro, o ciúme pode transformar-se em um dos sentimentos mais perturbadores que alguém pode vivenciar. Em Dom Casmurro, ele serve para discutir a manipulação, as diferenças sociais e os limites do amor e do controle sobre quem se ama.

Publicado dezoito anos após Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro (1899) se passa no Rio de Janeiro, entre a metade e o desfecho do século XIX. Nele, o narrador-personagem Bento Santiago, em capítulos curtos, faz um grande retrospecto de sua vida, seguindo uma ordem cronológica, diferentemente do que faz Brás Cubas em suas memórias. O narrador pretende, com isso, “atar as duas pontas da vida”, ou seja, reviver o passado no presente.

O enredo enfoca a história de amor entre os pré-adolescentes Bento Santiago (Bentinho) e sua vizinha Capitolina (Capitu). A modesta condição financeira da menina — vista com desconfiança pela família do rapaz — e uma promessa de que Bentinho seria padre, feita pela mãe dele, a forte e rica D. Glória, são obstáculos que os dois terão de enfrentar para ficarem juntos. A astúcia e a esperteza de Capitu, entretanto, conseguem vencer a resistência familiar e a promessa, e ocorre o casamento. Mais tarde, atendendo ao que se esperava de um jovem casal burguês, com situação financeira tranquila, eles têm um filho, Ezequiel.



Outra possibilidade de leitura (entre tantas) para Dom Casmurro poderia ser o entendimento da família Santiago (Bentinho — D. Glória — José Dias) como símbolo de uma classe social escravista, autoritária e patriarcal, típica do Brasil do século XIX, acostumada a mandar, que não suportaria a postura independente da menina de classe social economicamente inferior (representada por Capitu); daí sua condenação e permanente desconfiança.

Em O Realismo enganoso de Machado de Assis: uma interpretação divergente de Dom Casmurro, o crítico John Gledson faz um instigante estudo sobre esse conflito de classes. Leia o posfácio escrito por Roberto Schwarz. A contribuição de John Gledson. In: GLEDSON, John. Machado de Assis: ficção e história. 2. ed. rev. São Paulo: Paz e Terra, 2003. p. 321.
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Bentinho tem como melhor amigo Escobar, um colega do tempo em que estivera internado no seminário, agora casado com Sancha, amiga de Capitu. Os casais Bentinho/Capitu e Escobar/Sancha representam, aparentemente, ideais perfeitos de casamentos bem-sucedidos. Contudo, Escobar morre afogado na baía do Flamengo, e uma discreta lágrima vertida dos olhos de Capitu, diante do cadáver, desencadeia em Bentinho um processo obsessivo de ciúme da mulher e do falecido amigo. Uma suposta semelhança entre Ezequiel e Escobar aumenta a crise, culminando na separação do casal: Capitu é enviada com o filho para a Suíça, onde permanece até morrer. Bentinho fica só e dá início às suas memórias.

Mas o que faz desta história simples, até banal, de temática tão comum na literatura universal, uma das obras mais festejadas das letras brasileiras?

Primeiramente, a escolha do narrador. Temos acesso somente ao ponto de vista de um personagem, o marido de Capitu, ex-seminarista e advogado, dono de grande poder de persuasão e habilidade na manipulação das palavras. Além disso, ao narrar sua história, Bento é um senhor amargurado, sozinho, de “hábitos reclusos”, chamado pelos vizinhos de “Dom Casmurro”, por considerarem-no um “homem calado e metido consigo”. Dessa forma, tudo o que sabemos sobre a história de Bentinho e Capitu vem desse homem.

Quando permite que Bentinho/Dom Casmurro assuma a narrativa e julgue, subjetivamente, a conduta dos outros personagens — sobretudo de Capitu —, Machado de Assis rompe com a técnica realista de busca de uma verdade objetiva, descrita com distanciamento quase científico. É como se o autor questionasse o próprio conceito de “realidade” e, dessa forma, o conceito de literatura realista.

Biblioteca cultural

Acesse as obras completas de Machado de Assis em: .

Atividade - Textos em conversa

A Capitu descrita pelo narrador é sedutora, dissimulada e ambígua. O texto que você lerá a seguir tem ligação com o capítulo 25, em que, por sugestão (ou manipulação) de Capitu, Bentinho pede a José Dias que convença sua mãe de que ele não deve tornar-se padre. Em “Olhos de ressaca”, a moça cobra seu futuro marido sobre o “plano” de persuadir o agregado e D. Glória a deixar que o rapaz abandone o seminário. É também nele que Bentinho descobre o fascínio que tem pelos olhos de Capitu, assunto que retornará constantemente no romance.



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