Se liga na língua: literatura, produção de texto, linguagem


Memórias póstumas de Brás Cubas



Baixar 11.7 Mb.
Página115/665
Encontro29.07.2021
Tamanho11.7 Mb.
1   ...   111   112   113   114   115   116   117   118   ...   665
Memórias póstumas de Brás Cubas: ruptura e inovação

Em Memórias póstumas, o aristocrata Brás Cubas morre solteiro aos 64 anos, “às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869”. Depois de morto, o narrador resolve contar suas aventuras a nós, leitores. Fala de seu primeiro amor pela interesseira Marcela, com quem gastara sua mocidade e parte de seu dinheiro; de sua namorada do início da juventude, Eugênia, moça bonita e “coxa”; e de seu caso extraconjugal com Virgília, filha do conselheiro Dutra e esposa do ambicioso político Lobo Neves. Narra sua insignificante carreira de deputado que não chega a ministro e seu encontro com um antigo companheiro de colégio, Quincas Borba, filósofo lunático que defende a teoria do humanitismo, uma espécie de sátira de Machado de Assis às rígidas teorias positivistas de sua época. Brás Cubas também conta ao leitor sobre sua ambição de lançar um emplasto (medicamento) de propriedades supostamente milagrosas.

Um romance nada linear

Para narrar a vida sem grandes aventuras de Brás Cubas, Machado recorreu a técnicas bastante modernas: os capítulos curtos não têm uma sequência temporal cronológica rígida (assemelhando-se à memória não linear que temos dos fatos da vida); os fatos são intercalados por comentários ora cínicos, ora pessimistas, ora irônicos do defunto-autor. Por exemplo, para sugerir que Marcela era uma mulher interessada somente em seu dinheiro, Brás Cubas afirma, a certa altura: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis, nada menos”; para provar ao leitor que o caráter de um homem se constrói desde criança e poder justificar suas próprias atitudes mesquinhas e egoístas atribuindo-as à criação que teve de seus pais (e não a si mesmo), intitula o capítulo XI como “O menino é pai do homem” e relata fatos de sua infância que revelam os mimos do pai, que não lhe impunha limites, e a fraqueza da mãe.



Memórias póstumas de Brás Cubas inova também quando obriga o leitor a buscar um sentido para além da superfície dos fatos expostos. É preciso ficar atento para descobrir o que está “por baixo”, subentendido no material narrado; por isso esse tipo de literatura — tão atual — é um (saboroso) desafio para quem lê. Aos poucos, vamos descobrindo que Brás Cubas é um egoísta e manipulador do próprio leitor e que representa uma burguesia fútil, de aparências, e cheia de ambições mesquinhas e individualistas, seduzida unicamente pela glória.

O texto a seguir é o capítulo II dessa obra. Nele, o defunto-autor conta ao leitor como lhe surgiu a “ideia fixa” do emplasto e quais eram suas intenções com o “medicamento sublime”.

Biblioteca cultural

Não deixe de se divertir lendo Memórias póstumas de Brás Cubas: .


Página 86



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   111   112   113   114   115   116   117   118   ...   665


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal