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Marcos literários

O Realismo-Naturalismo inicia-se em 1881, com a publicação de O mulato, de Aluísio Azevedo, e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Em 1902, a publicação de Os sertões, de Euclides da Cunha, e Canaã, de Graça Aranha, marca o surgimento de novas tendências literárias no Brasil.

O Parnasianismo é inaugurado com a publicação da coletânea Fanfarras (1882), de Teófilo Dias, e finaliza-se com a consolidação do Modernismo no Brasil (a partir da Semana de Arte Moderna, em 1922).

ACERVO MUSEU DA IMPRENSA

Capa da primeira edição de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
Página 83

O conto de Piroli data de 1966, mas dialoga com algumas das linhas temáticas propostas no Brasil pelos realistas-naturalistas do final do século XIX, período em que o país passava por significativas transformações políticas e sociais.

Distantes do sentimentalismo romântico — expresso em temas como o amor-fatalidade, o herói idealizado, a pátria, a nação, a tradição, etc. —, muitos escritores realistas brasileiros buscaram a objetividade e a crítica ao retratar o mundo. Os que seguiram as tendências do Naturalismo submeteram seus personagens à força das leis naturais, com base nos estudos desenvolvidos pelas ciências da segunda metade do século XIX. A poesia que se estabeleceu durante o Realismo-Naturalismo — chamada de Parnasianismo — buscou ser antirromântica e baseou-se na objetividade e na supervalorização da forma.

Neste capítulo, nos estudos sobre o Realismo-Naturalismo, você conhecerá aquele que muitos críticos consideram o mais importante romancista de nosso país, Machado de Assis, e nosso principal naturalista, Aluísio Azevedo.

Biblioteca cultural

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A abolição da escravatura é um dos principais fatos históricos do período do Realismo-Naturalismo e do Parnasianismo no Brasil.

Naquele tempo...

O Brasil da segunda metade do século XIX estava em intensa transformação. Crescia a campanha abolicionista, empreendida por associações, clubes e jornais que lutavam contra o regime escravocrata, verdadeiro alicerce da produção cafeeira, concentrada no Centro-Sul do país. Desde 1850, algumas medidas contra a escravidão vinham sendo implementadas, como a proibição do tráfico internacional de escravos, a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários. Ao mesmo tempo, intensificava-se a entrada da mão de obra europeia no Brasil — a partir de 1871, o governo de São Paulo liberaria recursos para a vinda de imigrantes à região.

Em 1888, após quase quatro séculos de escravidão, foi oficializada a libertação dos escravos no Brasil, último país do mundo ocidental a abolir a escravatura. Com a Lei Áurea, precipitou-se a queda do Império. Em novembro de 1889, D. Pedro II foi deposto por oficiais do exército, apoiados pelos cafeicultores paulistas. Sem revoluções ou movimentos populares, instaurava-se no Brasil a República, atendendo aos interesses das classes dominantes.

Como o observador mais agudo desse panorama conturbado, surge o escritor Machado de Assis, figura-chave do que se poderia chamar de período de “oficialização da literatura”.

Após a Independência, com o desenvolvimento das cidades e a criação de cursos universitários, os escritores ganharam muito mais status entre as classes dominantes. A fundação da Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1897, contribuiu para “oficializar” a literatura nacional. Se, por um lado, esse caráter oficial garantiu maior espaço para a publicação de livros e para a projeção de alguns autores, por outro afastou do grande mercado — e do público leitor — escritores à margem do que as classes dominantes e os intelectuais consideravam “boa literatura”.

Nessa fase de oficialização da literatura brasileira começam a despontar intelectuais ocupados em pensar criticamente a realidade do país. Figuras como Rui Barbosa (1849-1923), o jornalista José do Patrocínio (1854-1905), o historiador Joaquim Nabuco (1849-1910) e os críticos literários Sílvio Romero (1851-1914) e José Veríssimo (1857-1916) foram fundamentais para a implementação de diversos estudos sobre o Brasil, os quais, nesse momento, embasavam-se no positivismo, no determinismo e no evolucionismo.

Família de imigrantes alemães, c. 1900.

ACERVO ICONOGRAPHIA

Sabia?


Na segunda metade do século XIX, a tiragem média de romances no Brasil era de seiscentos a mil exemplares, o que mostra como era pequeno o público leitor.

A professora da USP Salete de Almeida Cara elenca os hábitos culturais da elite leitora no contexto do Realismo-Naturalismo: “[...] exposição de um sapatinho de cetim trazido da Europa, companhia de ópera argentina de quinta categoria, baile para o qual era de bom alvitre preparar-se treinando o francês, atualizando-se rapidamente sobre os últimos acontecimentos do Oriente e decorando uma ou outra frase em italiano ou em latim. Uma elite deslumbrada com quinquilharias, poço de presunção a quem faltava identidade”.

CARA, Salete de Almeida. Machado de Assis nos anos 1870. In: COELHO, Márcia; FLEURY, Marcos (Orgs.). Machado de Assis no espelho: o Bruxo do Cosme Velho. São Paulo: Alameda, 2004. p. 45. (Fragmento).

Antonio Candido faz uma interessante análise dessa “oficialização da literatura” no último quarto do século XIX em Presença da literatura brasileira: das origens ao Realismo (história e antologia). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008. p. 281-282.
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