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RASIL
 
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AULISTA
Apesar de todas as dificuldades de sobrevivência e atuação registradas na
trajetória da Liga Paulista Contra a Tuberculose, a iniciativa bandeirante serviu durante
toda a República Velha como paradigma inspirador das demais campanhas estaduais


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centradas na Peste Branca. A criação de uma entidade de combate à doença pulmonar
em São Paulo foi reproduzida em outras unidades da federação que, de regra, aponta-
vam as ações comandadas por Clemente Ferreira como responsáveis pelo presumível
baixo índice de mortalidade consuntiva na capital industrial do país.
Assim, exagerando nos dados apresentados, o Serviço Sanitário de Pernambuco
fez constar em seu relatório do ano de 1926, uma série de dados estatísticos em que
ficava assegurado que São Paulo era a cidade ‘menos assolada’ pela tuberculose do
país, informando também que a capital paulista se incluía entre as mais salubres metró-
poles do mundo, com um coeficiente de óbitos por tuberculose bem inferior aos de
Montevidéu, Paris, Viena, Roma e Madri.
De qualquer forma, os governos federal e estaduais mantiveram-se pouco sintoniza-
dos com os movimentos regionais de combate à tísica, mesmo no tocante ao Rio de
Janeiro. Na capital da República, a criação da Liga Brasileira Contra a Tuberculose, pou-
cos meses depois da sua congênere paulista, buscou imitar a proposta fomentada por
Clemente Ferreira, apresentando as mesmas vicissitudes e pouco fazendo em benefício
dos infectados pobres do Rio de Janeiro e do resto do país, inclusive porque contava com
verbas, instalações e equipamentos ainda mais precários que os disponíveis em São Paulo.
Nas demais cidades brasileiras, a situação sanitária referente à Peste Branca era
ainda mais crítica. O levantamento realizado pelo Dr. Alfredo Britto, em 1929, mostra que
mais da metade dos óbitos nacionais causados por doenças infecto-contagiosas era devido
à tísica, sendo que raras eram as instituições dirigidas para o combate à fimatose que se
encontravam em condições de prestar assistência aos pectários pobres (Britto, 1929).
Por isso, na década de 20 do século passado, ganharam maior intensidade as
cobranças que visavam à participação dos poderes públicos no combate à Peste Bran-
ca, sendo raras as publicações e os congressos médicos nos quais não se reclamasse
da ausência oficial na luta anti-tuberculose.
Até mesmo o higienista Afranio Peixoto, sempre comedido nas palavras de
crítica ao Estado, incorporou-se no movimento. Ao avaliar a trajetória da saúde pública
nacional, o médico não se absteve de elogiar o empenho do governo federal em sanear
os grandes centros urbanos do país, mas, ao se deter no fato tuberculoso, Afranio
Peixoto não se conteve, pronunciando uma enigmática sentença: “é alarmante e não
move os que devem e podem...” (1923:88).



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