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Flávio Bezerra de Farias



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Flávio Bezerra de Farias

por Vincent (1998, p. 212), toda tentativa posterior de superação da 

sociedade burguesa “[...] apareceria como suspeita e carregada dos 

perigos do totalitarismo”. Para não cair nesse tipo de reifi cação bur-

guesa, no centenário da Revolução Russa de 1917, cabe voltar à mai-

êutica que o dissidente bolchevique Victor Serge empregara em 1937 

(apud MIÉ VILLE, 2017, p. 1):

[...] muitas vezes se diz que «o germe de todo o estalinismo estava 

no bolchevismo desde o início». Bem, não tenho objeção. Apenas 

que o bolchevismo também continha muitos outros germes, uma 

massa de outros germes, e as pessoas que viveram o entusiasmo dos 

primeiros anos da primeira revolução socialista vitoriosa não de-

vem esquecê -lo. Julgar o homem vivo pelos germes da morte que a 

autópsia revela no cadáver, e que ele pode ter carregado nele desde 

o seu nascimento, é  uma atitude sensata?

Retomam-se, aqui, certas categorias de um grande embate em 

torno da Revolução Russa de 1917, em que se destacam pensadores 

marxistas do século XX engajados decididamente na emancipação 

proletária, herdeiros diretos ou indiretos da tentativa soviética ori-

ginal de superação do capitalismo e, portanto, de extinção dialética 

do Estado capitalista, mediada pelo momento de transição socialista, 

quando  empreenderam  suas  diversas  abordagens  críticas  e  revolu-

cionárias.  Para  tanto,  lutaram  radicalmente  contra  a  real  politique 

seja da socialdemocracia (Segunda Internacional), seja do marxis-

mo-leninismo (Terceira Internacional), como também contra as di-

taduras fascistas, a burocratização e a reifi cação burguesa, abordan-

do  sempre  a  superação  do  capitalismo  como  uma  democratização 

socialista,  sob  a  hegemonia  do  proletariado,  dentre  muitos  outros 

objetivos relevantes para a futura revolução proletária mundial. Sua 

referência  decisiva  reside  no  bolchevismo  liderado  por  Lenin,  que 

“[...] renova sobretudo na prática, mas também por muitos dos as-

pectos teóricos importantes, as tendências históricas fundamentais e 

gerais do marxismo, sobretudo na concretização e na atualização das 

tendências à humanização real da espécie humana.” (LUKÁCS, 2009, 

p. 163-164). Portanto, em coerência com a teoria e a práxis de Lenin, 

que lhes tocou a inteligência crítica da realidade presente e a ante-

cipação de um mundo melhor, de natureza comunista, destacam-se 

os princípios que interessam aos proletários de democratização so-

cialista (Luxemburg), revolução permanente (Trotsky),especifi cação 

histórica  (Korsch),  liberdade  conselhista  (Gramsci),  consciência 

classista  (Lukács)  e  esperança  utópica  (Bloch,  Benjamin)  referidos 





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