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A REVOLUÇÃO RUSSA E O MARXISMO DO SÉCULO XX



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A REVOLUÇÃO RUSSA E O MARXISMO DO SÉCULO XX

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asas, tão violentamente que o anjo não pode mais fechá-las. Esta 

tempestade o empurra irresistivelmente para o futuro para o qual 

ele vira as costas, enquanto que o monte de ruínas diante dele se 

eleva até o céu. Esta tempestade é aquilo que chamamos o progres-

so (VINCENT, 2001b, p. 434).

Sobre o princípio esperança, Benjamin (VINCENT, 2001b, p. 

427-428) criticou o automatismo da fi losofi a do materialismo histó-

rico inerente à ortodoxia do marxismo vulgar, que se utiliza de uma 

teologia mal assumida, a qual, longe de ser dialética (orgânica), torna-

-se ilusória e mecanicamente certa de derrotar todos os adversários. 

Além disso, a historiografi a que lhe é correspondente não relaciona 

as derrotas catastrófi cas dos oprimidos no presente com aquelas do 

passado, penteando a história a contrapelo, isto é, no sentido de recu-

perar uma imagem do passado implicando a redenção,motivando e 

impulsionando, agora, a superação da opressão e a conquista efetiva 

da emancipação proletária.Ele acreditava num compromisso tácito 

entre  as  gerações  passadas  e  as  atuais,  em  que  “[...]  fora  acordada 

uma  fraca  força  messiânica  sobre  a  qual  o  passado  faz  valer  uma 

pretensão. De maneira alguma, seria justo repelir esta pretensão. O 

historiador materialista tem consciência disto.” (VINCENT, 2001b, 

p. 428-429). Porém, o cronista incapaz de distinguir nos seus rela-

tos grandes e pequenos eventos sociais não apreende a verdade em 

“[...] que nada daquilo que jamais aconteceu está perdido para a his-

tória. Certamente, é somente para a humanidade redimida que ad-

vém plenamente seu passado.” (VINCENT, 2001b, p. 429).

A herança marxiana da primazia ontológica da luta das classes 

na dinâmica da história não a torna determinada unicamente através 

de uma luta por “[...] coisas brutas e materiais sem as quais não exis-

tiriam as refi nadas, nem tampouco as espirituais. Estas intervêm, en-

tretanto, na luta das classes [...] participam vivamente da luta e agem 

retrospectivamente nas profundezas do tempo.” (VINCENT, 2001b, 

p.430), colocando sempre em causa cada vitória dos opressores, para 

afi rmar a atualidade da revolução para realizar a emancipação prole-

tária, “[...] como última classe escravizada, a classe vingadora que, em 

nome de gerações de vencidos, completa a obra de liberação” (VIN-

CENT, 2001b, p. 437). Para tanto, a consciência de classe revolucio-

nária “[...] faz explodir o continuum da história.” (VINCENT, 2001b, 

p. 440). Por sua vez, “[...] o historiador materialista ”inserido numa 

estrutura que fora cristalizada em mônada apreende o “[...] sinal de 

um bloqueio messiânico dos eventos, isto é, o sinal de uma chance 





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