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Flávio Bezerra de Farias



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Flávio Bezerra de Farias

pressupõe a ideologia de eternização da sociedade burguesa, em que 

o capitalismo imperialista cristalizou-se na forma reifi cada de uma 

insuperável jaula de aço, uma estruturação concebida tanto com sua 

neutralidade  axiológica  de  cientista  social  e  histórico,  quanto  com 

sua  metodologia  baseada  na  utilização  do  ideal-tipo  (VINCENT, 

1998).

Em compensação, sob a infl uência do marxismo crítico e re-



volucionário, dois jovens frequentadores dos seminários de Weber, 

de  1912  a  1914,  Lukács  e  Bloch  supõem  a  abertura  da  sociedade 

burguesa  que,  portanto,  trata-se  de  uma  formação  socioeconômi-

ca  evolutiva  e  superável,  conforme  o  interesse  internacionalista  da 

massa proletária, cuja estratégia política pressupõe que, em princí-

pio, as totalidades dialéticas formadas por determinação-liberdade, 

sujeito-objeto, teoria-práxis, etc.,não são permanentes, mas situadas 

no tempo e no espaço. A ação coletiva emancipadora do proletariado 

deixa de poder defi nir-se unicamente em si, por sua realidade con-

creta e efetiva, em ato, fora da virtualidade para si, utópica comunis-

ta, que tende a realizar, em potência.

A  contribuição  do  jovem  Lukács  destaca-se  por  sua  atuali-

dade teórica e política, no contexto da crise do capitalismo global, 

como  recusadas  tentativas  de  reduzir  o  marxismo  a  uma  simples 

abordagem qualitativa do curso dos eventos distributivos das rendas 

e  suas  fontes,  bem  como  a  uma  descrição  quantitativa  dos  altos  e 

baixos  da  disputa  entre  capitais  industriais,  de  um  lado;  e,  do  ou-

tro, pela importância dada à consciência e à subjetividade classista, 

por sua desmistifi cação da ordem e do progresso burguês e por seu 

empenho na superação radical do aparelho científi co e tecnológico 

capitalista. Para o jovem Lukács, “[...] o partido comunista é a forma 

organizacional da consciência de classe que, como portador da mais 

alta possibilidade objetiva de consciência e de ação revolucionária, 

exerce uma mediação entre a teoria e a prática, o homem e a histó-

ria.” (LÖWY, 2009, p. 44).

Entretanto, a propósito da doutrina de Lenin (1971, p. 117) 

da consciência política de classe, que longe de ser espontânea, de-

veria ser aportada ao proletário do exterior das relações econômicas 

burguesas, o velho Lukács (2009, p. 309) observou que o processo 

não deveria “[...] se concentrar em demasia exclusivamente, incon-

dicionalmente sobre a transformação da ideologia e, então, de não 

o orientar sufi cientemente concretamente para a transformação do 






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