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A REVOLUÇÃO RUSSA E O MARXISMO DO SÉCULO XX



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A REVOLUÇÃO RUSSA E O MARXISMO DO SÉCULO XX

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ria, sobretudo, de uma estratégia própria de tomada de consciência 

de classe, através de organizações e partidos capazes de fazer a me-

diação dialética entre a ditadura e a democracia proletária, o sujeito 

coletivo revolucionário e a grande transformação social e histórica 

em  curso.  Assim,  “[...]  a  autonomia  da  organização  da  vanguarda 

seria um meio de equalizar a tensão entre a mais alta possibilidade 

objetiva e o nível de consciência efetivo da média, num sentido que 

faça  avançar  o  processo  de  tomada  de  consciência  revolucionária”. 

(LÖWY, 2009, p. 45).

Na sua maturidade, Lukács (2012, p. 94) atualizou a sua crítica 

à reifi cação burguesa, inserindo-a no quadro contemporâneo do du-

plo caráter da ideologia burguesa, como falsa consciência decorrente 

de uma abordagem distorcida da realidade, de um lado; e, do outro, 

como confi guração ideal conforme os interesses e as aspirações da 

classe dominante. Muito embora o pensamento neo-kantiano webe-

riano  fosse  pessimista  e  resignado,  ele  foi  capaz  de  ser  uma  com-

ponente do messianismo revolucionário do jovem Lukács, também 

infl uenciado metodologicamente pela dialética hegeliana e politica-

mente pela democracia proletária (MANDEL, 1980, p. 22) de Lenin 

e, sobretudo, de Luxemburg, de sorte que “[...] de tudo isso resultou 

na teoria um amálgama interiormente contraditório que foi deter-

minante para meu pensamento na época da guerra e nos primeiros 

anos de pós-guerra.” (LUKÁCS, 1976, p. 384). A herança específi ca 

de Lenin foi retratada sinteticamente da seguinte maneira:

[...] sua força teórica vem do fato de que ele considera toda cate-

goria... em relação com sua ação no seio da práxis humana e que, 

ao  mesmo  tempo,  para  toda  atividade  –  que  nele  se  baseia  sem-

pre  sobre  uma  análise  concreta  da  situação  concreta  –,ele  coloca 

essa análise numa relação orgânica e dialética com os princípios do 

marxismo. Ele não é, assim, no sentido estrito dos termos, nem um 

teórico nem um pragmático, mas um profundo pensador da práxis, 

um transpositor fervoroso da teoria em práxis, um cuja visão aguda 

é sempre voltada para os pontos de reviravolta em que a teoria se 

torna práxis e a práxis teoria (LUKÁCS, 1976, p. 410).

Nessa mesma época, o fenômeno de oposição entre reifi cação 

burguesa e consciência de classe do proletariado desenvolvia-se, em 

profundidade e extensão, com a experiência de totalização específi ca 

do capitalismo imperialista, em que as abordagens do seu ser social 

e  histórico  trazem  a  marca  da  análise  concreta  atinente  à  situação 

concretadas potências estatais e capitalistas nacionais. Assim, Weber 





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