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Flávio Bezerra de Farias



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Flávio Bezerra de Farias



O PRINCÍPIO CONSCIÊNCIA CLASSISTA

No início dos anos 1920, o jovem Lukács (1976) fez uma aná-

lise  concreta,  ampla,  profunda  e  original,  da  situação  concreta  do 

fetichismo como fenômeno de consciência social e inerente ao ser 

social, no contexto do capitalismo industrial, conforme a crítica da 

economia política de Marx (1976). Lukács reelaborou o conceito ge-

ral de reifi cação, enriquecendo o conceito marxiano de fetichismo 

com a contribuição sociológica de Simmel e Weber atinente aos fe-

nômenos de coisifi cação e racionalização próprios ao capitalismo in-

dustrial, cujo desenvolvimento faz com que “[...] a reifi cação termine 

por envolver o conjunto das formas de aparição da vida social”, tor-

nando-se uma homogeneidade estrutural (LÖWY, 1992, p. 85, grifo 

do autor) decisiva na elaboração e na inculcação da ideologia domi-

nante. Em compensação, quanto à consciência que lhe seria antago-

nista,  para  além  das  posições  assumidas,  após  a  Revolução  Russa, 

pelos social-democratas e pelos bolcheviques, “Lukács opunha a exi-

gência dialética de uma força revolucionária interna, fazendo parte 

do próprio objeto que era preciso transformar, a saber, da sociedade 

capitalista, a exigência de uma classe social de tendência espontânea 

e naturalmente revolucionária.” (GOLDMANN, 1984, p. 87).

Assim,  a  necessária,  latente  e  possível  supressão  radical  da 

opressão inerente ao contexto do capitalismo imperialista no início 

do  século  XX  é  uma  tarefa  subjetiva  e  consciente  do  proletariado 

como classe para si, pressupondo a atualidade da revolução, na escala 

global, conforme “[...] a ideia fundamental de Lenin e, também, o 

ponto decisivo que o une a Marx”. (LUKÁCS, 1972, p. 10). Entretan-

to,

[...] a fi delidade de Lukács ao pensamento de Marx se exprime tam-



bém no fato de que, falando das contra forças e contra tendências 

que  se  desenvolvem  no  interior  da  racionalização  capitalista,  ele 

propõe uma reformulação do conceito de “consciência de classe”, 

adaptada  às  mutações  intervindas  nas  sociedades  evoluídas  do 

capitalismo contemporâneo, em vez de seu abandono (LUKÁCS, 

2001, p. 24-25).

O  jovem  Lukács  estava  extremamente  convicto  de  que,  na 

situação  do  capitalismo  mundial  à  sua  época,  urgia  a  luta  revolu-

cionária  emancipatória,  pela  superação  imediata  da  sociedade  de 

classes, de um lado; e, do outro, estando preenchidas as condições 

socioeconômicas objetivas da revolução proletária, o seu sucesso vi-





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